Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 1 - Jan/Mar - 2017

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Páginas 88 a 96


Comportamento suicida entre adolescentes: Revisão integrativa da literatura nacional

Suicidal behavior among adolescents: Integrative review of national literature

Comportamiento suicida entre adolescentes: Revisión integral de la literatura nacional


Autores: Angélica Moura de Oliveira1; Christiane Mayena Salgado Bicalho2; Fernanda Morais Teruel3; Leonardo Leão Kahey4; Nadja Cristiane Lappann Botti5

1. Especialização em Enfermagem do Trabalho pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). Professora substituta no Colégio Técnico Cecon. Itaúna, MG, Brasil
2. Mestranda em Ciências pela Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ). Divinópolis, MG, Brasil. Especialização em Psicologia Hospitalar pela Universidade FUMEC (FUMEC). Belo Horizonte, MG, Brasil. Especialização em Saúde da Família pela Faculdade São Camilo (FASC). Belo Horizonte, MG, Brasil. Psicóloga na Clínica Dom Oncologia e na Rede de Saúde da Família na Prefeitura de Divinópolis. Divinópolis, MG, Brasil. Psicóloga na Rede de Saúde da Família na Prefeitura de Carmo da Mata. Carmo da Mata, MG, Brasil
3. Enfermeira Especialista: Docência do Ensino Superior e Educação na Saúde para Preceptoria do SUS. Docente na Instituição de Ensino Superior Pitágoras - Rede Kroton. Betim, MG, Brasil. - Universidade Pitágoras. Betim, MG, Brasil
4. Mestrando em Enfermagem na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). Divinópolis, MG, Brasil. Enfermeiro do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Droga. Belo Horizonte, MG, Brasil
5. Doutorado em Enfermagem Psiquiátrica pela Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto, SP, Brasil. Professor Adjunto da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). Divinópolis, MG, Brasil

Nadja Cristiane LappannBotti
Universidade Federal de São João Del Rei
Av. Sebastião Gonçalves Coelho, 400, Sala 301.1, Bloco D, Chanadour
Divinópolis, MG, Brasil. CEP: 35501-296
nadjaclb@terra.com.br

Recebido em 18/09/2015
Aprovado em 08/11/2015

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Como citar este Artigo

Descritores: Suicídio, tentativa de suicídio, adolescente.
Keywords: Suicide, suicide attempted, adolescent.
Palabra Clave: Suicidio, intento de suicidio, adolescente.

Resumo:
OBJETIVO: O presente estudo tem como objetivo buscar evidências científicas que contribuam para a compreensão do comportamento suicida na adolescência.
FONTES DE DADOS: Revisão integrativa da literatura com busca nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e National Library of Medicine através dos descritores: suicídio, tentativa de suicídio e adolescente. Buscou-se responder a seguinte pergunta norteadora: quais são as evidências científicas nacionais publicadas nos últimos 10 anos que contribuem para a compreensão do comportamento suicida na adolescência?
SÍNTESE DOS DADOS: Foram encontrados trinta e nove artigos nacionais, dos quais nove se enquadraram nos critérios de inclusão. Os artigos apontam as características do comportamento suicida de forma geral e os fatores de risco para o comportamento suicida entre adolescentes.
CONCLUSÃO: Em função do próprio processo de adolescer, pode ocorrer à busca de soluções imediatas por meio de comportamentos agressivos e suicidas. O comportamento suicida presente no adolescente retrata um pedido de ajuda frente a um sofrimento intenso. Os principais fatores de risco para o suicídio são idealização suicida, depressão e uso de substâncias psicoativas entre os adolescentes.

Abstract:
OBJECTIVE: This study aims to seek scientific evidence to contribute to the understanding of suicidal behavior in adolescence.
DATA SOURCES: Integrative review of literature with search in the databases: Latin American and Caribbean of Health Sciences and National Library of Medicine through the descriptors: suicide, suicide attempt and teenager. We sought to answer the following guiding question: What are the national scientific evidence published in the last 10 years that contribute to the understanding of suicidal behavior in adolescence?
SUMMARY OF THE FINDINGS: thirty-nine national articles were found, nine of which met our inclusion criteria. The articles point out the characteristics of suicidal behavior in general and the risk factors for suicidal behavior among adolescents.
CONCLUSION: Due to the adolescent process itself, it may occur to search for immediate solutions through aggressive and suicidal behavior. The suicidal behavior in adolescent portrays a request for help against intense suffering. The main risk factors for suicide are suicidal idealization, depression and substance abuse among teenagers.

