Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 14 nº 3 - Jul/Set - 2017

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Páginas 54 a 62


Dificuldades e desafios do pré-natal sob a perspectiva das adolescentes grávidas

Difficulties and challenges of prenatal care under pregnant adolescents' perspective


Autores: Magali Motta1; Melissa Paiva de Jesus2; Flávia Regina de Moraes3

1. Especialização em Enfermagem Obstétrica e Obstetrícia Social pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). São Paulo, SP, Brasil. Docente e Enfermeira Assistencial da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Santo André, SP, Brasil
2. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Santo André, SP, Brasil
3. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Santo André, SP, Brasil

Melissa Paiva de Jesus
Rua Fascinação, 278, bloco 04, Apt. 43, José Bonifácio
Itaquera, SP, Brasil. CEP: 08257-080
melissapaivaj@hotmail.com

Recebido em 01/07/2016
Aprovado em 07/04/2017

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Como citar este Artigo

Descritores: Gravidez, gravidez na adolescência, cuidado pré-natal.
Keywords: Pregnancy, pregnancy in adolescence, prenatal care.

Resumo:
OBJETIVO: Caracterizar as adolescentes grávidas atendidas no Ambulatório de pré-natal de Adolescentes e analisar a adesão das adolescentes grávidas ao pré-natal em um serviço de saúde da região do Grande ABC Paulista.
MÉTODOS: Consiste em um estudo quantitativo, mediante a técnica exploratória. Os dados foram captados através de um formulário estruturado contendo 19 questões. As adolescentes participaram de espontânea vontade através da assinatura do termo de consentimento, os dados obtidos foram tabulados através do software Epi Info versão 3.5.1, para ilustração dos dados utilizou-se Excel 2013.
RESULTADOS: Em relação à adesão da adolescente ao pré-natal 81,5% não faltaram as consultas, iniciaram o mesmo ainda no primeiro trimestre gestação (66,6%) e relataram a distância como principal dificultador (33,3%). A média de idade foi de 16,1 anos, predominantemente solteiras (66,7%) e possuíam mais de 8 anos de estudo (70,4%). O perfil gestacional das adolescentes mostrou que 96,3% eram primigestas.
CONCLUSÃO: Os baixos índices de falta podem evidenciar a aceitação positiva de um serviço especializado, por oferecer um atendimento mais direcionado as dificuldades enfrentadas nesse período.

Abstract:
OBJECTIVE: Characterize the pregnant adolescents attended in prenatal Teen Clinic, and analyze compliance of pregnant teenagers to prenatal care in a health facility at ABC Paulista region.
METHODS: This is a quantitative exploratory research. Data were obtained by means of a structured questionnaire containing 19 questions. Teenagers attended voluntarily by signing the consent form. Data were tabulated by Epi Info version 3.5.1 software and for data illustration it was used Excel 2013.
RESULTS: Regarding adolescent compliance to prenatal care, 81.5% haven't missed the appointments, initiated it in the first quarter of pregnancy (66.6%) and reported the distance as a major complicating agent (33.3%). The average of age was 16.1 years old, predominantly single (66.7%) and had more than 8 years of study (70.4%). Gestational profile of teenagers showed that 96.3% were in the first pregnancy.
CONCLUSION: The low rates of absence can highlight the positive acceptance of a specialized service, as it offers a more directed care to the difficulties faced during this period.

INTRODUÇÃO

O Ministério da Saúde segue a convenção elaborada pela Organização Mundial da Saúde que delimita o período entre 10 e 19 anos de idade como adolescência, sendo esta uma das etapas do desenvolvimento humano que se caracteriza por alterações físicas, mentais e sociais1. Pode ser representada por estar entre o ainda ser criança e o ainda não ser adulto. Logo, podemos referir que a adolescência transmite a ideia de transformação, estabelece um processo na vida, o que contribuirá para sua autonomia e responsabilidade2. Por ser um período muito especial para a construção do indivíduo e para sua inserção social, deve ser entendido como de risco e vulnerabilidade3.

