Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 1 - Jan/Mar - 2017

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Páginas 37 a 44


Relação entre conduta, conhecimento sexual e uso de preservativo entre alunos e professores do Ensino Médio

Relation between conduct, sexual knowledge and condom use among students and high school teachers

Relación entre conducta, conocimiento sexual y uso de preservativo entre alumnos y profesores de Enseñanza Media


Autores: Thaís Emília de Campos1; Raul Aragão Martins2

1. Doutoranda em Educação. Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Marília, SP, Brasil
2. Livre-docência. Professor Adjunto III da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). São Jose do Rio Preto, SP, Brasil

Raul Aragão Martins
Universidade Estadual Paulista
Rua Cristovão Colombo, 2265
São José do Rio Preto, SP, Brasil. CEP: 15054-000
raul@ibilce.unesp.br

Recebido em 18/09/2015
Aprovado em 08/11/2015

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Como citar este Artigo

Descritores: Educação sexual, preservativos, conhecimento.
Keywords: Sex education, condoms, knowledge.
Palabra Clave: Educación sexual, preservativos, conocimiento.

Resumo:
OBJETIVO: Descrever dados sobre o conhecimento sexual, tendo como foco a relação entre conhecimento sobre DST/Aids e o uso de preservativos por professores e alunos de Ensino Médio de uma escola pública de uma cidade do interior do estado de São Paulo.
MÉTODOS: Estudo quantitativo com a utilização de questionário fechado no qual participaram 31 professores, sete alunos multiplicadores e 189 alunos, totalizando 227 sujeitos.
RESULTADOS: A análise dos dados evidenciou que 59,5% dos entrevistados têm vida sexual ativa; que a idade predominante da primeira relação entre os multiplicadores foi de 15,5 anos, no grupo dos alunos foi de 14,24 anos e entre os professores foi de 19,85 anos. A média de relações sexuais é de 4,7 ao mês entre alunos, de 2 entre multiplicadores e 3,2 entre professores. Quanto ao uso de preservativos na primeira relação sexual, os alunos foram os que mais em relação aos demais grupos. Nas questões sobre o nível de conhecimento sobre DST/Aids, os professores responderam corretamente à maior parte das questões, o que não ocorre em relação às respostas dos alunos.
CONCLUSÃO: Esta pesquisa indicou que nem sempre o conhecimento sexual está relacionado à prática preventiva. Dessa forma, faz-se necessária uma reflexão sobre a relação de conhecimento e conduta sexual, e aprofundar o estudo sobre o não uso do preservativo.

Abstract:
OBJECTIVE: Describe data on sexual knowledge, focusing on the relation between HIV/AIDS knowledge and condom use by high school teachers and students from a public school ofaninner city at São Paulo state.
METHODS: Quantitative study using a closed questionnaire with the participation of 31 teachers, seven multipliers students and 189 students, totaling 227 subjects.
RESULTS: The data analysis showed that 59.5% of the interviewed are sexually active; the predominant age of first intercourse among multipliers was15.5 years, among the student group was 14.24 years and among teachers was 19.85 years. The average of sexual relations is 4.7 per month among students, two among multipliers and 3.2 between teachers. Regarding the use of condoms during the first sexual intercourse, the students were the ones who used the most in relation to the other groups.Onthe matter ofthe level of knowledge about STD/AIDS, teachers correctly answered the most questions, which did not occur to student answers.
CONCLUSION: This survey indicated that sexual knowledge is not always related to a preventive practice. Therefore, it's necessary to reflect about the relation of knowledge and sexual conduct, and deepen the study regarding the non-use of condoms.

