Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 3 - Jul/Set - 2017

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Páginas 30 a 37


Representações sociais da gravidez não planejada e não desejada em mulheres jovens da Área Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México

Social representation of unplanned and unwanted pregnancies in young women from Guadalajara's Metropolitan Zone, Jalisco, Mexico

Representaciones sociales del embarazo no planeado y no deseado en mujeres jóvenes del Área Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México


Autores: Alejandra Sierra-Macías1; María de los Ángeles Covarrubias-Bermúdez2; Marco Antonio Zavala-González3; Gloria Patricia Velázquez-Mota4

1. Formada em Enfermagem. Bolsista do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México. Programa de Doutorado em Ciências da Saúde Pública - Universidad de Guadalajara, Centro Universitario de Ciencias de la Salud. Guadalajara, Jalisco, México
2. Formada em Psicologia. Bolsista do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México. Programa de Doutorado em Ciências da Saúde Pública. Universidad de Guadalajara, Centro Universitario de Ciencias de la Salud. Guadalajara, Jalisco, México
3. Mestre em Educação. Bolsista do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México. Programa de Doutorado em Ciências da Saúde Pública. Universidad de Guadalajara, Centro Universitario de Ciencias de la Salud. Guadalajara, Jalisco, México
4. Mestre em Saúde Pública. Bolsista do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México. Programa de Doutorado em Ciências da Saúde Pública. Universidad de Guadalajara, Centro Universitario de Ciencias de la Salud. Guadalajara, Jalisco, México

María de los Ángeles Covarrubias-Bermúdez
Universidad de Guadalajara
Endereço, Sierra Mojada 950, Puerta 1, Edificio "N", Planta Alta, Colonia Lomas de Independencia
Guadalajara, Jalisco, México. CEP: 44240
angelescovarrubias@hotmail.com

Recebido em 20/05/2016
Aprovado em 18/09/2016

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Como citar este Artigo

Descritores: Saúde da mulher, gravidez não planejada, gravidez não desejada, pesquisa qualitativa, México.
Keywords: Women's health, unplanned pregnancy, unwanted pregnancy, qualitative research, Mexico.
Palabra Clave: Salud de la mujer, embarazo no planeado, embarazo no deseado, pesquisa cualitativa, México.

Resumo:
OBJETIVO: Identificar as representações sociais da gravidez não planejada e não desejada em mulheres jovens da Área Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo qualitativo com 79 mulheres entre 18 e 21 anos de idade, estudantes de nível de graduação na área de ciências da saúde, a quem foram aplicadas listas livres para indicara proximidade ou afastamento em relação as fases de estudos. As representações sociais foram obtidas aplicando a teoria da Abric e expressada através de gráficos.
RESULTADOS: A representação social da gravidez não planejada era "medo, problemas e conflitos familiares", enquanto que a gravidez indesejada era "sexo desprotegido, não planejado e irresponsabilidade".
CONCLUSÃO: As representações sociais de gravidez não planejada e não desejada podem ser associadas ao estereótipo mexicano de adolescentes grávidas, caracterizado pela falta de consciência das implicações do início da vida sexual, e cometeu responsabilidade na gravidez. O termo "filho indesejado" está associado a situações como abuso infantil e problemas para o nascimento e desenvolvimento das crianças, e para diminuir o emprego e oportunidades educacionais para os pais.

Abstract:
OBJECTIVE: Identify the social representations of unplanned and unwanted pregnancies in young women from Guadalajara's Metropolitan Zone, Jalisco, Mexico.
METHODS: This qualitative research was performed with 79 women between 18 and 21 years-old undergraduate level's students in the area of health sciences, to whom we applied free lists for to indicate closeness or distance relating to studied key phrases. We obtained social representations applying Abric's theory, and we expressed by graphics.
RESULTS: The social representation of unplanned pregnancy was "fear, problem and family conflict", while for unwanted pregnancy was "sex without protection, unwanted and irresponsibility".
CONCLUSION: The social representations of unplanned and unwanted pregnancies can be linked Mexican stereotype of pregnancy adolescent, characterized for lack of awareness of the implications of the sexual life's onset, and the responsibility involved in the pregnancy. The key phrase "unwanted child" it's associated to events as child abuse and problems for the birth and development of children, and lower employment and educational opportunities for parents.