Atitudes, hábitos e comportamentos que marcam a vida de adolescentes e de jovens encontram-se em processo de formação e cristalização. Os valores e o comportamento dos amigos ganham importância crescente a medida em que surge um natural distanciamento dos pais em direção a uma maior independência, esta que advém de experimentações do novo como, drogas, álcool, inicio das relações sexuais e gravidez precoce1-4.

O início da vida sexual vem acompanhado por dúvidas e curiosidades, embora exista muita informação disponível, nem sempre o adolescente sente-se à vontade para esclarecê-las. Muitas vezes a busca de informações acontece através de outros adolescentes que já iniciaram sua vida sexual e compartilham suas experiências, criando "teorias" e mistificam o ato sexual com "verdades" criadas empiricamente5,6. O início da vida sexual precoce e sem conhecimentos acerca do tema é acompanhado de riscos de adquirir doenças sexualmente transmissíveis e uma gravidez indesejada. São diversas as razões para que ocorra uma gravidez antes dos 20 anos; grande parte das jovens engravidam por desconhecimento ou falha da contracepção, tal resultado pode ser compreendido em função das especificidades do próprio momento de experimentação da sexualidade, que envolve negociações de gênero, além da dificuldade com o manejo apropriado dos métodos. Soma-se a isso o elevado desconhecimento da fisiologia da reprodução6.

As gestantes adolescentes são consideradas de risco, não apenas no âmbito médico, mas por fatores biológicos relacionados a imaturidade, idade, assistência ao pré-natal inexistente ou de baixa qualidade, doenças relacionadas ao nível econômico mais precário, fatores sociais e culturais4.

Para o Ministério da Saúde, o fenômeno da maternidade na adolescência é considerado de alto risco devido às complicações biológicas e sociais do binômio mãe e filho. As adolescentes com menos de 14 anos de idade têm maior risco de morrer durante a gravidez e seus filhos tendem a nascer com baixo peso e prematuros1.

O acompanhamento em qualquer gravidez é essencial para a saúde materna e fetal. E para tal, faz se necessário a realização do pré-natal, que consiste em assistência médica e de enfermagem no decorrer da gravidez, com o objetivo de evitar problemas para a mãe e para a criança nesse período e no momento do parto7,8.

Os profissionais de saúde têm importante papel na escuta de necessidades, devendo permitir a expressão de sentimentos que emergem na vivência da gravidez de modo a se estabelecer uma relação de confiança. Evita-se, assim, que o pré-natal se torne um intercâmbio de múltiplas informações fragmentadas e imposições, pois um dos objetivos da atenção à saúde a esse grupo é possibilitar a construção de condições favoráveis para que a adolescente se sinta acolhida e lide com as experiências da gravidez, parto e maternidade de modo favorável à sua saúde e a do (a) filho (a) (Bahia, Secretaria de Saúde da Bahia, apud Melo e Coelho 2011)7.

Durante o pré-natal, deverá ser realizado o número mínimo de seis consultas, preferencialmente, uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no último trimestre. Devem ser realizados exames de rotina como hemograma, glicemia de jejum, urina tipo I, sorologia para toxoplasmose, rubéola, hepatite B e HIV (vírus da imunodeficiência humana), além de isoimunização Rh e ultrassonografia obstétrica. Com exceção da ultrassonografia obstétrica, todos os demais exames devem ser realizados na 1º consulta do pré-natal e na 30º semana de gravidez. A maior frequência de visitas no final da gestação visa à avaliação do risco perinatal e das intercorrências clínico-obstétricas mais comuns nesse trimestre, como trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia e eclampsia, amniorrexe prematura e óbito fetal7,8.

A adesão ao pré-natal acontece muitas vezes tardia, boa parte dessa população vive na periferia, integrando famílias de baixa renda e de baixa escolaridade, onde aconfirmação da gravidez pela adolescente provocam sentimentos diversificados; a aceitação do parceiro, aceitação da família e amigos, a mudança na rotina e hábitos, as responsabilidades envolvidas para cuidados com sua própria saúde e do feto, causam um grande impacto psicológico e físico. Os motivos mais frequentes alegados pelas gestantes para a não realização de pré-natal constam de rejeição da gravidez e o medo das consequências sociais da gestação9. Muitas vezes a aderência ao pré-natal acaba não sendo o preconizado; inadimplência as consultas, resistência à nova rotina, são atitudes observadas4. Os serviços de saúde deveriam estar dispostos estrategicamente e preparados para acolher essas gestantes8.

