Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 12 nº 1 - Jan/Mar - 2015

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Páginas 16 a 22


Relaçao do índice de massa corporal e hipertensao arterial sistêmica na populaçao jovem de um colégio público de Curitiba - PR

Relation of body mass index and hypertension in the young population of a public school in Curitiba - PR

Relación del índice de masa corporal e hipertensión arterial sistémica en la población joven de un colegio público de Curitiba - PR


Autores: Darci Vieira da Silva Bonetto1; Faigha Barbosa Parzianello2; Rodrigo de Oliveira Salustiano3; Wilkens Age Júnior4

1. Pediatra e Especialista em Adolescência - Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Curitiba, PR, Brasil e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Professora de Pediatria - PUCPR. Curitiba, PR, Brasil. Professora de Adolescência e Mestre em Meio Ambiente - Universidade Positivo. Curitiba, PR, Brasil Presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria. Curitiba, PR, Brasil
2. Estudante do quinto ano de medicina - Universidade Positivo. Curitiba, PR, Brasil
3. Estudante do quinto ano de medicina - Universidade Positivo. Curitiba, PR, Brasil
4. Estudante do quinto ano de medicina - Universidade Positivo. Curitiba, PR, Brasil

Darci Vieira Silva Bonetto
Estrada da Mina de Ouro, nº356, Santo Inácio
Curitiba, PR, Brasil. CEP: 82010-510
darcibonetto@hotmail.com

Recebido em 27/10/2013
Aprovado em 15/03/2014

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Como citar este Artigo

Descritores: Obesidade, adolescente, hipertensao, obesidade abdominal.
Keywords: Obesity, adolescent, hypertension, obesity, abdominal.
Palabra Clave: Obesidad, adolescente, hipertensión, obesidad abdominal.

Resumo:
OBJETIVO: Evidências recentes indicam que a incidência de hipertensao arterial sistêmica (HAS) está aumentando entre adolescentes. Este trabalho teve a intençao de correlacionar índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal (CA) com o achado de pressao arterial elevada em adolescentes de uma escola pública de Curitiba-PR.
MÉTODOS: Estudo observacional transversal no período de setembro a novembro de 2012; amostra total de 118 adolescentes. Os valores encontrados foram enquadrados nas tabelas de percentis idade por IMC, CA e pressao arterial (PA) da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Os participantes tiveram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado por pais ou responsáveis. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Positivo de Curitiba-PR.
RESULTADOS: Idade média encontrada foi 13,4 anos. O IMC variou de 13,6 a 46,5 kg/m2, sendo o sexo masculino com maior taxa de sobrepeso e obesidade (p=0,03). 16,1% apresentavam aferiçoes pressóricas aumentadas, sendo que a elevaçao do componente sistólico foi responsável pela maioria dos percentis acima de 95. Houve correlaçao altamente significativa (p<0,001).
CONCLUSAO: Observou-se associaçao significativa entre os itens estudados e a elevaçao da PA em adolescentes, sugerindo que o estilo de vida sedentário e hábitos alimentares inadequados praticados pela maioria dos adolescentes sejam elencados como possíveis fatores de risco.

Abstract:
OBJECTIVE: Recent evidence indicates that hypertension is increasing its incidence among adolescents. This work was intended to correlate body mass index (BMI) and waist circumference (WC) with high blood pressure in adolescents from a school in Curitiba-Paraná State.
METHODS: A cross-sectional observational study was conducted from September to November 2012; the total sample consisted of 118 adolescents, the values found were classified in the Brazilian Society of Pediatrics' (BSP) table s of age percentiles by BMI, WC and blood pressure (BP). All participants had term of consent signed by parents or guardians. The study was approved by the Ethics and Research Department of the Positivo University in Curitiba.
RESULTS: The mean age found was 13.4 years. The BMI ranged from 13.6 to 46.5 kg / m2, and the males had higher rates of overweight and obesity (p=0.03). 16.1% had blood pressure measurements increased, and systolic BP was responsible for most of the percentiles above 95. There was a highly significant correlation (p<0.001).
CONCLUSION: This study showed a significant association between the studied items and increased BP in adolescents, which suggest that the sedentary lifestyle and poor eating habits of most adolescents be listed as possible risk factors.

