Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 2 - Abr/Jun - 2017

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Páginas 58 a 65


Consumo de álcool por adolescentes: do ato de liberdade ao comportamento de risco

Consumption of alcohol by adolescents: from the act of liberty to risk behavior

Consumo de alcohol por adolescentes: del acto de libertad al comportamiento de riesgo


Autores: Lúcia de Fátima Rodrigues de Oliveira1; Maria Juliete Maia Gomes2; Ednardo Soares3; Marília Abrantes Fernandes Cavalcanti4 Ellany Gurgel Cosme do Nascimento5

1. Especialista em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Caicó, RN, Brasil. Enfermeira da Estratégia de Saúde da Família da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (ESF/UERN). Pau dos Ferros, RN, Brasil
2. Graduação em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Caicó, RN, Brasil. Enfermeira da Estratégia de Saúde da Família da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (ESF/UERN). Pau dos Ferros, RN, Brasil
3. Graduação em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Pau dos Ferros, RN, Brasil
4. Mestranda pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Mossoró, RN, Brasil
5. Doutorado em Ciências da Saúde Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Natal, RN, Brasil. Professora e Enfermeira da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Pau dos Ferros, RN, Brasil

Ellany Gurgel Cosme do Nascimento
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Avançado Profa Ma. Elisa de Albuquerque Maia
BR 405, KM 153, Arizona
Pau dos Ferros, RN, Brasil. CEP: 59900-000
ellanygurgel@hotmail.com

Recebido em 25/01/2016
Aprovado em 24/09/2016

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Como citar este Artigo

Descritores: Bebidas alcoólicas, alcoolismo, adolescente.
Keywords: Alcoholic beverages, alcoholism, adolescent.
Palabra Clave: Bebidas alcohólicas, alcoholismo, adolescente.

Resumo:
OBJETIVO: Objetivou-se detectar comportamentos de risco associados à ingestão de álcool em adolescentes entre 12 e 18 anos.
MÉTODOS: Trata-se de pesquisa descritivo-exploratória, de caráter quantitativo, desenvolvida no município de Viçosa, Rio Grande do Norte, Brasil. Foram incluídos 123 adolescentes recrutados em suas respectivas escolas para responder a questionário autoaplicado. Realizou-se análise bivariada dos dados coletados, considerando as associações que apresentavam relação de significância estatística p < 0,05.
RESULTADOS: Verificou-se ingestão precoce de álcool, similaridade entre os gêneros e os níveis de escolaridade quanto ao consumo e uso exacerbado do álcool entre todos os estratos socioeconômicos, onde encontrou-se um maior consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes que estudam e trabalham, e a influência negativa dos amigos e da família no incentivo à experimentação e/ou continuidade da ingestão.
CONCLUSÃO: Os resultados da pesquisa revelaram a similaridade entre municípios de grande e pequeno porte quanto à problemática do álcool, ressaltando a necessidade de propostas de intervenção que incluam os âmbitos familiar, escolar e social.

Abstract:
OBJECTIVE: The objective was to detect risk behaviors associated with alcohol intake in adolescents between 12 and 18 years.
METHODS: It is a descriptive and exploratory research, of a quantitative approach, developed in Viçosa, Rio Grande do Norte, Brazil. Were included 123 adolescents recruited at their respective schools to answer the self-administered questionnaire. Was conducted a bivariate analysis of the collected data, considering the associations that had relationship of statistical significance p < 0.05.
RESULTS: There was an early alcohol intake, similarity between genders and education levels regarding the consumption and overuse of alcohol among all socioeconomic strata, were found an increased alcohol consumption among adolescents who studied and worked, and the negative influence of friends and family in encouraging experimentation and/or continued intake.
CONCLUSION: The survey results revealed the similarity between large and small municipalities regarding alcohol issues, highlighting the need of intervention proposals that includes family, school and social environments.