A gestação na adolescência ganha visibilidade como problema de saúde a partir da década de 70, com o aumento proporcional da fecundidade em mulheres com 19 anos de idade ou menos8. A fecundidade específica dos 15 aos 19 anos, que apresentava crescimento de 25% entre 1991 e 2001 no Brasil, começou a declinar a partir de 2000. A contribuição da fecundidade específica do grupo de mulheres de 15 a 24 anos na fecundidade total (em todo o período reprodutivo) passou de 34% em 1980 para 53% em 2006. Esse crescimento decorreu principalmente do aumento da participação relativa da fecundidade de 15 a 19 anos, que ascendeu de 9% para 23% no período1.

Em virtude da demanda de gravidez na adolescência em janeiro de 2014 o município de Santo André criou um ambulatório especifico para atendimento a adolescentes grávidas, o serviço conta com uma equipe multidisciplinar - médico obstetra, médico hebiatra, nutricionista, psicólogo, assistente social e dentista. A cada consulta as adolescentes assistem palestras sobre amamentação, parto, evasão escolar e planejamento familiar, sendo registrado em ficha médica o seu comparecimento. A criação de grupos favorece a troca de experiências entre as gestantes e facilita a abordagem, uma vez que o perfil das adolescentes são similares10, baixa escolaridade, baixa renda, relações com o parceiro pouco estável e sendo algumas vezes multíparas. Isso mostra a necessidade de uma maior atenção a essa parte da população de alta vulnerabilidade6.


OBJETIVO

Identificar as dificuldades que as adolescentes grávidas enfrentam para manter a adesão ao pré-natal, caracterizar as adolescentes grávidas atendidas no Ambulatório de pré-natal de Adolescentes e analisar a adesão das adolescentes grávidas ao pré-natal em um serviço de saúde da região do Grande ABC Paulista.


METODOLOGIA

O método utilizado é o quantitativo com técnica exploratória e coleta de dados primários, onde utilizou um formulário contendo 19 questões estruturadas. A população deste estudo é constituída por adolescentes grávidas que realizaram o pré-natal no Ambulatório de Pré-Natal de Adolescentes no Centro de Saúde Escola Capuava - Santo André, em qualquer idade gestacional. As gestantes adolescentes incluídasno presente estudo foram as que realizaram o Pré-Natal no ambulatório no momento da coleta de dado, e as excluídas foram as que não quiseram participar do estudo.

Foi realizado a validação do formulário para averiguar a clareza do instrumento com três indivíduos leigos no assunto, antes da efetivação da
coleta de dados. Para o manejo dos dados usou-se software Epi Info versão 3.5 e o Excel 2013.

O mesmo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Fundação do ABC, filiado ao Conselho Nacional de Pesquisa com Seres Humanos e foi aprovado sob o numero CAAE: 45927715.0.0000.0082.


RESULTADOS

Na Tabela 1 evidencia-se que 29,6% das adolescentes têm até 15 anos e a maior porcentagem (70,4%) está entre 16 e 18 anos, com média de 16,1 anos de idade. A maioria (55,6%) é negra, onde 11,1% já concluíram o 1º grau e 51,9% abandonaram a escola antes de concluí-la ao saber que estava grávida. A maioria (85,2%) não exerce atividade remunerada, sendo que 22,2% não souberam referir a renda familiar e das que responderam, a maioria (70,4%) têm até 3 salários mínimos.




De acordo com a Tabela 2, 96,3% das adolescentes eram primigestas. Expressivamente 85,2% das adolescentes não planejaram a gravidez. Porém 14,8% disseram que a gestação foi planejada, ato que não é esperado para essa fase da vida.




A Tabela 3 ilustra que 81,5% das adolescentes moravam com os pais antes de engravidar, após a confirmação da gestação,33,3% passaram a morar com os parceiros. Destaca-se ainda que 7,4% não tiveram apoio da família e 3,7% não receberam apoio do parceiro. Embora a falta de apoio familiar prestado à adolescente tenha sido maior que a do parceiro, ambos apresentaram bons índices de apoio.