Resumen:
OBJETIVO: Evidencias recientes indican que la incidencia de hipertensión arterial sistémica (HAS) está aumentando entre adolescentes. Este trabajo tuvo la intención de correlacionar índice de masa corporal (IMC) y circunferencia abdominal (CA) con el hallazgo de presión arterial alta en adolescentes de una escuela pública de Curitiba-PR.
MÉTODOS: Estudio observacional transversal en el período de septiembre a noviembre de 2012; muestra total de 118 adolescentes. Los valores encontrados fueron encasillados en las tablas de porcentajes edad por IMC, CA y presión arterial (PA) de la Sociedad Brasileña de Pediatría (SBP). Los participantes tuvieron Término de Consentimiento Libre y Esclarecido (TCLE) firmado por padres o responsables. El estudio fue aprobado por el Comité de Ética y Pesquisa de la Universidad Positivo de Curitiba-PR.
RESULTADOS: Edad Promedio encontrada fue 13,4 años. El IMC varió de 13,6 a 46,5 kg/m2, siendo el sexo masculino con mayor tasa de sobrepeso y obesidad (p=0,03). El 16,1% presentaban condiciones de presión elevadas, siendo que el aumento del componente sistólico fue responsable por la mayoría de los porcentajes arriba de 95. Hubo correlación altamente significativa (p<0,001).
CONCLUSION: se observó asociación significativa entre los apartados estudiados y el aumento de la PA en adolescentes, sugiriendo que el estilo de vida sedentario y hábitos alimenticios no adecuados practicados por la mayoría de los adolescentes sean presentados como posibles factores de riesgo.

INTRODUÇAO

Há evidências crescentes de que crianças e adolescentes com elevaçao da pressao arterial (PA) leve sao muito mais comuns do que se pensava no passado. Estudos longitudinais já deixaram claro que as alteraçoes da PA nesta populaçao nao raramente se traduzem em hipertensao no adulto; salientando, assim, a importância do fenômeno de rastreamento nao apenas epidemiologicamente, mas também clinicamente1,2.

No Rio Grande do Sul, observou-se uma proporçao de 6,6% de adolescentes com níveis tensionais acima do percentil 95 para pressao diastólica e 12,9% para pressao sistólica3. Em Sao Paulo, foi observada prevalência de 2,7% entre crianças e adolescentes4.

Nos últimos anos foi feita a identificaçao de condiçoes muitas vezes associadas e consideradas responsáveis pela pressao arterial elevada em crianças e adolescentes; o excesso de peso é provavelmente a mais importante das condiçoes associadas à PA elevada na infância. A causa provável para a crescente prevalência da obesidade e suas doenças associadas é a reduçao da atividade física diária realizada por crianças5.

Afirma-se, ainda, que a obesidade é responsável por mais da metade do risco para o desenvolvimento de hipertensao arterial, e pode-se esperar um aumento das taxas futuras de doença arterial coronariana em adultos. Crianças com sobrepeso sao conhecidas por serem mais propensas a ter adiposidade, sendo o principal fator de risco para a PA mais elevada. Nesses casos, o IMC e a circunferência abdominal sao de extrema importância1, 6.

Existe uma preocupaçao crescente em relaçao à hipertensao (HAS) em adolescentes por causa de sua associaçao com a obesidade epidêmica7; desde 1970, a prevalência de sobrepeso entre crianças e adolescentes americanos com idades entre 6 e 19 anos triplicou6.

Segundo estudo de Yoon et al.7 com 4.296 adolescentes portadores de HAS primária, entre 12 e 18 anos, dois terços eram do sexo masculino e 73% tinham idade entre 11 e 14 anos, qua-se a metade tinha uma comorbidade relacionada à obesidade (48%)7 .

Uma série de estudos baseados na comunidade têm demonstrado que existe forte relaçao positiva entre o índice de massa corporal (IMC) e a pressao arterial em crianças (Voors et al. 1977; Aristimuno et al. 1984; Clarke et al. 1986; Jiang et al. 1995; Munter et al. 2004; Weiss et al. 2004; Falkner et al. 2006)5.

