Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 13 nº 4 - Out/Dez - 2016

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Páginas 7 a 14


Consumo de alimentos ultraprocessados e corantes alimentares por adolescentes de uma escola pública

Consumption of ultra-processed food and food coloring agents by adolescents from a public school

Consumo de alimentos ultraprocesados y colorantes alimenticios por adolescentes de una escuela pública


Autores: Cristhiane Maria Bazílio de Omena Messias1; Havena Mariana dos Santos Souza2; Ingrid Rafaella Mauricio Silva Reis3

1. Doutorado em Química e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Maceió, AL, Brasil. Professora Adjunta 1F do curso de Nutrição e Programa de Pós-graduação Formação de Professores e Práticas Interdisciplinares (PPGFPPI), da Universidade de Pernambuco (UPE). Petrolina, PE, Brasil
2. Graduada em Nutrição pela Universidade de Pernambuco (UPE). Petrolina, PE, Brasil
3. Graduada em Nutrição pela Universidade de Pernambuco (UPE). Petrolina, PE, Brasil

Cristhiane Maria Bazílio de Omena Messias
Universidade de Pernambuco (UPE), Campus Petrolina, Curso de Nutrição
BR 203 KM2 S/N. Campus Universitário, Vila Eduardo
Petrolina, PE, Brasil. CEP: 56328 - 903
crisbomena@hotmail.com; cristhiane.omena@upe.br

Recebido em 20/08/2015
Aprovado em 26/09/2015

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Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente, consumo de alimentos, alimentos industrializados, corantes de alimentos.
Keywords: Adolescent, food consumption, industrialized foods, food coloring agents.
Palabra Clave: Adolescente, consumo de alimentos, alimentos industrializados, colorantes de alimentos.

Resumo:
OBJETIVO: Este trabalho teve como objetivo verificar o consumo de alimentos ultraprocessados e corantes de alimentos por adolescentes de uma escola pública.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal realizado com alunos matriculados no ano de 2013 na faixa etária de 10-17 anos de idade, de ambos os sexos (n=526) de uma escola pública em Petrolina-PE. O instrumento de pesquisa utilizado para a avaliação do consumo alimentar foi o Recordatório 24 horas. A partir do recordatório, apresentou-se o consumo de alimentos ultraprocessados e corantes de alimentos por sexo. Os dados foram descritos utilizando estatística descritiva.
RESULTADOS: Ao verificar o consumo alimentar dos adolescentes, observou-se que todos apresentaram uma ingestão significativa de alimentos ricos em gorduras, açúcares, sódio e corantes de alimentos. Dentre os alimentos ricos em sódio mais citados por ambos os sexos estão os embutidos (1.117,3mg em média), pizzas (736,7-762 mg). Já os ricos em açúcares foram o achocolatado em pó (77,39g), biscoitos recheados (40,62g), e por fim, os ricos em gorduras saturadas e trans foram margarinas (16,7/25,8g), embutidos (9,25/0,55g). Quanto aos corantes do tipo natural mais citados por ambos os sexos destacam-se o Urucum (80,98%) e Caramelo IV (77,94%), quanto aos artificiais: Vermelho Bordeaux (49,24%), Vermelho 40/allura (30,42%).
CONCLUSÃO: O consumo elevado de alimentos ultraprocessados está relacionado com o possível desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, bem como, reações adversas quanto a exposição aos corantes de alimentos que incluem, em geral, reações tóxicas no metabolismo (alergias) e carcinogenicidade, sendo esta última uma consequência a longo prazo.