Resumen:
OBJETIVO: Identificar las representaciones sociales del embarazo no planeado y no deseado en mujeres jóvenes del Área Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México.
MÉTODOS: Fue realizado un estudio cualitativo con 79 mujeres entre 18 y 21 años de edad, estudiantes de nivel de graduación en el área de ciencias de la salud, a quienes fueron aplicadas listas libres para indicar la proximidad o distancia con relación a las fases de estudios. Las representaciones sociales fueron obtenidas aplicando la teoría de la Abric y expresada a través de diagramas.
RESULTADOS: La representación social del embarazo no planeado era "miedo, problemas y conflictos familiares", mientras que el embarazo no deseado era "sexo desamparado, no planeado e irresponsabilidad".
CONCLUSIÓN: Las representaciones sociales de embarazo no planeado y no deseado pueden ser asociadas al estereotipo mexicano de adolescentes embarazadas, caracterizado por la falta de conciencia de las implicaciones del inicio de la vida sexual y falta de responsabilidad con el embarazo. El término "hijo no deseado" está asociado a situaciones como abuso infantil y problemas para el nacimiento y desarrollo de los niños, así como para disminuir lo empleo y oportunidades educacionales para los padres.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde define gravidez na adolescência como aquela que ocorre entre 10 e 19 anos de idade1. É considerada um problema de saúde pública porque incrementa a probabilidade de morte materna, parto distócico e/ou antecipado, risco de baixo peso ao nascer e morte prematura. Além disso, tem consequências sociais como disfunção familiar e dificuldade no acesso e continuação da educação, podendo perpetuar os ciclos de pobreza, discriminação e segregação social dos jovens pais2.

Atendendo a esta problemática, a Estratégia Nacional para a Prevenção da Gravidez em Adolescentes4 foi elaborada no México. Esta inclui políticas e ações interinstitucionais (a nível nacional, estatal e municipal) enfocadas em: 1) Promover a conclusão da educação básica dos adolescentes, 2) Fomentar a tomada de decisões que favoreçam o exercício da sexualidade, através de campanhas de comunicação que promovam os direitos sexuais, e serviços de saúde equitativos e com perspectiva de gênero, 3) Oferecer métodos anticoncepcionais e conselho em planejamento familiar, 4) Melhorar os serviços de saúde através de capacitação constante e pertinente ao pessoal de saúde, e 5) Garantir a educação sexual em educação pública e privada. Deste modo, estima-se que em 2030 será possível erradicar a gravidez em menores de 15 anos e reduzir em 50 % as ocorridas entre 15 e 19 anos.

Contudo, dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografía2 mostram que, em 2014, 98,7 % das mulheres entre 15 e 49 anos informaram conhecer pelo menos um método contraceptivo, e 18,3 % dos abortos em mulheres em idade fértil ocorreram em adolescentes5. Além disso, a cifra de gestações neste grupo aumentou de 70,9 em cada 1.000 mulheres em 2009 para 77 em cada 1.000 mulheres em 20142. Estima-se que 60% destas gestações ocorreram nos primeiros seis meses de iniciadas as relações sexuais, que se apresentam cada vez mais em idades precoces, tanto que em 2000 foram informados casos de gestação aos 12 anos6. Estes dados sugerem que a gravidez adolescente não só deve ser atribuída ao desconhecimento de métodos anticoncepcionais, mas também a outros elementos de caráter cultural e/ou social.