A Tabela 4 mostra que 81,5% das adolescentes nunca faltaram a uma consulta de pré-natal, o que é um dado bastante positivo já que muitas delas moram em bairros distantes e possuem algumas dificuldades de acesso (como pode ser visto na Tabela 4). De acordo com a Tabela 5, 37% das adolescentes apresentam dificuldades para realização do prénatal e destas dificuldades 33,3% está relacionada à distância.






DISCUSSÃO

Neste estudo, a média de idade das adolescentes foi 16,1 anos, no entanto deve-se ponderar, que a faixa etária de 10 a 19 anos é muito ampla, onde a ocorrência de gravidez em uma jovem de 14 ou em outra de 18 anosé bastante diferente11. A literatura demonstra que os maiores índices de gestação na adolescência recaem sobre a parcela negra da população12,13,14,15,16,17, fato também confirmado nesse estudo onde 55,6% das entrevistadas se autodeclararam negras.

Estudos concluem que níveis educacionais mais altos estão associados a menores índices de gestação na adolescência, fato que contradiz os dados deste estudo, uma vez que 70,4% das adolescentes estudaram mais de 8 anos e 66,7% usam a internet como meio de comunicação. No entanto houve um grande número de evasão escolar (51,9%) o que aumenta a probabilidade de persistência das diferencias sociais e econômicas nesta parcela da população11-17.

Quando questionado sobre a renda familiar, as adolescentes hesitaram em responder, sendo que 22,2% não souberam referir tal valor. Entre aquelas que responderam, 70,4%, referiram uma renda mensal familiar inferior a 3 salários mínimos, o que mostra tratar-se de um grupo com baixo poder aquisitivo17,18. O fato das adolescentes desconhecerem a renda familiar reflete o pouco envolvimento que elas possuem com a realidade concreta, e em relação ao seu sustento. O fato de não possuírem atividade remunerada (85,1%), associada a alta taxa de evasão escolar e a baixa escolaridade, remetem a menor chance de conseguirem uma colocação no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, e caso consigam, serão em atividades com baixa remuneração. Esse fato possivelmente fará com que se tornem dependentes dos pais e companheiros ao longo da vida, já que as opções de inserção social e de ascensão econômica se dão por intermédio do sistema educacional, principalmente nesta faixa etária11-17.

A maioria das adolescentes (85,2%) não planejaram a gravidez. Este alto índice remete-se ao fato de que cada vez mais as adolescentes iniciam as atividades sexuais de forma precoce e muitas vezes negligenciam o uso de contraceptivos, principalmente o uso de preservativo o que além de favorecer a gravidez demonstra exposição a doenças sexualmente transmissíveis11-12-14-16-18. Mesmo que as adolescentes possuam nível razoável de escolaridade e conhecimento mínimo sobre sexualidade, não conseguem traduzi-los em mudanças de comportamento e sexo seguro10,11. Entretanto, é evidenciado em outros estudos que a ausência de educação sexual nas escolas e de programas de planejamento familiar nos serviços públicos de saúde são fatores que podem favorecer a ocorrência de gravidez indesejada11-17.

A ocorrência de mais de uma gravidez na adolescência (3,7%) é visto como um grande problema pois reflete um comportamento sexual irresponsável e incapaz de romper um círculo vicioso, além de problemas derivados de pequeno intervalo entre os partos, maior probabilidade de baixo peso do recém-nascido, e muitas vezes a sobrecarga psicológica imposta as adolescentes que frequentemente precisam cuidar da casa, do companheiro e de dois ou três filhos11-18.O planejamento de uma gravidez é um ato não esperado nesta fase da vida, mas evidenciado em 14,8% das adolescentes entrevistadas, isso faz refletir que, a vontade de ter um filho na adolescência possa ter relação com o desejo de sentir-se mais mulher, pois é a fase de transição onde ela quer passar do papel de filha para se tornar mãe, de prender o namorado, de sair da escola ou da casa dos pais como forma de mostrar-se independente, ou até mesmo dar mais sentido a uma vida vazia10-11-18.