Abstract:
OBJECTIVE: The purpose of this study was to evaluate the consumption of ultra-processed foods and food coloring agents by adolescents from a public school.
METHODS: This is a cross-sectional study conducted with students enrolled in 2013 with 10-17 year old, of both genders (n = 526) from a public school in Petrolina-PE, The research instrument used to assess dietary intake was the 24-hour dietary recall. From this recall, the consumption of ultra-processed food and of food coloring agents was presented by sex. Data were described using descriptive statistics.
RESULTS: it was observed that all adolescents had high intake of foods rich in fats, sugars, sodium and dyes. Among the foods high in sodium, the most cited by both sexes were sausages (1117.3 mg on average) and pizzas (736.7 to 762 mg). The one rich in sugars were chocolate powder (77.39g), stuffed cookies (40.62g) and finally, those rich in saturated and trans fats were margarine (16.7 / 25.8 g) and sausages (9.25 / 0.55g). As for the natural colorants, the most often cited by both sexes were Urucum (80.98%), Caramel IV (77.94%), and the artificial colorants: Red Bordeaux (49.24%), Red 40 / Allura (30.42%). CONCLUSION: The high consumption of ultra-processed food is related to the possible development of chronic diseases as well as adverse reactions to the exposure of food coloring agents, which generally include toxic metabolism reactions (allergies) and carcinogenicity, the latter being a long-term consequence.

Resumen:
OBJETIVO: Este trabajo tuvo como objetivo verificar el consumo de alimentos ultraprocesados y colorantes de alimentos por adolescentes de una escuela pública.
MÉTODOS: Se trata de un estudio transversal realizado con alumnos matriculados en el año 2013 en la franja etaria de 10-17 años de edad, de ambos sexos (n=526) de una escuela pública en Petrolina-PE. El instrumento de pesquisa utilizado para la evaluación del consumo alimenticio fue el Recordatorio 24 horas. A partir del recordatorio, se presentó el consumo de alimentos ultraprocesados y colorantes de alimentos por sexo. Los datos fueron descritos utilizando estadística descriptiva.
RESULTADOS: Al verificar el consumo alimenticio de los adolescentes, se observó que todos presentaron una ingestión significativa de alimentos ricos en grasas, azúcares, sodio y colorantes de alimentos. De entre los alimentos ricos en sodio más citados por ambos sexos están los embutidos (1.117,3mg en promedio), pizzas (736,7-762 mg). Ya los ricos en azúcares fueron el chocolate en polvo (77,39g), bizcochos rellenos (40,62g), y finalmente, los ricos en grasas saturadas y trans fueron margarinas (16,7/25,8g), embutidos (9,25/0,55g). En relación a los colorantes del tipo natural más citados por ambos sexos se destacan el Urucú (80,98%) y Caramelo IV (77,94%), en cuanto a los artificiales: Rojo Bordeaux (49,24%), Rojo 40/allura (30,42%).
CONCLUSIÓN: El consumo alto de alimentos ultraprocesados está relacionado con el posible desarrollo de enfermedades crónicas no transmisibles, así como reacciones adversas en relación a exposición a los colorantes de alimentos que incluyen, en general, reacciones tóxicas en el metabolismo (alergias) y carcinogenicidad, siendo esta última una consecuencia a largo plazo.

INTRODUÇÃO

Na adolescência são comuns hábitos alimentares com excessivo consumo de refrigerantes, açúcares simples, bebidas açucaradas, com elevado teor calórico, ricos em sódio, gorduras saturadas e lanches do tipo "fast food". Estes alimentos contribuem para o excesso de peso e maior predisposição ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, obesidade, entre outras, além de serem acrescidos de aditivos químicos. Aliado a esse hábito alimentar inadequado é observada uma baixa ingestão de frutas, verduras e alimentos do grupo de laticínios1.

A industrialização e urbanização contribuíram com as modificações no padrão alimentar, causando um aumento na ingestão de alimentos ultraprocessados, devido sua hiperpalatabilidade, ocasionada pelo uso de aditivos químicos, especialmente, os corantes, que tornam os alimentos mais atrativos visualmente, resultando em uma maior influência na hora da escolha2.

Os corantes de alimentos constituem uma classe de aditivos alimentares que podem ser classificados em naturais e artificiais/sintéticos, e têm a finalidade de conferir, intensificar ou padronizar a coloração dos produtos alimentícios, proporcionando as mesmas características de um produto natural3.