Diante deste panorama, faz-se necessário estudar quais significados as mulheres atribuem à gravidez não planejada e não desejada, para que se compreenda qual a influência social e cultural sobre padrões de fertilidade, motivações e intenções de fecundidade difere entre populações, e como podem ser interpretados de forma distinta. Alguns autores descrevem a gravidez não planejada como aquela que não é programada7, nem desejada8, no entanto, o que não é desejado é definido como o que se dá em um momento desfavorável e em quem não deseja a reprodução9. Outros autores sugerem que os termos gravidez não planejada e não desejada são construções sociais, por isso sua definição deve representar as particularidades culturais e morais da sociedade a que pertencem10, sugerindo que os conceitos atuais podem ser ambíguos e inúteis para compreender as motivações da gravidez.

Neste sentido, o objetivo deste estudo foi identificar os significados dos termos gravidez não planejada e não desejada para mulheres jovens da Zona Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México, através do enfoque estrutural das representações sociais11. O interesse neste grupo de mulheres, deve-se ao fato de que Jalisco é um dos estados com maior número de nascimentos de mães entre 15 a 19 anos (69,9 para cada 1.000 mulheres)2. Por outro lado, as representações sociais constituem a forma em que os indivíduos se relacionam e significam o mundo, são uma forma de conhecimento construído e compartilhado por coletividades12, e também um corpo de percepções, crenças e opiniões a respeito de um objeto, que contribui à conformação e justificação das práticas individuais e grupais11. Assim, as representações sociais são uma opção idônea para estudar os conceitos de gravidez não planejada e não desejada, que permitem identificar os significados, valores, conhecimentos, atitudes e práticas relacionadas com estes fenômenos.


MÉTODOS

Uma investigação qualitativa da perspectiva teórica das representações sociais proposta por Abric11 foi realizada utilizando ferramentas da antropologia cognitiva13. Analisou-se uma amostra de mulheres que cumpriram os seguintes critérios de inclusão: 1) Ser estudante de licenciatura em ciências da saúde, 2) Residir na Zona Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México no momento do estudo, 3) Ter entre 18 e 21 anos de idade, e 4) Aceitar participar de forma anônima no estudo respondendo aos instrumentos solicitados. Determinou-se um tamanho de amostra de pelo menos 17 informantes, de acordo com o proposto por Weller e Romney14, que assinalaram ser este o tamanho mínimo requerido para cumprir com os critérios de suficiência e saturação da informação necessária para desenvolver adequadamente os supostos teóricos da antropologia cognitiva. As mulheres que cumpriram os critérios de inclusão foram convidadas pessoalmente no Centro Universitário de Ciências da Saúde da Universidade de Guadalajara, em dezembro de 2015. Cada participante demorou no máximo 15 minutos para responder cada questionário, incluindo a resolução de dúvidas sobre seu respectivo questionário.

A coleta de dados foi realizada em duas fases empregando questionários semiestruturados. Na primeira fase utilizou-se a técnica de listagens livres13, que permite pensar respostas livres de termos rebuscados como respostas racionalizada. Esse método tem como motivação a aceitação social, a qual consiste em oferecer aos participantes uma frase de indução solicitando escrever as primeiras cinco palavras ou frases que lhes ocorram ao lê-la, assim como o motivo pelo qual as pensaram. Foi entregue aos participantes duas listagens livres, uma para o termo "gravidez não planejada" e outra para "gravidez não desejada". Uma vez obtidos os dados deste primeiro instrumento, mediante distribuição de frequências, foram identificados as dez respostas mais frequentes para cada termo indutor, com as quais se utilizou a técnica de comparação de pares13, que tem por objetivo mostrar elementos proeminentes da representação social procurada e indicar a relação que guardam. Nesta fase, as participantes associaram as palavras segundo sua ideia sobre os termos "gravidez não planejada" ou "gravidez não desejada". Foi solicitado que primeiro marcassem as duas palavras ou frases com maior associação e depois as duas que se associassem com menor força, e lhes foi solicitado que repetissem este procedimento com as palavras ou frases restantes.