No Brasil, um estudo realizado por Kuschnir e Mendonça8 com adolescentes entre 12 e 20 anos incompletos, em uma escola estadual do Rio de Janeiro, demonstrou que 71,4% dos adolescentes hipertensos apresentaram sobrepeso ou obesidade; demonstrou, ainda, forte associaçao da hipertensao com a circunferência abdominal aumentada8.

A epidemia de obesidade infantil, o risco de desenvolvimento de hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e as evidências de desenvolvimento precoce da aterosclerose em crianças fazem da detecçao e da intervençao em crianças com hipertensao fatores importantes para reduzir os riscos à saúde em longo prazo, no entanto, faltam dados de apoio para tais medidas. Hipertensao primária ou essencial é mais comum em adolescentes e tem fatores múltiplos de risco, incluindo a obesidade e história familiar de hipertensao2. Diversas linhas de evidência sugerem que a pressao arterial em crianças norte-americanas e adolescentes está aumentando em paralelo com peso9.

O diagnóstico de hipertensao deve ser baseado em medidas múltiplas (três medidas) da PA feitas em consultório, tomadas em ocasioes separadas durante um período. Apesar de a aferiçao no consultório ser utilizada como referência, valores da PA obtidos fora dele podem melhorar a avaliaçao em indivíduos nao tratados e tratados1,2.

Essas três diferentes medidas devem ser iguais ou superiores ao percentil 95 para idade, sexo e altura. Pré-hipertensao é definida da mesma maneira em três ou mais visitas, mas com a pressao arterial média igual ou superior ao percentil 90 para idade, sexo e altura, ou mais do que 120/80 mmHg, porém menos do que o percentil 95. Com base nessas definiçoes, inúmeros pontos de corte normais e anormais existem9.

Segundo estudo de coorte feito por Hansen et al. com 14.187 crianças e adolescentes entre 3 e 18 anos, a hipertensao e pré-hipertensao sao bem definidas, prevalentes e assintomáticas. Contudo essas condiçoes parecem ser frequentemente nao diagnosticadas por clínicos pediátricos9.

A hipertensao é um conhecido fator de risco para doença arterial coronariana (DAC) em adultos. A presença de hipertensao arterial na infância pode contribuir para o desenvolvimento precoce de DAC. Os dados mostram que a hipertrofia do ventrículo esquerdo pode ser vista em até 41% dos pacientes com a PA elevada na infância. Pacientes com casos graves de hipertensao na infância também possuem risco aumentado de desenvolvimento de encefalopatia hipertensiva, convulsoes, acidentes vasculares encefálicos e insuficiência cardíaca congestiva2.


OBJETIVOS

Avaliar o IMC, circunferência abdominal e a prevalência de hipertensao arterial sistêmica em adolescentes de uma escola pública na cidade de Curitiba para que essa populaçao seja esclarecida sobre os fatores de risco e prevençao da obesidade e hipertensao arterial na juventude.


MÉTODOS

Este foi um estudo observacional transversal realizado em uma escola pública de Curitiba-PR no período de setembro a novembro de 2012. O estudo pretendia trabalhar com o universo de alunos do 8º ano do período da tarde que contava com 198 alunos. Foram excluídos 80 sujeitos cujos responsáveis nao assinaram o termo de consentimento, estavam em tratamento para hipertensao arterial sistêmica, em vigência de algum processo infeccioso, em momento de estresse ou que possuíam diagnóstico de hipertensao arterial sistêmica secundária; assim a amostra total foi de 118 adolescentes. A coleta de dados foi realizada em três visitas. Para medida do peso foi utilizada balança eletrônica, que estava corretamente calibrada, fornecida pelo Estado do Paraná para todas as escolas públicas. Para verificaçao da altura, foi utilizada régua de madeira fixa, os alunos ficaram de meias ou descalços com os calcanhares juntos com a cabeça no plano horizontal. A avaliaçao do estado nutricional dos adolescentes foi feita através do índice de massa corporal (IMC), sendo definido como peso em quilogramas dividido pela altura em metros quadrados (peso/altura2). Os valores foram enquadrados nas tabelas de percentis idade por índice de massa corporal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e os que apresentaram percentil > 95 foram considerados com excesso de peso. A medida da circunferência abdominal utilizou o valor encontrado entre o gradil costal e a crista ilíaca com fita métrica nao extensível e em expiraçao. Os valores encontrados foram enquadrados nas tabelas de percentis idade por circunferência abdominal da SBP e os que apresentaram percentil > 90 foram considerados com alto risco. Para aferiçao da pressao arterial foram utilizados esfigmomanômetros aneroides calibrados e sem vazamentos da marca WelchAllyn DS48. Foi considerada a média das pressoes arteriais, sendo considerados hipertensos completos, diastólicos ou sistólicos os que apresentaram valores acima do percentil 95 de acordo com as tabelas de percentis idade por pressao arterial da SBP. A equipe de pesquisa nao utilizou jalecos brancos para evitar vieses. Todos os participantes tiverem Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por pais ou responsáveis. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Positivo de Curitiba-PR. Os dados foram analisados pelo programa IBM SPSS Statistics 20.0. Foi utilizado cálculo chi-quadrado para cálculo da significância estatística (p).