Resumen:
OBJETIVO: Se tuvo por objetivo detectar comportamientos de riesgo asociados a la ingestión de alcohol en adolescentes entre 12 y 18 años.
MÉTODOS: se trata de pesquisa descriptivo-exploratoria, de carácter cuantitativo, desarrollada en el municipio de Lozana, Rio Grande do Norte, Brasil. Fueron incluidos 123 adolescentes reclutados en sus respectivas escuelas para contestar al cuestionario auto aplicado. Se realizó un análisis bivariado de los datos colectados, considerando las asociaciones que presentaban relación de significancia estadística p < 0,05.
RESULTADOS: se verificó ingestión precoz de alcohol, similitud entre los géneros y los niveles de escolaridad en cuanto al consumo y uso exacerbado del alcohol entre todos los estratos socioeconómicos, donde se encontró un mayor consumo de bebidas alcohólicas entre adolescentes que estudian y trabajan, e influencia negativa de los amigos y familia en el incentivo a la experimentación y/o continuidad de la ingestión.
CONCLUSIÓN: Los resultados de la pesquisa revelaron la similitud entre municipios de grande y pequeño porte en cuanto a la problemática del alcohol, resaltando la necesidad de propuestas de intervención que incluyan los ámbitos familiar, escolar y social.

INTRODUÇÃO

Os jovens compõem o grupo populacional mais envolvido em problemas associados ao consumo de bebidas alcoólicas, segundo Cavalcante et al. 20081. Em um levantamento nacional brasileiro sobre o uso de substâncias psicoativas (SPA) realizado em 2001 nas 107 maiores cidades do país, registrou-se que 48,3% dos adolescentes entre 12 e 17 anos já utilizaram álcool na vida e 5,2% já são dependentes2. Entretanto, ainda assim, fatores de risco para o consumo de drogas entre adolescentes no Brasil não são devidamente estudados, de forma que a maior parte das informações produzidas a respeito desta temática são originadas de estudos promovidos em outros países1.


OBJETIVO

Considerando-se a necessidade de investigação da popularização do uso de álcool também em cidades de pequeno porte, desenvolveu-se o estudo no município de Viçosa, no estado do Rio Grande do Norte, para detectar comportamentos de risco associados à ingestão de álcool em adolescentes entre 12 e 18 anos, de maneira a compreender a dinâmica e projetar propostas intervencionistas.


MÉTODOS

Trata-se de pesquisa descritivo-exploratória, de caráter quantitativo, desenvolvida no município de Viçosa, localizado na microrregião de Pau dos Ferros e na Mesorregião do Oeste Potiguar no estado do Rio Grande do Norte, Brasil. O município está a 358 km distantes da capital, Natal, contando com uma população de 1693 habitantes e uma área de aproximadamente 38 km2, sendo portanto, o menor município do estado3.

A princípio foi considerado como público alvo desta pesquisa os jovens de 12 a 18 anos de idade residentes em Viçosa/RN, o qual totalizavam 236 participantes4. Com uma estimativa de prevalência de 56% de consumo de álcool, margem de erro de 20%, efeito do desenho de 2 e uma taxa de não resposta de 10%, chegamos a um total de amostra de 126 jovens. Entretanto, quando inserimos os critérios de inclusão, a amostra obtida ao término da coleta dos dados foi de 123.

Os participantes do estudo eram alunos de ambos os sexos, com idade entre 12 e 18 anos matriculados na Escola Municipal Francisco Gomes Pinto e Escola Estadual Pedro Martins Fernandes. Foram usados os seguintes critérios de inclusão: a) Ter entre 12 e 18 anos de idade; b) Estar devidamente matriculado na escola; c) Estar frequentando uma das séries do ensino Fundamental e Médio das respectivas escolas; d) Aceitar participar da pesquisa de forma voluntária; e) Ter tempo disponível para realizar o questionário no momento da coleta de dados; f) Enviar a autorização dos pais devidamente assinada para os alunos menores de 18 anos. No que concerne aos critérios de exclusão, dispomos: a) Recusar-se a participar da pesquisa; b) E estar impossibilitado por algum motivo de responder ao questionário no momento da coleta de dados.

O presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) com o seguinte protocolo CAAE 13411813.9.0000.5294 aprovado em: 04/06/2013.

Os dados foram coletados a partir da aplicação de um questionário autoaplicado, composto de perguntas com múltiplas escolhas sobre o consumo de álcool e informações do perfil socioeconómico e demográfico. O questionário foi realizado em sala individualizada para garantir a privacidade. Esses dados foram coletados por meio de visita na escola ecom consentimento explícito por meio de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos estudantes maiores de 18 anos. No caso dos alunos menores de idade, agendou-se uma reunião prévia com os pais no espaço escolar para esclarecimento da pesquisa e assinatura do documento.

Realizou-se análise bivariada dos dados coletados, considerando as associações que apresentavam relação de significancia estatística p < 0,05.


RESULTADOS

A média de idade dos participantes foi de 14,5anos, com mediana de 14 anos. Destes, 50,4% são do sexo masculino. Do total de alunos, 76,7% são do ensino fundamental e as séries que apresentaram um maior número de alunos foram a sexta série do ensino fundamental, com 25,0%, e a oitava série do ensino fundamental, com 23,3% do total.

O maior número de estudantes declarou morar com os pais, representando um índice de 79,7%. Do total de estudantes pesquisados, 69,7% possuem renda familiar de até um salário mínimo e 24,4% possuem renda de dois salários mínimos, dos quais, 84,4% não exercem funções remuneradas. Quanto à religião do estudante, os dados mais expressivos remetem aos católicos e aos que declararam não possuir religião, mas acreditar em Deus, correspondentes a 64,2% e 28,5%, respectivamente.

Dos 123 adolescentes analisados, 56,1% revelaram fazer ingestão de álcool. Dos que disseram não possuir o hábito de consumir álcool, os motivos mais apontados foram a proibição dos pais, com 35,8%, e por não gostar, com 31,2%.

A média de início do consumo de álcool foi de 13,3 anos, com mediana de 13 anos. Em relação ao gênero, o contato com bebidas alcoólicas se deu em média aos 13,5 anos para o sexo feminino e aos 13 anos para o sexo masculino. Os principais motivos expressos pelos adolescentes para experimentar o álcool foram vontade própria (57,4%), e por curiosidade (26,5%).

A frequência do uso de bebidas alcoólicas foi comum principalmente nos finais de semana ou mais vezes por semana com 73,7%. Os amigos foram classificados em 91,2% dos casos como as companhias mais frequentes nos momentos de consumo do álcool pelos adolescentes, sendo que destes 50,7% possuem entre 15 e 17 anos, 27,5% de 12 a 14 anos e 21,7% acima de 18 anos. Os locais mais indicados para o consumo de bebidas foram as festas (76,8%), a própria casa dos adolescentes (10,1%) ou na casa dos amigos (10,1%).

Em relação à frequência com a qual o adolescente deixou de cumprir as tarefas em virtude do uso do álcool, registrou-se que 72,7% dos estudantes disseram nunca ter se abstido de cumprir as tarefas como consequência do consumo de bebidas alcoólicas. De maneira semelhante, 75% também declararam nunca haver percebido dificuldade para suspender o uso do álcool e 11,8% afirmaram ter notado dificuldades uma vez por mês ou menos para parar de beber.

Dos 13,9% de estudantes que revelaram já ter se envolvido em acidentes automobilísticos, 4,5% declararam ter ingerido bebida alcoólica antes do ocorrido (Tabela 1).