Resumen:
OBJETIVO: Describir datos sobre el conocimiento sexual, teniendo como foco la relación entre conocimiento sobre EST/Sida y el uso de preservativos por profesores y alumnos de Enseñanza Media de una escuela pública de una ciudad del interior del estado de São Paulo.
MÉTODOS: Estudio cuantitativo con la utilización de cuestionario cerrado en el cual participaron 31 profesores, siete alumnos multiplicadores y 189 alumnos, totalizando 227 sujetos.
RESULTADOS: El análisis de los datos evidenció que 59,5% de los entrevistados tienen vida sexual activa; que la edad predominante de la primera relación entre los multiplicadores fue de 15,5 años, en el grupo de los alumnos fue de 14,24 años y entre los profesores fue de 19,85 años. El promedio de relaciones sexuales es de 4,7 al mes entre alumnos, de 2 entre multiplicadores y 3,2 entre profesores. En cuanto al uso de preservativos en la primera relación sexual, los alumnos fueron los que más tuvieron relaciones con relación a los demás grupos. En las preguntas sobre el nivel de conocimiento sobre EST/Sida, los profesores contestaron correctamente a la mayor parte de las preguntas, lo que no ocurre con relación a las respuestas de los alumnos.
CONCLUSIÓN: Esta pesquisa indicó que no siempre el conocimiento sexual está relacionado a la práctica preventiva. De esta forma, se hace necesario una ponderación sobre la relación de conocimiento y conducta sexual, y profundizar el estudio sobre el no uso del preservativo.

INTRODUÇÃO

Sexo é compreendido como uma expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, genitais e extragenitais. A sexualidade, por sua vez, está relacionada às trocas de afeto e contato, à busca do prazer, que são necessidades fundamentais do ser humano. Neste ponto, a sexualidade pode ser entendida como algo muito mais amplo do que sexo, e fez com que o assunto tenha sido considerado um tabu em praticamente todas as sociedades, onde a escola não fica alheia a esta situação. Com a criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) passou a haver um indicativo de como trabalhar o tema1. Esse trabalho se tornou urgente em função do surgimento do vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Aids.

As primeiras intervenções do governo para o controle do HIV passaram pela elaboração de campanhas que utilizaram métodos terroristas, de segregação e de discriminação dos doentes. No entanto, isso não se mostrou eficaz pois as pessoas não se identificavam com as propagandas2. Com o aumento do número de casos, viu-se que era necessária uma abordagem mais ampla e precoce, assim como uma nova concepção das relações das pessoas com as doenças. No primeiro ponto, a escola é importante na construção e desconstrução de conceitos e para a reconstrução de uma sociedade igualitária. É na escola que os alunos passam boa parte do dia e é onde acontecem os primeiros namoros, paixões, desejos e curiosidades a respeito do corpo que está mudando. No segundo ponto, viu-se que todas as pessoas estão suscetíveis a se contaminarem por fatores pessoais, sociais e ambientais, o que foi definido como vulnerabilidades3.

Pesquisas4,5,6,7 demostram que nem sempre os conhecimentos teóricos sobre as formas de transmissão são transferidos para a conduta sexual e desta forma a Educação Sexual deve abranger questões emocionais e sociais, como prazer, desejo, as diversas formas de relacionamento e comportamentos. Levando em conta as possíveis vulnerabilidades, podemos acrescentar o autocuidado e cuidado com o companheiro, atitudes de higiene, vacinas e exames preventivos. Pensamos, também, em sujeitos que tenham autonomia, pratiquem a reciprocidade, o respeito mútuo e sejam cooperativos8. As principais barreiras para a realização da prevenção estão associadas à desconfiança do parceiro em achar que ao solicitar o uso de preservativo ao parceiro(a), não se acredita em sua fidelidade; medo dos exames, dos resultados, do enfrentamento da doença e a possível transmissão pelo desconhecimento da doença; proibição pelo parceiro (namorado) da adolescente de consultar um médico do sexo masculino e vergonha das adolescentes em relação aos exames ginecológicos9.


OBJETIVOS

Esta pesquisa busca descrever dados sobre o conhecimento sexual, enfatizando a análise da relação entre conhecimento sobre DST/Aids e uso de preservativos por professores e alunos de Ensino Médio.


MÉTODOS

Foi utilizado um questionário fechado sobre o nível socioeconômico (NSE) utilizando o Critério Brasil10, e sobre o perfil sexual, conduta e conhecimento sobre sexualidade com base na Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP)11dos participantes da pesquisa.