RESULTADOS

O total de adolescentes rastreados foi de 118. A composiçao do grupo foi igualitária, sendo 50% do sexo masculino e 50% do feminino. A idade variou de 12 a 17 anos, sendo que a idade média foi de 13,4 anos.

O peso da populaçao estudada variou de 29,7 a 106 kg, com uma média de 55 kg; a altura variou de 1,38 a 1,86m, sendo a altura média de 1,60m. O IMC, calculado pela fórmula IMC=peso/(altura)2, variou de 13,6 a 46,5 kg/m2, com um IMC médio de 21,3kg/m2. O IMC médio dos indivíduos do sexo masculino foi maior do que o do feminino, com valores respectivos de 22,4kg/m2 e 20,3kg/m2.

O sexo masculino apresentou maior taxa de sobrepeso e obesidade em comparaçao ao feminino, com diferença estatisticamente significativa (p=0,03) (Tabela 1). Dos indivíduos pesquisados, 16,1% eram obesos, sendo que o grupo de obesos era composto por 73,6% de meninos e 26,4% de meninas. Os meninos tiveram maior taxa de obesidade e sobrepeso, e menor taxa de baixo peso quando comparados ao grupo feminino.




Os valores de circunferência abdominal variaram de 53cm a 103cm, com uma média de 75,3cm. A média do sexo feminino foi de 71,4cm e do masculino de 79,2cm. Correlacionando a presença de hipertensao com o achado de circunferência abdominal alterada (CAA), ocorreu concomitância da CAA com a hipertensao em 55% dos casos. A associaçao de CAA e HAS apresentou 'p' altamente significativo (p<0,01). Foi encontrada uma taxa proporcionalmente maior de CAA no grupo dos hipertensos, sendo que havia CAA em apenas 12% dos nao hipertensos, enquanto no grupo dos hipertensos, a circunferência abdominal estava alterada em 75% dos casos.

Quando os adolescentes foram interrogados sobre se já haviam tido a PA aferida ao menos uma vez, 45,7%, afirmaram já ter aferido pelo menos uma vez ao longo da vida.

A PA sistólica variou de 79mmHg a 162 mmHg e a diastólica de 44mmHg a 92mHg. A média da PA foi de 106,1/65,3 mmHg para o grupo feminino e 114,9/67,8mmHg para o masculino. Do total, 83,9% dos indivíduos eram normotensos e 16,1% apresentavam aferiçoes pressóricas aumentadas. Dentro do grupo que apresentava alteraçoes pressóricas, 63,1% tinham hipertensao sistólica, 26,3% hipertensao diastólica e 10,5% hipertensao sistólica e diastólica. Do total de hipertensos sistólicos, 66,6% eram do sexo masculino e 33,3% do feminino. Do total de indivíduos com hipertensao diastólica, 60% eram do sexo masculino e 40% do feminino. Cem por cento dos indivíduos com hipertensao sistólica e diastólica eram do sexo masculino.

Realizado o Teste Chi-quadrado, houve correlaçao altamente significativa (p<0,001) quando os casos de hipertensao foram relacionados ao IMC encontrado. Os resultados encontrados estao demonstrados na Tabela 2.