Resumen:
OBJETIVO: El presente estudio tiene como objetivo buscar evidencias científicas que aporten para la comprensión del comportamiento suicida en la adolescencia.
FUENTE DE DATOS: Revisión integral de la literatura con busca en las bases de datos: Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud y National Library of Medicine a través de los descriptivos: suicidio, intento de suicidio y adolescente. Se buscó contestar la siguiente pregunta norte: ¿cuáles son las evidencias científicas nacionales publicadas en los últimos 10 años que aportan para la comprensión del comportamiento suicida en la adolescencia?
SÍNTESIS DE LOS DATOS: Fueron encontrados treinta y nueve artículos nacionales, de los cuales nueve se encuadraron en los criterios de inclusión. Los artículos apuntan a las características del comportamiento suicida de forma general y los factores de riesgo para el comportamiento suicida entre adolescentes.
CONCLUSIÓN: En función del propio proceso de adolescencia, puede ocurrir la búsqueda de soluciones inmediatas por medio de comportamientos agresivos y suicidas. El comportamiento suicida presente en el adolescente retrata un pedido de ayuda frente a un sufrimiento intenso. Los principales factores de riesgo para el suicidio son idealización suicida, depresión y uso de sustancias psicoactivas entre los adolescentes.

INTRODUÇÃO

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo, contabilizando um milhão de mortes anuais e com tendência de crescimento nas próximas décadas, tornando-se um importante problema de Saúde Pública. A taxa mundial média de suicídio é de 16 óbitos por 100 mil habitantes, tendo aumentado 60% nos últimos 45 anos1. No Brasil, atinge em média 5,7 óbitos por 100 mil habitantes, constituindo-se na terceira causa de óbitos (6,8%) por causas externas identificados no país2.

O suicídio está presente em todas as faixas etárias, sendo a segunda causa de morte entre indivíduos de 15 a 29 anos e as estimativas tem mostrado um aumento do número de casos no Brasil3. Os jovens são reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como mais vulneráveis ao comportamento suicida, sendo necessários esforços de prevenção para esse público3. A demanda de mudanças concomitante à necessidade de realização de importantes escolhas confere uma vulnerabilidade psíquica a essa faixa etária4.

Os fatores de risco para comportamento suicida entre jovens são classificados em individuais, familiares, sociais, acontecimentos de vida adversos e disponibilidade de meios letais. Entre os fatores individuais encontram-se idade, gênero, história prévia de comportamento suicida, patologia psiquiátrica, fatores psicológicos, fatores biológicos, orientação sexual e doenças médicas. Entre os fatores familiares, observa-se a história familiar de comportamento suicida e psicopatologia parental. O efeito de imitação/contágio, isolamento social e pobre rede de suporte social são caracterizados como fatores sociais. Como acontecimentos de vida adversos nota-se o bullying e o abuso físico e sexual; e por último, identifica-se a disponibilidade de meios letais como fatores de risco para o suicídio entre jovens 4.

O Mapa da Violência Jovens do Brasil apresenta um panorama acerca das mortes violentas que inclui os acidentes de trânsito, homicídios e suicídios, e mostrou que as taxas por causas externas aumentaram 32,8% no período entre 1980 e 2012, sendo que os homicídios cresceram 148,5%, os acidentes de transporte cresceram 38,7% e os suicídios tiveram aumento de 62,5%. É importante ressaltar ainda, que a faixa etária de 15 aos 19 anos teve o maior crescimento no número de autoextermínio de 1990 até 20125.