Para obter as representações sociais, partiu-se dos dados recolhidos com o questionário de comparação de pares, analisando a intensidade da associação entre os termos a respeito de sua semelhança ou antagonismo, atribuindo um valor em função do nível de associação estabelecido pela participante, de tal maneira que os valores foram 2, 1, 0, -1 e -2, de acordo com o proposto por Abric11. As palavras e frases foram ordenadas do maior para o menor de acordo com estes valores, onde posteriormente foi construído um grafo conforme a teoria descrita por Doise et al.15. Finalmente, realizou-se uma análise temática das explicações relacionadas com os termos lembrados nas listagens livres16, lendo, relendo e codificando as respostas para categorizar por temas e, finalmente, triangular esta informação entre os pesquisadores para obter um consenso sobre a codificação.

A investigação foi considerada sem risco para as participantes de acordo com regulamento da lei geral de saúde em matéria de investigação para a saúde do México17, em virtude dos métodos de coleta de dados tipo pesquisa, e não se modificaram variáveis psicológicas das participantes nem se dirigiu informação sensível. Por conseguinte, não foi exigida a aprovação do protocolo por parte de um comitê de ética, e a participação das mulheres não esteve sujeita a um consentimento informado por escrito, a não ser a aceitação de participar respondendo os instrumentos. Do mesmo modo, de acordo com a legislação mexicana17, dado que não se recolheu informação sensível, entendida como potencial gerador de segregação social, não se emitiu aviso de privacidade.


RESULTADOS

79 mulheres participaram da pesquisa, 40 na primeira fase e 39 na segunda, com nenhuma delas grávida. Cinco das participantes da primeira fase, e seis da segunda, informaram ser casadas ao perguntas sobre o estado civil.

Nas Figuras 1 e 2, apresentam-se os grafos correspondentes às representações sociais dos termos "gravidez não planejada" e "gravidez não desejada", respectivamente. Nestas, as linhas apontadas indicam os conceitos ou significados que constituíram o núcleo central de cada representação social de acordo com a teoria de Abric11. Os mesmos corresponderam a "medo", "problema" e "conflito familiar" para "gravidez não planejada" (Figura 1), e a "sexo desprotegido", "não planejado" e "irresponsabilidade" para "gravidez não desejada" (Figura 2).


Figura 1. Representação social do termo "gravidez não planejada" segundo mulheres jovens da Zona Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México.


Figura 2. Representação social do termo "gravidez não desejada" segundo mulheres jovens da Zona Metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México.



As Tabelas 1 e 2, mostram os resultados da análise temática realizada com as explicações proporcionadas pelas participantes sobre os termos lembrados nas listagens livres para os termos "gravidez não planejada" e "gravidez não desejada", respectivamente. Em ambos os casos, identificou-se três categorias: facilitadores, consequências e expectativas; cujas características e distribuições de frequências são mostradas nas referidas tabelas.






DISCUSSÃO

Os resultados mostraram a visão de um grupo de mulheres sobre os termos "gravidez não planejada" e "gravidez não desejada", na qual é possível distinguir, pela descrição do processo que viveram, os elementos facilitadores do evento gravidez, as respectivas implicações na vida da mãe, do casal, de seus pais e do filho nascido, e as expectativas das mulheres grávidas com respeito a seu futuro.

Ao comparar os resultados obtidos com a literatura existente sobre os facilitadores, as práticas sexuais de risco e ser adolescente, os resultados corroboraram com os do presente estudo, que descreve a adolescência como um período caracterizado pela falta de consciência das implicações do início da vida sexual, e a responsabilidade comprometida na gravidez, sendo comum atitudes de negligência18.