DISCUSSAO

De acordo com nosso estudo, 45,7% dos estudantes já haviam aferido a pressao arterial pelo menos uma vez anteriormente, valor compatível com o de outro estudo brasileiro de Silva et al.11 no qual a porcentagem em adolescentes e pré adolescentes foi respectivamente 49% e 22%. Entretanto o número mostrou-se baixo em relaçao aos dados do estudo de Silverman et al.10, o qual relatou que 93% já haviam aferido a pressao arterial. O fato de acreditar-se que a HAS possui baixa prevalência na infância e adolescência e de apresentar-se em indivíduos assintomáticos pode estar contribuindo para a nao incorporaçao da medida da pressao arterial no atendimento pediátrico até o momento11.

No estudo de Silverman et al.10 foram considerados hipertensos adolescentes com percentil > 90 e sua porcentagem foi de 30%, enquanto em nosso estudo a prevalência foi de 16,1%; essa diferença de valores talvez possa ser justificada por considerarmos hipertensao os valores acima do percentil > 95. Quando comparado com o estudo de Urrutia-Rojas et al.12, que também considerou hipertensao os valores do percentil > 95, o valor foi compatível com 16%.

Ferreira e Aydos13 constataram uma prevalência de 52,4% de HAS em adolescentes obesos; valor semelhante verificado por este estudo, 52,6%. Em jovens com IMC normal: 11,5% de HAS, em baixo peso e sobrepeso nenhum caso registrado.

A hipertensao esteve altamente correlacionada com o aumento do IMC (p<0,001) assim como visto em outro estudo14. Dos adolescentes estudados, 16,1% apresentaram IMC compatível com obesidade, valor muito próximo do encontrado pelo estudo de Romaldini et al.4 que mostrou 10,1% de obesidade. Gomes e Alves15 detectaram uma prevalência de 6,9% de obesidade em crianças de escolas públicas da regiao metropolitana do Recife. Acreditamos que esta diferença significativa possa ser explicada pelo menor número de adolescentes em nosso estudo, condiçoes biológicas ou socioeconômicas.

Cole et al.16 , estudando adolescentes de 18 anos, encontraram prevalência de obesidade para os sexos masculino e feminino de 4,7 e 15,2%, respectivamente, no Brasil. Este é o principal fator para elevaçao dos níveis tensionais pressóricos. Dos indivíduos pesquisados a taxa de obesidade era de 4,2% e 11,8% em meninas e meninos, respectivamente. O acúmulo de gordura no abdome está diretamente relacionado com o aumento do risco cardiovascular.

Cavalcanti et al.17 dizem que a obesidade foi maior em meninas no estudo realizado em Pernambuco em adolescentes com média de idade de 16,8 anos, assim como Cole et al.16 Em nosso estudo, a maior prevalência foi em meninos, 73,6%. Segundo Silva et al.11, o sexo masculino é um fator de risco para desenvolvimento de obesidade abdominal.

"Tentar entender como uma populaçao se torna obesa é uma tarefa difícil. O excesso de peso nao é privilégio dos grupos mais favorecidos economicamente; pelo contrário, entre a populaçao de baixa renda sao observadas importantes prevalências de excesso de peso secundárias às limitaçoes materiais importantes para a seleçao de alimentos de menor teor energético, que sao usualmente mais caros"18.

Com a alta taxa de HAS em jovens é necessário que medidas emergências sejam tomadas; o aumento da incidência de obesidade está intimamente relacionado ao aumento de HAS e de distúrbios endócrinos como o diabetes mellitus. Aos profissionais da saúde cabe o monitoramento, alerta, incentivo e instruçao para atividade física e reeducaçao alimentar.

Os cuidadores, auxiliados por profissionais da saúde, sao responsáveis diretos por criar um hábito alimentar saudável desde a mais tenra infância, proporcionando uma nutriçao adequada de acordo com as etapas do desenvolvimento.


CONCLUSAO

O aumento do IMC e da circunferência abdominal demonstrou correlaçao com a maior prevalência de hipertensao em adolescentes, sendo que cerca de metade dos jovens obesos e 75% dos que possuíam circunferência abdominal aumentada apresentaram índices pressóricos elevados. Indice muito alto e preocupante considerando a expectativa de vida média do brasileiro de 74 anos e as potenciais complicaçoes da HAS crônica. Sobrepeso e baixo peso parecem nao ter relaçao com aumento dos níveis tensionais.


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