Vale ressaltar que no ponto de vista nutricional, o uso destas substâncias não é necessário, visto que sua função é apenas colorir os alimentos, sendo seu uso exclusivamente estético. Estudos vêm demonstrando a ocorrência de reações adversas, tais como reações tóxicas no metabolismo desencadeando alergias, alterações comportamentais e carcinogenicidade, sendo esses efeitos causados a curto e/ou a longo prazo3,4.

Dentre os corantes artificiais permitidos no Brasil, a partir da legislação atual e Resoluções nº 382 a 388 de 9 de agosto de 1999 da ANVISA, podemos citar o amarelo crepúsculo (E-110), amarelo tartrazina (E-102), amaranto (E-123), vermelho de eritrosina (E-127), azorrubina (E-122), azul patente V (E-131), vermelho 40 (E-129), ponceau 4R (E-124), azul de indigotina (E-132), azul brilhante (E-133), verde rápido (E-143). E no referente aos naturais: curcumina, cochonilha, clorofila, vermelho de beterraba, carotenoides, corante caramelo (I - IV)3.

Os hábitos alimentares exercem papel fundamental sobre a saúde, desenvolvimento e crescimento dos indivíduos, principalmente, nas fases em que há uma maior demanda nutricional como é o caso da infância e adolescência. Estudos recentes sugerem que os padrões dietéticos durante a infância e adolescência podem predizer a ocorrência de Doenças Crônicas não Transmissíveis na idade adulta5,6.

Diante dessas evidências, o objetivo do presente estudo foi verificar o consumo de alimentos ultraprocessados e corantes provenientes de alimentos por adolescentes de uma escola pública devido possíveis consequências que o consumo elevado destes podem causar aos adolescentes avaliados.


MATERIAL E MÉTODOS

Desenho do estudo

Este estudo é do tipo transversal e foi realizado nos meses de Agosto de 2013 a Junho de 2015 em uma escola da rede pública de ensino localizada na cidade de Petrolina - PE. A amostra foi constituída por alunos matriculados no ano de 2013 na referida escola e com faixa etária entre 10 - 17 anos de idade de ambos os sexos (n = 526), compreendendo 350 meninas (66,54%) e 176 meninos (33,46%).

O estudo é um subprojeto do projeto "Consumo de Energia, Macronutrientes e Micronutrientes de Adolescentes da Escola de Aplicação Professora Vande de Souza Ferreira, Petrolina-PE", aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Pernambuco, nº do CAAE: 10290612.1.0000.5207, em fevereiro de 2013.

Os critérios de inclusão foram: os alunos deveriam estar matriculados na escola pública onde o projeto estava sendo realizado; ter idade entre 10 e 17 anos e permissão para participação do estudo através da entrega do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos pais ou responsáveis. Tendo como critérios de exclusão aqueles que completariam 18 anos no ano de 2013 e a recusa em participar do projeto.

Coleta de Dados

Inicialmente, todos os participantes foram submetidos a esclarecimentos sobre a pesquisa e a seguir, os pais ou responsáveis, receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Após a entrega deste termo assinado, os adolescentes passaram pela avaliação do consumo alimentar.

O instrumento de pesquisa utilizado para a avaliação do consumo alimentar foi o Recordatório 24horas (R24 h), o qual consiste em definir e quantificar todos os alimentos e bebidas ingeridas no período anterior à entrevista, que podem ser às 24 horas precedentes ou, mais comumente, o dia anterior7.

O Recordatório foi aplicado em duas entrevistas distintas (um dia típico - segunda a sexta, e um dia atípico - sábado, domingo e feriado), com intervalo de, aproximadamente, duas semanas, para estabelecer o consumo médio de cada indivíduo, avaliando o total da ingestão de alimentos e nutrientes, sendo possível estimar a dieta habitual8.

Para auxiliar o entrevistado na estimativa da quantidade dos alimentos consumidos, foram utilizados recursos audiovisuais, tais como: fotografias, réplicas, figuras (álbum de registros fotográficos - UNICAMP/UFG).