Não obstante, chamou a atenção que se considerassem estes tipos de gravidez só na adolescência e não se enunciassem outros facilitadores, já que existem referências sobre casos de gravidez não planejada e não desejada em mulheres maiores de 40 anos9. Assim como a consequência de atos de violência sexual19, do estado conjugal, expectativas e necessidades educativas e trabalhistas, da espiritualidade, da apreciação da autonomia20 e da pobreza21, não foram enunciados como facilitadores destes tipos de gravidez. Neste sentido, refletiu-se que pode haver uma limitação a este resultado pelo fato de que o questionário foi elaborado para lembrar os significados mais latentes ao escutar ou ler os termos propostos13, restringindo a possibilidade das participantes acessarem outros significados mais particulares.

Por outro lado, sobre o fato da percepção de que a desinformação sobre métodos anticoncepcionais não é um facilitador, este resultou concordante com os relatórios realizados há três décadas pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografía2 sobre o incremento no conhecimento e uso destes métodos em população jovem, indicando a existência de outros elementos como, por exemplo, falhas no uso dos anticoncepcionais pelas adolescentes.

Outras coincidências resultantes foram: a visão de que a gravidez não planejada e não desejada afetam a saúde mental da mulher adolescente4,9,19,20, que o termo "filho não desejado" se associa a eventos como abuso infantil e problemas para o nascimento e desenvolvimento do menor21, 22, que são menores as oportunidades trabalhistas e educativas para os pais jovens, e que a interferência na saúde física da mãe não foi visualizada pelas participantes22. Tais riscos podem ser resolvidos e eliminados com uma boa alimentação e uma atenção pré-natal adequada, sendo o verdadeiro perigo o estresse gerado pelas mudanças ao plano de vida e os riscos a uma menor probabilidade de acesso a uma qualidade de vida adequada22.

Como limitações do estudo, as atitudes negligentes para o uso de anticoncepcionais não puderam ser explicadas, provavelmente pela metodologia evocativa. Porém, Winkler23 descreve que o não uso de método anticoncepcional pode dever-se a crenças como a de que a gravidez não acontecerá, que não existe controle sobre o desejo sexual ou não solicitam anticoncepcionais por pena. Oviedo argumenta que as significações associadas à gravidez durante a transição da infância para a fase adulta são a razão da dita negligência, e explica que a consolidação da feminilidade se fundamenta em aprender e exercer a maternidade, e que, por esse ser um discurso aprendido e naturalizado paulatinamente ao longo dos anos, a negligência resulta de um impulso inconsciente para consolidar seu papel como mulher22.

Em relação aos resultados, tal como Álvarez-Neto menciona, as motivações para a gravidez não planejada e não desejada resultam-se incertas18. Embora esteja claro que dependam de aspectos socioculturais e da socialização destas ideias entre as mulheres, elementos que conseguiram ser descritos para o grupo abordado neste estudo, ao mesmo tempo em que se identificaram outros elementos, embora sutis, resultaram úteis para compreender as diferenças entre os termos gravidez não planejada e não desejada. Isso nos permite entrever que existe um valor principalmente negativo para a gravidez não desejada, no qual, assume-se que o filho precisará de bem-estar, enquanto que, a gravidez não planejada possui um valor mais positivo, no qual espera-se que pode beneficiar à mãe de algum modo ao superar os obstáculos que este representa.

Conclui-se que as representações sociais da gravidez não planejada e não desejada centraram-se na mulher adolescente, estudante e economicamente dependente de seus pais, o que demonstra um franco estereótipo em torno dos dois termos enunciados, mesmo que pode gerar estigmatização e dificultar as possibilidades de intervenção e educação nesta população. Neste sentido, recomenda-se estudar mais este fenômeno das subjetividades dos próprios adolescentes, incluindo também o olhar dos homens adolescentes.


CONSIDERAÇÕES

Contribuições de autoria: Todos os autores participaram por igual na concepção do projeto, coleta de dados, análise de informação, redação do artigo e aprovação da versão final do manuscrito. Conflitos de interesses: Nenhum a declarar. Agradecimentos: Os pesquisadores agradecem às jovens participantes por fazer possível a investigação, assim como aos revisores anônimos atribuídos ao manuscrito suas valiosas contribuições para melhorar sua qualidade.


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