Um estudo epidemiológico de mortalidade por suicídio analisou dados de 1997 a 2011 entre adolescentes de 10 a 19 anos no Estado de Minas Gerais, e mostra que no período ocorreram 19.898 mortes por causas externas e destas, 4,87% foram por suicídio. O número de mortes por esse agravo é maior nos jovens do sexo masculino quando comparados ao sexo feminino na proporção 2:1. O meio de perpetração mais frequente foi o enforcamento em ambos os sexos, seguido das autointoxicações no sexo feminino e disparos de arma de fogo no sexo masculino6.

O comportamento suicida do adolescente é de modo geral pouco notificado porque muitas das mortes desse tipo são incorretamente classificadas como não intencionais ou acidentais. Por conseguinte, a subnotificação dos casos não apenas distancia a possibilidade de atuação do sistema, bem como dificulta a da família e a rede social de receber o cuidado após a repercussão e impacto causado pelo ato suicida7.

A partir destas considerações que demonstram a magnitude e importância de se prevenir esse agravo que é considerado uma morte evitável, o objetivo do presente estudo é buscar evidências científicas que contribuam para a compreensão do comportamento suicida na adolescência.


METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de revisão integrativa da literatura realizada a partir do estabelecimento de hipóteses ou questão de pesquisa, buscas na literatura, categorização e avaliação dos estudos inclusos na pesquisa, interpretação e apresentação dos resultados. Apresenta a finalidade de reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema investigado8.

A questão norteadora desta revisão integrativa foi: quais são as evidências científicas nacionais publicadas nos últimos 10 anos que contribuem para a compreensão do comportamento suicida na adolescência?

A revisão integrativa da literatura foi realizada de acordo com as etapas propostas por Ursi9. Para seleção dos artigos utilizou-se o portal de pesquisa da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). As buscas foram realizadas nas bases de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e National Library of Medicine (MEDLINE) a partir da técnica boleana de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os descritores utilizados foram suicídioetentativa de suicídio eadolescente.

Definiu-se como critérios de inclusão artigos nacionais publicados em português entre 2004 a 2014, com os textos completos disponíveis nas bases de dados indexadas e que retratam a questão de adolescentes com história de comportamento suicida. Como critérios de exclusão foram eleitos: publicações anteriores ao ano 2004, referências que não permitiram acesso gratuito ao texto completo on-line e artigos repetidos. O levantamento bibliográfico foi realizado no mês de maio de 2015.

A partir da busca encontrou-se 131 artigos no idioma português, sendo 39 publicações nacionais. A partir dos critérios de inclusão, a amostra final desta revisão integrativa foi constituída de nove artigos, sendo oito da LILACS e um da MEDLINE. O quadro 1 apresenta a descrição dos estudos incluídos na revisão integrativa.




RESULTADOS E DISCUSSÃO

Fizeram parte desta revisão integrativa nove artigos descritos no Quadro 1 apresentados por ordem crescente do ano de publicação. A BVS identificou os artigos de acordo com a seguinte indexação de assuntos: cincode psicologia, dois de psiquiatria, um de saúde pública, e umda toxicologia. Observa-se que o maior número de publicações ocorreu em 2006 (33,33%), ano do lançamento das Diretrizes Brasileiras para um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio19. Em relação ao referencial metodológico, verifica-se que a abordagem quantitativa esteve presente em mais da metade dos artigos da amostra (66,6%), seguido de estudos qualitativos (22,2%). Apenas um artigo utilizou abordagem quali-quantitativa para o desenvolvimento da pesquisa. Quanto ao objetivo de estudo a maioria dos artigos estava relacionado à ideação suicida (88,8%) (Quadro 2).




A partir da leitura e análise crítica dos artigos emergiram duascategorias de análise: comportamento suicida e comportamento suicida entre adolescentes.

Comportamento suicida

O comportamento suicida é um problema de saúde pública e causa forte impacto nos serviços de saúde15. Este comportamento engloba o conjunto de desejos, atitudes ou planos que o indivíduo tem de se matar12. O comportamento suicida, frequentemente, é classificado em três categorias: ideação suicida, tentativa de suicídio e suicídio consumado17.