Análise dos Dados

A partir deste recordatório foi verificado o consumo de alimentos ultraprocessados e corantes alimentares por adolescentes de uma escola pública de Petrolina, Pernambuco. Utilizou-se como referência a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 24, de 15 de junho de 2010 para classificar os alimentos ricos em sódio, açúcares e gorduras, além da RESOLUÇÃO atual da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimento (CNNPA) nº 44, DE 1977, a qual dispõe a classificação e expõe os corantes permitidos no Brasil9,10.

Foram utilizados os programas Excel (Versão 2013) e GraphPad Prism (GraphPad Inc., San Diego, CA, EUA, Versão 6.01) para o tratamento estatístico dos dados. Foi realizada análise estatística descritiva (média, desvio-padão e porcentagens).


RESULTADOS

Ao analisar o consumo alimentar dos adolescentes, observou-se que todos apresentaram uma elevada ingestão de alimentos ricos em gorduras, açúcares e sódio, ressaltando que o sexo feminino apresentou uma ingestão maior, na maioria das vezes, quando comparada com o sexo masculino (Tabela 2).






Para a classificação dos alimentos quanto ao teor de sódio, açúcares e/ou gorduras tomou-se como parâmetro a RDC nº 24, de 15 de junho de 2010 (Tabela 1). Dentre os alimentos ricos em sódio mais citados por ambos os sexos estão os embutidos (1.117,30 mg em média), pizzas (736,7-762 mg), lasanhas prontas (502 mg), hambúrgueres (472,53 mg). Já os ricos em açúcares têm-se o achocolatado em pó (77,39 g), biscoitos recheados (40,62 g), cereal matinal (38,02 g), refrigerantes (10-12 g).

E no que diz respeito aos ricos em gorduras saturadas e trans: margarinas (16,7/25,8 g), embutidos (9,25/0,55g) e biscoitos recheados (6,2/4,21 g), sendo que todas as quantidades de nutrientes são dadas por 100g de alimento.

O sexo feminino obteve um consumo maior de alimentos ricos em sódio como, embutidos (94,86%), salgados assados e fritos (46,28%), pizzas (19,42%).Já o sexo masculino teve um consumo maior de alimentos ricos em açúcares, como biscoitos recheados (23,86%), cereal matinal (9,65%) e refrigerantes (60,79%).

Verificou-se que ambos os sexos apresentaram uma elevada ingestão de alimentos ultraprocessados e consequentemente de corantes naturais e artificiais.

Entre os corantes naturais mais citados por ambos os sexos destacaram-se: Betacaroteno (44,11%), Carmim cochonilha (51,71%), Cúrcuma /Curcumina (56,27%), Caramelo IV (77,94%), Urucum (80,98%). Quanto aos artificias: Tartrazina (24,14%), Azul indigotina (27,95%), Amarelo crepúsculo (29,47%), Vermelho 40 /allura (30,42%), Vermelho Bordeaux (49,24%).

Dentre os alimentos que mais contribuíram para o consumo dos corantes anteriormente citados estão os refrigerantes (n=272), balas, pirulitos (n=52), sorvetes/picolés (n=71), queijos (n=252), salgadinhos de milho (n=70), sucos artificiais (n=131) e macarrão instantâneo (n=40) (Tabela 3).




DISCUSSÃO

O ambiente familiar, assim como o escolar, são meios sociais nos quais crianças e adolescentes observam, adquirem e incorporam hábitos de vida e dentre eles estão os hábitos alimentares. Por isso, torna-se necessário avaliar o consumo alimentar de adolescentes em ambos os locais11.