A escola onde foi realizado o estudo está situada no interior do Estado de São Paulo, e faz parte da rede pública de Ensino, atuando no Ensino Fundamental II e Ensino Médio, funcionando nos três turnos, sendo: 8º e 9º ano do Ensino Fundamental II e 1º, 2o e 3º do Ensino Médio no período matutino; 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental II no período da tarde; e 1º, 2º e 3º do Ensino Médio noturno. Essa escola foi selecionada para a pesquisa por fazer parte de um projeto de extensão universitária do campus local de uma universidade pública e, também, por ser uma das escolas que participa do projeto da Secretaria Municipal de Saúde sobre sexualidade para adolescentes.

Antes de iniciar a coleta de dados, o projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Paulista - UNESP - Campus de Marília e foi emitido parecer favorável em 21 de agosto de 2013, número 0803/2013. Os participantes foram informados de que poderiam desistir de participar da pesquisa a qualquer momento, pois a participação é de livre consentimento. Além disso, foi informado aos alunos e à direção/coordenação das escolas que dados individuais não seriam fornecidos por se tratar de dados sigilosos.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta pesquisa tivemos um total de 227 participantes que responderam ao questionário, sendo estes compostos por 196 alunos do Ensino Médio e 31 professores. Dos 196 alunos, sete alunos são multiplicadores do projeto de extensão universitário, todos do período matutino.

Com base na análise dos dados constatou-se que a maioria dos participantes da pesquisa são do sexo feminino, heterossexuais e disseram ser católicos. Em termos de NSE, os professores estão entre B e A e alunos/multiplicadores estão entre B e C, mostrando que os primeiros apresentam um NSE melhor que os alunos (Tabela 1).




Sobre a conduta e comportamento sexual, 57% dos multiplicadores têm vida sexual ativa, assim como 53% dos alunos e 100% dos professores. Assim, dos 227 participantes, 132 têm vida sexual ativa, correspondendo a um pouco mais que a metade dos participantes, ou seja, 59,5% do total.

A idade predominante em que ocorreu a primeira relação foi de 15 anos entre os multiplicadores, 14 anos entre o grupo dos alunos e 19 anos entre os professores. A média de relações mensais é de 4,70 entre alunos, de 2 entre multiplicadores e 3,2 entre professores. Assim, o aluno mantém mais relações sexuais que os professores. Não foi avaliado o nível de satisfação e prazer das relações sexuais.

Quanto ao uso de preservativos nas relações sexuais, 60% os alunos informaram que o utilizaram na primeira relação, número superior aos demais grupos (Tabela 2). O baixo uso de preservativos entre os multiplicadores na primeira relação pode estar relacionado ao grande número de homossexuais do gênero feminino entre o grupo, o que dispensa o uso do preservativo nas relações. Existe uma preocupação sobre alunos nessa situação, que sentem necessidade de pedirem orientação de como se protegerem de doenças, pois ainda não encontraram uma alternativa segura e prazerosa, sendo que assim esse grupo fica mais vulnerável. Nas relações sexuais homoafetivas entre mulheres é indicado o uso de papel filme nas relações orais e colocação de preservativos nas próteses, quando utilizadas. Esta orientação cabe para relações heteroafetivas sexuais que também pratiquem o sexo oral e o uso de próteses, porém na prática não é muito aceita.




As meninas que namoram representam o grupo que mais utilizaram preservativo na primeira relação. Isso devido ao fato da primeira relação de quem namora ser mais planejada do que numa relação eventual. A queda no uso de preservativo entre os alunos e multiplicadores que namoram é maior. Ou seja, diminui o uso do preservativo nas relações com parceiro fixo em ambos os gêneros. Essa diminuição do uso de preservativo entre os que namoram é atribuída ao fato de, com a passar do tempo, estes acreditam conhecerem o parceiro, confiarem e acreditarem na fidelidade. Alguns relataram terem realizado ambos os exames de DST e HIV e descartaram o preservativo. Este hábito coloca os indivíduos em status vulnerável já que o número de HIV entre pessoas com relacionamento estável é de 60% dos casos registrados nos últimos anos11. A maioria das meninas que tem parceiros eventuais, que "ficam", informaram que usam preservativo e utilizaram nas últimas relações (Figura 1).