DISCUSSÃO

A prevalência da ingestão do álcool foi caracterizada como precoce5,6 e eleva-se de acordo com o aumento da idade, assumindo o mesmo caráter da literatura internacional e brasileira5. Pode-se sugerir hipóteses como a aproximação da fase adulta associada ao maior consumo do álcool, uma vez que o adolescente relaciona o uso do álcool a um ritual de iniciação à fase adulta.

Neste contexto, as conquistas femininas alcançadas nas últimas décadas a respeito da independência financeira, atribuíram às adolescentes a maior liberdade de frequentar locais onde há contato com bebidas alcoólicas, outrora restritos ao sexo masculino, agregando também maior prevalência de doenças associadas aos comportamentos caracterizados como masculinos7. Em concordância, além de não ter sido registrada assimetria entre sexos neste estudo, detectou-se que as meninas bebem mais por curiosidade e vontade própria do que os meninos.

Sobre o motivo pelo qual o adolescente não consome bebidas alcoólicas observou-se que os pontos "por proibição dos pais" e "não gosta" foram os mais citados e se assemelharam bastante entre os meninos e as meninas. Logo, conforme visto na literatura, o monitoramento maior dos pais atua no menor envolvimento com álcool e outras drogas8.

Sobre o consumo de acordo com o grau de escolaridade, percebeu-se relativa equivalência entre os alunos de cada série, de modo que ambos estão utilizando-se de álcool em uma proporção muito próxima, o que vai ao encontro a estudos semelhantes, os quais demonstraram não haver significância estatística quanto aos percentuais entre anos de escolaridade9.

Analisando a relação entre o hábito de consumir bebidas alcoólicas e a organização familiar, não foi encontrado significância estatística, o que pode haver ter relação com o tamanho da amostra. Entretanto, discute-se que o bom relacionamento familiar coage o uso de drogas, como exposto por Costa (1993), Miller e Plant (1996) e Miller (1997)10.

De maneira análoga, o relacionamento familiar sustentado pela confiança, com a participação unânime dos pais na educação dos filhos e com o exemplo dos pais em atitudes de equilíbrio em relação ao álcool são fatores protetores para o consumo por parte dos adolescentes. Entende-se, portanto, o papel fundamental que a família exerce na segurança do jovem, prevenindo consequências graves para a sua saúde e colaborando para sua qualidade de vida, devendo ser considerados também aspectos como o apoio prestado aos jovens, referenciado como determinante no menor uso pesado de drogas11. Analisando a influência do nível socioeconómico na ingestão de álcool, observou-se que estes não determinaram o contato ou afastamento do álcool, em conformidade com estudos análogos11,12, de maneira que se constatou que o uso deste é elevado para ambos os estratos sociais investigados. Nos casos de equivalência, sugere-se investigação do acesso dos adolescentes às bebidas, considerando-se que o menor recurso financeiro não tem funcionado como uma barreira contra a possibilidade de aquisição da bebida, suscitando possibilidades como o acesso por meio de amigos ou outras vias alternativas de contato.

Verificou-se que a associação trabalho e estudo é determinante favorecedor do uso de álcool10, 13. Hipóteses propõem que a relação entre o uso pesado de álcool e a ocupação do adolescente se dá pelo desenvolvimento de eventos estressantes provenientes da carga horária de trabalho10,14, principalmente pelo fato de ter de assumir uma função laboral muito precocemente e a renda gerada por meio deste trabalho, que permite o acesso econômico às bebidas, além dos padrões de socialização que circundam os espaços de trabalho11.

Embora a média de adolescentes que bebem, trabalham e estudam tenha superado o índice dos que se dedicam apenas ao estudo, ambos demonstraram frequência de uso do álcool muito semelhante, com ingestão principalmente nos finais de semana15 e duas a três vezes por mês, o que sugere que o contato com a bebida seja promovido por momentos de lazer ou socialização, nos episódios de folga do trabalho e/ou da escola.

