Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 2 - Abr/Jun - 2017

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Páginas 7 a


Suicídio

Suicidio


Autores: Isabel Bouzas; Felipe Jannuzzi

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Como citar este Artigo

A morte autoprovocada de jovens tem crescido em todo mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, ainda é bem pouco discutida, e vista quase como um tabu. No Brasil, a taxa de crescimento de casos de suicídio na faixa etária de 10 a 14 anos aumentou 40% em dez anos e 33,5% entre adolescentes de 15 a 19 anos. Em média, dois adolescentes tiram a própria vida por dia, segundo pesquisas. Com certeza, estes são números alarmantes. É vital que os profissionais de saúde, pais e educadores fiquem atentos aos sinais dados pelos adolescentes.

Precisamos criar mais canais de comunicação, incentivar mais pesquisas sobre o tema, gerando ações que minimizem o grave quadro. O misterioso jogo Baleia Azul, por exemplo, escancarou a questão do suicídio na adolescência. No Brasil, causaram pavor as recentemente informações que revelaram a existência deste jogo. Há também uma série de televisão - 13 Reasons Why - que vem despertando grande repercussão e interesse junto aos adolescentes e jovens. A série aborda o suicídio de uma adolescente de 17 anos que decide se matar após ser vítima de bullying, isolamento, assédio sexual e estupro na escola em que estuda.

Certamente, refletir sobre o assunto é o primeiro passo. E esta reflexão precisa ser contínua, fortalecida e atualizada por pesquisas e canais de comunicação científica e de informação validada. Precisamos entender que existe um pano de fundo nessa situação toda, onde torna-se fundamental ampliarmos nossa análise, descortinarmos muitas outras questões e não simplesmente pensar que o seriado ou o jogo são os únicos causadores.

Hoje, crianças, adolescentes e jovens têm, por meio da Internet, o mundo na "palma da mão". Com toda essa profusão de possibilidades, há que se ter muita atenção com relação aos vínculos e teias que vão se formando, além de muita educação e discernimento com relação ao conteúdo acessado. Além do jogo Baleia Azul e da série 13 Reasons Why, há certamente muitos outros perigos e vulnerabilidades inerentes a esta geração digital.

Existem várias hipóteses associadas aos alarmantes dados envolvendo a questão suicídio na adolescência como, por exemplo, o aumento significativo da oferta de drogas que podem provocar transtornos psicológicos. Outro exemplo é o estilo de vida em que se dorme cada vez menos, o que tem repercussões químicas no cérebro, como o estresse e a depressão. As famílias também estão menores e os adolescentes passam mais tempo em atividades solitárias como o videogame, o que hoje dificulta a criação de vínculos mais efetivos e de redes de apoio nas quais eles possam pedir ajuda.

Verdadeiramente ouvir e ver o adolescente é vital, assim como percebê-lo e senti-lo. Captar e entender seus anseios, inquietudes e angústias, estar ao lado. Precisamos então, manter a percepção sempre bem aguçada com relação ao comportamento de jovens e adolescentes, pois, sabemos que há alguns sinais da chamada ideação (pensamento) suicida. Inclusive, há uma cartilha11 preparada pela OMS esclarecendo sobre o tema.

Portanto, é fundamental que profissionais de saúde, pais e educadores fiquem atentos aos sinais dados pelos adolescentes. Precisamos chamar atenção para o tema, sensibilizar a comunidade cientifica e a sociedade para que possamos criar mecanismos de prevenção, protegendo adolescentes e jovens deste risco.


Isabel Bouzas - Editora chefe
Felipe Jannuzzi - Editor executivo


1 Cartilha da Organização Mundial da Saúde (OMS): http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/66801/5/WHO_MNH_MBD_00.3_por.pdf
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