Figura 1. Uso de preservativo pelos participantes da presente pesquisa separados por tipo de relação sexual.



Quanto à realização de testes de HIV/hepatite, dos 227 participantes, 31,8% que realizaram os exames sendo que destes, 28,6% eram multiplicadores, 21,1% alunos e 96,8% professores.

Nas questões que analisavam o nível de conhecimento sobre DST/HIV/Aids/Hepatites foi perguntado sobre qual ou quais das doenças descritas uma pessoa pode ser infectada ao ser picada por insetos, usar banheiro público, compartilhar agulhas e seringas, não usar preservativo nas relações sexuais e quais doenças descritas têm cura. O número de professores que responderam corretamente as perguntas foi predominante, algo que é muito positivo, pois os professores são referenciais para a Sociedade e para os alunos. Os multiplicadores erraram mais que os demais grupos nas questões sobre o uso de banheiro público, de preservativos, e sobre a cura de doenças. Os erros estão relacionados por acreditarem que dengue tem cura, que o uso de preservativo só previne HIV e que gonorreia se pega em banheiro público. Acreditamos que esses resultados sejam em função de que no ano letivo de 2013, o HIV e a hepatite foram muito trabalhadas na escola. Não abordamos outras DSTs e nem dengue, por se tratar de um problema de saúde pública na cidade local do estudo. Aconteceu também que duas multiplicadoras que participaram do projeto por dois anos terem concluíram o Ensino Médio e foram substituídas por outros alunos que não haviam ainda participado das capacitações. Outro fator é que a malária não é comum na região Sudeste (Figura 2).


Figura 2. Respostas corretas dos participantes da presente pesquisa sobre transmissão de doenças por vários tipos de mecanismos.



Nas questões sobre condutas e riscos de contaminação por HIV, os professores também obtiveram o maior número de respostas corretas, seguidos multiplicadores. Acreditamos que os acertos foram maiores entre os multiplicadores porque essas questões não envolveram outras doenças e focaram apenas no HIV, temática que foi mais trabalhada entre o grupo (Figura 3).


Figura 3. Respostas corretas dos participantes da presente pesquisa sobre questões relacionadas a transmissão do vírus HIV.



DISCUSSÃO

O grupo de participantes de professores foi o que apresentou maior nível de conhecimento e informação sobre DST/HIV, porém não foi o que apresentou maior uso de preservativo no ato sexual. Constatou-se, mais uma vez, que apenas o acesso à informação não é suficiente para que essa prática ocorra, por sexualidade envolver questões afetivas, culturais, políticas e religiosas.

Uma outra pesquisa4 corrobora com os achados do presente estudo onde atesta que em relação ao conhecimento sobre DST/HIV/Aids, o nível de conhecimento não está associado ao comportamento protetor. Porém o baixo conhecimento contribui para o aumento da vulnerabilidade, denotando inconsistência entre discurso e prática de prevenção. Assim, o transporte do conhecimento sobre o DST/HIV/Aids para a conduta não depende apenas de informações, este sofre influências de questões de gênero, socioculturais e religiosas. Nota-se, assim, a necessidade de se trabalhar com educação afetivo-sexual, a fim de que o conhecimento seja internalizado e não desvinculado do sexo12. Outra pesquisa5 demonstra índices baixos de adoção de práticas sexuais seguras entre adolescentes, mesmo tendo índices elevados de conhecimento.