Nas unidades de ensino brasileiras ainda encontram-se disponíveis os serviços de cantinas escolares, locais onde os adolescentes têm a oportunidade de selecionar, de acordo com o poder aquisitivo, preferências e hábitos, os alimentos que serão consumidos, tornando cada vez mais difícil a escolha de uma refeição mais saudável12. Isso ocorre devido a esses estabelecimentos ofertarem alimentos pobres em nutrientes e ricos em gorduras, açúcar e sódio os quais atraem os adolescentes devido sua palatabilidade, o que acaba dificultando a adoção de hábitos mais saudáveis.

Talvez essa condição seja um dos possíveis motivos para a inadequação alimentar encontrada nos lanches dos escolares do presente estudo, o qual continha alimentos industrializados ricos em sódio, açúcar e gorduras, além de corantes alimentares utilizados para realce da cor12,13.

Em um estudo epidemiológico que analisou o consumo dos lanches de escolares foi observado uma frequência no consumo de guloseimas, frituras, sucos artificiais salgadinho de pacote, alimentos ricos em açúcar, gorduras e sódio. Havendo também um consumo elevado de refrigerante, em detrimento dos sucos naturais e dos produtos lácteos. Esse hábito característico de um consumo alimentar inadequado foi visualizado também no corrente trabalho14.

Outra possibilidade para a má alimentação entre os adolescentes é a frequente realização de refeições fora de casa, omissão de algumas refeições e a substituição de refeições tradicionais por preparações industrializadas de fácil e/ou rápido preparo, especialmente as do tipo fast-food, compostas por quantidades excessivas de açúcares, sódio, gorduras saturadas e trans, com alta densidade energética e corantes alimentares15.

Dietas ricas em gordura, principalmente gordura saturada e colesterol, sal, açúcar e pobres em carboidratos complexos, vitaminas e minerais, aliadas a um estilo de vida sedentário, são responsáveis pelo aumento das doenças relacionadas com o consumo alimentar; tais como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão, osteoporose e câncer, fator preocupante no que se refere a alimentação na infância e adolescência, fases importantes para o crescimento e desenvolvimento saudável16.

No que se refere ao consumo de alimentos ultraprocessados com adição de corantes de alimentos no Brasil, a legislação brasileira que regulamenta seu uso é mais permissiva do que a de muitos países, tais como Estados Unidos, Áustria e Noruega, o que faz aumentar a preocupação com o consumo de alimentos que contenham tais produtos em sua composição, visto os efeitos negativos que podem causar no organismo humano17.

Estudos laboratoriais vêm demonstrando que corantes de alimentos artificiais consumidos demasiadamente e a longo prazo podem causar desde simples urticárias, passando por asmas e reações imunológicas, chegando até o câncer18. Ressaltando que tais consequências são possíveis de acontecer se houver um consumo exacerbado dos alimentos que contenham tais substâncias, bem como se a quantidade presente no alimento exceda a IDA (Ingestão Diária Aceitável), desenvolvida pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA) 19.

Dentre os corantes naturais mais usados pela indústria brasileira, representando cerca de 90% dos corantes naturais usados no Brasil e 70% no mundo, está o urucum, o qual no presente estudo apresentou maior número de citação e maior porcentagem de consumo por ambos os sexos20. A tartrazina, também identificada no consumo dos adolescentes é um dos corantes artificiais mais polêmicos, conhecida como causadora de várias alergias alimentares e proibida em muitos países, mas ainda utilizada no Brasil não só em alimentos como também em medicamentos19.

Os resultados encontrados atentam para a necessidade de importantes mudanças no padrão alimentar dos adolescentes, assim como educação nutricional permanente nas escolas, sendo esta extensiva aos familiares.


CONCLUSÃO

Para alcançar níveis de saúde que promovam o bem-estar e desenvolvimento adequado, é de suma importância a adoção de estratégias educativas que enfatizem a redução no consumo de alimentos ultraprocessados, os quais são ricos em gorduras, açúcares, sódio, além de corantes, principalmente os artificiais. Desse modo, incentivar o consumo de uma alimentação saudável e equilibrada, a fim de evitar possível desenvolvimento de patologias associadas à alimentação, ainda na adolescência ou mesmo na idade adulta.


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