A ideação suicida é o primeiro passo para a consumação do ato suicida16. O suicídio, de modo geral, significa a ação voluntária na qual o indivíduo tem a intenção e provoca a própria morte17. Neste sentido, o comportamento suicida geralmente apresenta a ideação suicida em um dos extremos e o suicídio consumado em outro, permanecendo a tentativa de suicídio entre eles10.

Fensterseifer e Werlang10, amparados em Shneidman, apontam que o suicídio é provocado por uma dor psicológica insuportável, que se refere a dor e angústia associados ao sentimento excessivo de culpa, vergonha, solidão e medo; onde o indivíduo vê a morte como saída para acabar com a dor insuportável. Neste caso, para auxiliar os profissionais a identificar indivíduos com risco de suicídio há a Escala de Avaliação de Dor Psicológica (Psychological Pain Assessment Scale - PPAS)10.

Um estudo nacional com o objetivo de estimar as prevalências ao longo da vida de ideação, planos e tentativas de suicídio na população mostra que o comportamento suicida foi mais frequente em mulheres e em adultos jovens. A existência de um plano de como tirar a própria vida, em termos de frequência, situa-se próximo da tentativa (relação de 5:3). De cada três tentativas de suicídio, apenas uma chegou a ser atendida em um serviço médico. Em relação às prevalências observa-se 17,1% para ideação, 4,8% para planos e 2,8% para tentativas de suicídio. As prevalências se assemelham à maioria dos estudos de outros países15.

Em relação à epidemiologia do suicídio é importante mencionar que os dados oficiais, em geral, são subestimados devido às subnotificações advindas, muitas vezes, de falhas na identificação e classificação da causa de morte14. A subestimação dos dados sobre os atos suicidas está relacionada a vários fatores, especialmente, às dificuldades de conceituação, onde destaca-se, por exemplo, a dificuldade na identificação precisa quando um acidente automobilístico foi uma fatalidade ou tentativa de suicídio17.

Dados epidemiológicos nacionais mostram aumento da incidência de suicídio na população geral e, que entre os adolescentes, o suicídio tem se tornado a terceira causa de morte12. Neste sentido, o maior esforço dos estudiosos da área da "suicidologia" tem sido a identificação de fatores de risco para o ato suicida, através do desenvolvimento de instrumentos de avaliação que auxiliam no reconhecimento de grupos de risco, na identificação de sua gravidade e intensidade e associação do ato com outras variáveis diversas10.

Comportamento suicida entre adolescentes

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), considera-se adolescência o período de 10 a 19 anos e distingue-se adolescência inicial: entre 10 e 14 anos de idade, e adolescência final: na idade de 15 a 19 anos13. Entre as mudanças que ocorrem durante a adolescência encontram-se a transição de uma situação de dependência para a de relativa autonomia13 e a reorganização psíquica, onde o passado e o presente precisam ser associados, que em geral, suscita dúvidas, incertezas, conflitos pessoais e familiares, e, muitas vezes, uma dor insuportável10. Neste caso, o período da adolescência como uma fase de muitas mudanças para o adolescente, pode, em algumas circunstâncias, fazê-lo buscar soluções imediatas por meio de comportamentos agressivos e suicidas12.

As ideias de morte na adolescência tornam-se preocupantes quando o suicídio passa a ser a alternativa para as dificuldades enfrentadas por estes indivíduos. O comportamento suicida presente no adolescente retrata um pedido de ajuda frente a um sofrimento intenso12. Os fatores que diferem um jovem saudável de um que se encontra em crise suicida são: intensidade, profundidade e duração dos pensamentos suicidas, os contextos em que eles surgem e a impossibilidade de desligarem-se destes pensamentos14.