Após a aplicação do questionário fechado, alguns alunos traziam relatos e dúvidas sobre sexo. Aqui destacamos duas situações apontadas por alunos participantes sobre o uso do preservativo. Um dos adolescentes apontou ter uma namorada fixa há mais de um ano, ambos com 16 anos. Eles ainda não tiveram relações apesar da vontade, porém não podem portar preservativo na carteira e na bolsa porque os pais ficariam bravos. Essa situação traz preocupação em relação à questão da vulnerabilidade e dos direitos sexuais dos adolescentes, pois o fato de terem que negar aos pais o desejo pelo ato sexual, privando-se de portarem em bolsas ou carteiras um preservativo, faz com que quando o ato ocorrer, seja por impulsividade ou por oportunidade, não terão ao alcance o preservativo. Assim, o negar a sexualidade dos adolescentes, coloca-os em risco. Um adolescente participante da pesquisa relatou ainda não ter tido relação sexual com a namorada por falta de lugar. Então, talvez quando tiver local adequado, o preservativo não estará presente. E mesmo tendo conhecimento da importância do uso do preservativo, não significa que as informações que possui sobre os riscos de uma relação desprotegida, prevaleça sobre o desejo sexual do momento único.

Sobre o uso de preservativo em relações homoafetivas entre mulheres, uma aluna participante da pesquisa trouxe questões sobre nunca ter usado camisinha, e como pode se proteger no sexo entre meninas. Percebe-se que as pesquisas motivadas pela epidemia de HIV/Aids levaram a estudos e investigações sobre o público homossexual. Porém, a produção acadêmica que aborde a vulnerabilidade às DSTs a partir da identidade "lésbica" é insignificante, por se acreditar que esse público possui menor vulnerabilidade à contaminação em relação sexual pelo HIV/Aids e também por ser um grupo pequeno. Gerou-se uma invisibilidade a esse público em relação aos estudos sobre formas de prevenção de DST/Aids, fato que gera preocupação entre o público homossexual e bissexual feminino. Esse grupo fica excluído das políticas públicas de prevenção e ganham um pouco de visibilidade a partir de movimentos, revistas do movimento LGBT e de ativistas de ONGs13.


CONCLUSÕES

Educação e sexualidade são temas muito amplos, abordados em conjunto no espaço escolar. Através da educação sexual, esses temas tornam-se ainda mais complexos. Isso ocorre porque envolve além dos aspectos biológicos e reprodutores, questões afetivas, antropológicas, sociais, culturais, políticas e legais. No geral, as escolas apresentam um discurso de educação sexual pautado numa moral religiosa e cristalizada em preceitos, os quais contrariam a legislação que prevê um ensino laico e democrático.

Através do questionário fechado foi possível levantar o perfil do comportamento sexual dos participantes, conduta e nível de informação sobre DST/Aids.

Uma reflexão sobre o que seria uma conduta sexual adequada que leva em conta a autonomia do adolescente raramente está presente nos espaços escolares. Quando ocorre, surgem muitas barreiras e conflitos. Assim, apontamos a necessidade desta discussão, enfatizando a necessidade de se trabalhar educação moral e educação sexual formalmente, abordando as dimensões intelectuais e afetivas para o desenvolvimento moral.

Outra questão que merece maior aprofundamento é em relação à decisão de adultos, como o grupo de professores, que têm maior conhecimento sobre DST/Aids utilizarem menos o preservativo que os adolescentes que possuem um menor nível de conhecimento. Mesmo em relações eventuais que não envolvam vínculo afetivo e confiança na fidelidade do parceiro, esses adultos menosprezam o uso do preservativo.

Há a necessidade de se pesquisar os fatores que levam ao não uso do preservativo mesmo tendo-se o conhecimento de sua real necessidade. Talvez aspectos afetivos precisam de espaço para reflexão. É importante trabalhar as informações sobre DST/Aids e concepção, mas essa predominância dos aspectos intelectuais, principalmente, relativos às informações devem dar espaço ao trabalho das questões afetivas e culturais. Sabe-se que, para o desenvolvimento de condutas morais bem desenvolvidas e autônomas, fazem-se necessárias a interação e reflexão de ambas dimensões: afetivas e intelectuais de forma sincrônica.


REFERÊNCIAS

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