Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 3 - Jul/Set - 2017

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Páginas 6 a


Adolescentes, mídia e novas tecnologias

Adolescentes, mídia e novas tecnologias


Autores: Isabel Bouzas; Felipe Jannuzzi

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Como citar este Artigo

Hoje somos todos cidadãos digitais. A cada dia, surgem inovações, novos canais e recursos, onde as potencialidades de comunicação são enormes. No entanto, é preciso criar e preservar o uso responsável e apropriado desta tecnologia. Tudo o que colocamos na internet deixa uma pegada, como se fosse um rastro associado à sua identidade, denominada impressão digital, que ficará registrada para sempre. Por isso, é aconselhável, antes de qualquer ação, refletirmos bem sobre as consequências, sobretudo quando se trata de adolescentes, que ainda não atingiram uma maturidade emocional suficiente para entender peso e consequências da sua exposição na rede social e digital.

Precisamos analisar as questões que envolvem a adolescência de uma forma mais ampla, sempre indo além do aparente. O adolescente é um indivíduo em todos os seus direitos, numa fase importante de crescimento, desenvolvimento e maturação - cerebral, mental, emocional, social. Nesta fase de intensas transformações, tornam-se um grupo social mais vulnerável, inclusive às influências dos contextos da mídia, do seu entorno social e da pressão dos grupos dos próprios adolescentes.

Hoje falamos muito em uso inapropriado das tecnologias por adolescentes. Mas não podemos culpabilizar nossos adolescentes por um possível mau uso se não os ensinamos e, sobretudo, vivenciamos o que consideramos apropriado, saudável e ético.

É vital que o adolescente seja orientado e encaminhado a buscar ajuda, que seja ouvido e que entenda a razão da massificação da violência. O adolescente precisa aprender, num conceito de alfabetização digital, o que é uma mídia, quem faz essa mídia, com quais intuitos se estrutura uma mídia, qual o seu alcance, o que fazer para preserva-se. O adolescente precisa discernir o que ele está vendo ali naquela mídia. Refletir sobre o vídeo que acessa, sobre o jogo que o prende, sobre o produto que está sendo "consumido" ou mesmo escravizando-o ao consumo de querer mais, mais e mais produtos.

Grande parte dos programas televisivos, filmes e vídeos, veicula-se e massifica-se o adolescente sexualizado, drogado, abusado, distorcido, sempre o adolescente problemático. Com essa exposição, o adolescente até recebe alguma atenção, mas uma atenção negativa.... Por que a sociedade não coloca esse adolescente com uma atenção positiva, saudável? Por que não se investe na saúde desse adolescente, ao invés de ressaltar sua doença?

Então, num conceito de ajuda e educação a estes adolescentes, faz-se imprescindível profissionais de saúde, pais e educadores entenderem quais são as questões relevantes não somente sobre a internet, mas sobre todas as tecnologias. Somente desse modo, poderá haver cultura digital, o que é um direito de todos. Precisamos exercer o Artigo 227 de nossa Constituição Federal que ressalta ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida e à saúde. Precisamos vivenciar essa prioridade, isso sim, é exercer a cidadania plena e com dignidade.


Isabel Bouzas - Editora chefe
Felipe Jannuzzi - Editor executivo
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