Ressalta-se que o suicídio, em geral, refere-se a uma morte antecipada que pode ser evitada através de ações preventivas no contexto familiar, escolar, comunitário e nos meios de comunicação12. Neste caso, a prevenção do suicídio precisa ser realizada a partir da tentativa de redução dos fatores de risco individual e coletivamente18. Os fatores de risco são elementos que apresentam ampla possibilidade de desencadear ou associar-se à ocorrência de um evento indesejado, não sendo, essencialmente, o fator causal17. Como importante preditor para o risco de suicídio encontra-se a presença de ideação suicida7,10. Entre os principais fatores de risco para o suicídio encontram-se transtornos mentais e uso de substâncias psicoativas17,18, perdas recentes, dinâmica familiar conturbada, personalidade com fortes traços de impulsividade e agressividade, doenças crônicas incapacitantes, acesso fácil a meios letais, homens entre 15 e 35 anos ou acima de 75 anos em condições econômicas extremas (riqueza ou pobreza), desemprego (principalmente perda recente do emprego), aposentados, ateus, solteiros ou separados, migrantes, histórico de suicídio na família17 e estressores sociais18. Ressalta-se que a ideação suicida antecipa o ato, portanto torna-se importante detectar precocemente esses pensamentos, compreender os motivos causadores do seu surgimento e as características peculiares desse período17.

Estudo nacional realizado com 526 adolescentes, com idade entre 15 e 17 anos, mostra que 36% apresentaram ideação suicida, tendo também associação com a depressão leve, moderada e grave entre adolescentes, sendo que desses 67,6% eram adolescentes do sexo feminino12. Ideias de morte na adolescência podem demonstrar uma tentativa desses jovens em encontrar um sentido para a vida e para a morte. No entanto, quando estas ideias estão integradas à variável intensidade de depressão podem ser um indicativo de sofrimento psíquico14. Neste sentido, torna-se importante expandir os estudos sobre depressão entre adolescentes devido à gravidade da doença, aos prejuízos que ela causa e a sua incidência crescente13.

A depressão na adolescência tem se apresentado como um problema crescente e preocupante de Saúde Pública13. A depressão é o transtorno mental mais frequentemente associado ao suicídio entre adolescentes12. As adolescentes mulheres apresentam maiores taxas de ideação suicida quando comparadas com os adolescentes homens, fato que pode estar relacionado com a maior taxa de depressão observada entre as adolescentes mulheres12.

Um estudo nacional realizado com 243 adolescentes matriculados em escolas privadas e públicas, mostra que 34,3% apresentaram ideação suicida ou tentativa de suicídio. Associados a ideação suicida foram verificados sintomas depressivos leves ou moderados e sintomas moderados de ansiedade, enquanto à tentativa de suicídio foram associados sintomas depressivos gravese ansiedade severa13.

Outro estudo sobre a relevância clínica de pesadelos em pacientes com transtorno depressivo apresenta associação significativa entre ideação suicida e pesadelos em pacientes com depressão grave. Sendo que quanto mais aparente é a ideação suicida, mais marcantes são os pesadelos e o alto estresse psicológico. Neste caso, a hipótese que pode elucidar a associação entre pesadelos em pacientes com ideação suicida pode ser as alterações de sono11.

A literatura científica também apresenta a associação entre ideação suicida e comportamentos agressivos com o uso de substâncias psicoativas16. Os dependentes de substâncias psicoativas não apresentam mudanças cognitivas expressivas, entretanto apresentam mudanças emocionais em relação à impulsividade e a expressão de raiva. Neste caso, a recorrência de atos violentos, comumente, ocorre com igual ou superior gravidade, se não existir alguma ação que cesse sua dinâmica18.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em função do próprio processo de adolescer pode ocorrer à busca de soluções imediatas por meio de comportamentos agressivos e suicidas. O comportamento suicida presente no adolescente retrata um pedido de ajuda frente a um sofrimento intenso, isto é, uma dor psicológica insuportável. A ideação suicida é o principal fator de risco para o suicídio, a depressão é o transtorno mental mais frequentemente associado ao suicídio e ainda observa-se associação entre ideação suicida e comportamentos agressivos com o uso de substâncias psicoativas entre os adolescentes.

Reafirma-se a importância de se desenvolver estratégias de prevenção ao suicídio, através de ações de cuidado baseadas em fatores de proteção e rede de apoio ao adolescente. O suicídio no público adolescente constitui um problema de Saúde Pública e caracteriza-se como um alerta para que a família, escola, profissionais de saúde e comunidade atuem de modo integrado e efetivo, a fim de acolher esses jovens em seu sofrimento emocional, e assim, prevenir uma morte evitável.


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