De acordo com a Tabela 3, há um elevado índice (59,3%) de adolescentes que continuam a morar com os pais após a descoberta da gestação. Observa-se, portanto, uma relação direta entre a instabilidade da relação com o parceiro, a idade e a não manutenção financeira desta adolescente, uma vez que ainda durante a gestação elas continuam a morar com seus pais e a depender financeiramente dos mesmos, frustrando muitas vezes o seu desejo de independência e liberdade11.

Em relação ao apoio que as adolescentes receberam mediante ocorrência da gravidez, tanto as famílias como os parceiros as apoiaram (92,6% e 96,3% respectivamente), sendo que a família apoiou menos (7,4%), fato não muito comum encontrado em outros estudos9. Entretanto, há estudos que dizem que a reação positiva e o apoio da família em relação a gravidez pode ser um fator contribuinte para a sua repetição, além de morar com o parceiro (33,3%), situação também encontrada neste estudo18.

A criação de programas que favorecem a adesão ao pré-natal é vantajosa, pois gestantes que frequentam serviços apresentam menos doenças e seus filhos têm um melhor crescimento intrauterino, menor mortalidade perinatal e infantil. O número de consultas realizadas durante o pré-natal também está diretamente relacionado a melhores indicadores de saúde materno-infantil19.

O Rede Cegonha é uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. Esta estratégia tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-infantil no País13.

O Município de São Paulo criou em 2006 a Rede de Proteção à Mãe Paulistana que é uma estratégia desenvolvida com os princípios da Rede Cegonha, e tem como objetivo assistir a gestante durante a gravidez, desde as consultas de pré-natal (no mínimo sete), o parto, o puerpério até o segundo ano de vida do bebê. A gestante recebe auxílio transporte para a realização de consultas e exames. Todas as gestantes recebem um cartão, cujos créditos são liberados conforme a necessidade de utilização, após avaliação na consulta médica e após o parto a mes-ma recebe um kit contendo roupas para o recém nascido. Em seis anos de Mãe Paulistana, 98% das gestantes inscritas foram acompanhadas até o fim da gestação20.

Em relação a adesão ao pré-natal (81,5%) disseram nunca ter faltado a uma consulta, situação evidenciada também em outros estudos e considerada como muito positiva11-18. Isso pode ser explicado pelo fato de serem atendidas em um ambulatório específico para adolescentes grávidas, onde elas possuem consultas individualizadas e em grupo com outras adolescentes que apresentam características e ansiedades semelhantes, fazendo com que superem as dificuldades que possam atrapalhar o andamento das consultas, além de se preocuparem com aspectos biológicos relacionados a gestação11.


CONCLUSÃO

A gravidez na adolescência nos dias de hoje ainda é um problema de saúde pública, por representar uma grande fração dos nascimentos provenientes de mães adolescentes. Através desse trabalho foi possível compreender fatores que favorecem e dificultam a adesão ao pré-natal, e a aceitação do serviço especializado. O atendimento realizado dentro do serviço especializado revela a aceitação positiva das pacientes durante os atendimentos, pois após iniciarem o pré-natal o número de faltas mostrou-se baixo, embora exista a dificuldade relacionada a distância, relatada por um terço das adolescentes.

A amostra de adolescentes entrevistadasretrata o perfil das pacientes em atendimento como sendo: solteiras, a maioria reside com os pais, tem nível de escolaridade superior a 8 anos de estudo, porém com casos de evasão escolar após a descoberta da gravidez e a maioria não exerce atividade remunerada. A primeira gestação é um fator comum entre as adolescentes.

Devido à adesão positiva ao ambulatório especializado caberia sugerir a ampliação desse serviço em unidades básicas de saúde, situadas em pontos estratégicos, a fim de vincular as adolescentes pois, a distância foi relatada como um dos maiores dificultadores para a realização do pré-natal, promovendo assim a descentralização do atendimento tornando-o mais acessível; ou enquanto não ocorrer a criação dos serviços, disponibilizar mecanismos para transporte até o centro de referência.


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