Observou-se que a religião não teve muito efeito na proibição nos meninos e nenhum efeito na proibição para as meninas, embora estudos tragam que adolescentes que não são religiosos são mais propensos à utilização de álcool e tabaco, sendo que a abstinência do álcool mediante a religião pode estar associada à fidelidade a algumas doutrinas11,16,17.

Analisando o motivo pelo qual os adolescentes faziam uso de álcool versus quem costumava fazer companhia durante os momentos de consumo, percebeu-se que os amigos foram às companhias que mais se encontravam nos momentos em que se fazia uso sob os motivos de "por curiosidade", "por influência" e "por vontade própria". Tal achado corrobora com estudos que mostram que os amigos são a companhia mais frequente para o consumo de bebidas alcoólicas, concluindo que ter amigos que bebem é fator de risco para tornar-se dependente ou probabilidade maior de consumir álcool e outras drogas18.

Constatou-se que os familiares são mencionados também em determinadas situações. Alguns trabalhos trazem os pais como os maiores influenciadores, seguidos pelos amigos e pelos professores11. Ademais, a experimentação de bebidas alcoólicas com a família e posterior continuidade com os amigos parecem denotar a transição para a vida adulta, sendo que os pais estipulam funções ou indicações quanto ao uso da bebida pelos adolescentes da mesma maneira que os amigos19.

Com relação à frequência de consumo de bebidas alcoólicas e o não cumprimento das tarefas, podemos perceber que apesar de não ter tido significância entre as variáveis, os estudantes estavam consumindo bebidas em quase todos os finais de semana, o que denota uma preocupação. O mesmo caso é encontrado na relação entre a frequência de consumo versus a frequência com a qual percebeu que não conseguia parar de beber, a qual não apresentou assimetria entre as variáveis, podendo entretanto, apresentar um viés, uma vez que os participantes podem não reconhecer formalmente as dificuldades quanto a lidar com a suspensão voluntária do álcool.

Em relação à correspondência entre a ocorrência de acidentes de trânsito e violência originada do abuso de álcool entre os jovens, não foi perceptível significante associação entre os casos de ingestão de álcool antes de dirigir e a incidência de acidentes automobilísticos. Entretanto, assim como em outros estudos, pode ter havido um viés causado pela negação do participante no momento da pesquisa, considerando-se que a conjugação entre bebida e volante é caracterizada como ilegal e provoca receio quanto à sua declaração. Portanto, as respostas podem ter sido utilizadas a favor do adolescente, como um mecanismo de defesa, no intuito deste em afirmar que a bebida não necessariamente é a provocadora dos comportamentos não aceitos socialmente11. Além disso, o tamanho da amostra foi insuficiente para determinar a relação entre volante e ingestão de álcool.


CONCLUSÃO

As limitações do estudo são observadas pela natureza transversal e auto relatada dos dados que, impossibilitaram investigar os determinantes dos fatores eos comportamentos em saúde respectivamente, bem como o tamanho da amostra foi pequeno, apesar de representar a população de adolescentes considerada.

Os resultados da pesquisa suscitam preocupação, uma vez que os índices de consumo de um município de pequeno porte se aproximam da realidade de municípios de grande contingente populacional. Portanto, é importante reconhecer a problemática do álcool na adolescência, onde os municípios menores merecem igual atenção e imediata.

Diante dos achados, sugerem-se propostas como o esclarecimento das consequências do consumo de bebidas alcoólicas na sociedade frente à publicidade positiva dispensada, o envolvimento da família como formadora da consciência e da conduta do jovem por meio do fortalecimento dos vínculos familiares, a inclusão da escola na discussão dos efeitos do álcool nos espaços de convivência dos alunos, sondagem dos meios de distribuição de bebidas alcoólicas e a efetividade da proibição da comercialização livre de idade, elaboração de locais ou eventos de lazer alternativos direcionados para os adolescentes e a continuidade das estratégias de educação em saúde voltadas para o consumo do álcool.


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