Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 15 nº 1 - Jan/Mar - 2018

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Páginas 7 a 17


Conhecimento sobre as infecções sexualmente transmissíveis por estudantes adolescentes de escolas públicas

Knowledge about the sexually transmitted infections by adolescents students of public schools


Autores: Oliveira Carvalho1; Raydelane Grailea Silva Pinto2; Márcia Sousa Santos3

1. Graduação em Enfermagem pela Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão (FACEMA). Caxias, MA, Brasil
2. Pós-graduada em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Esportiva pela Faculdade Einstein (FACEI). Pós-graduanda em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Graduação em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão (FACEMA). Preceptora na Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Caxias, MA, Brasil
3. Mestre em Saúde da Família pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI (UNINOVAFAPI). Enfermeira da Secretaria Municipal da Saúde de Caxias. Professora na Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão (FACEMA) e Diretora da Maternidade Carmosina Coutinho. Caxias, MA, Brasil

Correspondência:
Gardenia Raquel de Oliveira Carvalho
Rua Manoel Gonçalves, 1385
Centro. Caxias, MA, Brasil, CEP: 65600-110
(graqueloc@gmail.com)

Recebido em 11/01/2017
Aprovado em 07/04/2017

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Como citar este Artigo

Descritores: Doenças sexualmente transmissíveis, adolescente, conhecimento, vulnerabilidade em saúde.
Keywords: Sexually transmitted diseases, adolescent, knowledge, health vulnerability.

Resumo:
OBJETIVO: Verificar o conhecimento sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e os fatores associados a elas por adolescentes estudantes de escolas públicas do município de Caxias - MA.
MÉTODOS: Estudo descritivo, exploratório, com abordagem quantitativa, realizado com 195 adolescentes de escolas públicas do município de Caxias - MA. Foi utilizado um questionário estruturado composto por perguntas fechadas, contendo informações sobre os dados sociodemográficos dos adolescentes e os conhecimentos a respeito da transmissão e prevenção de IST. Os dados foram analisados através do software estatístico Stata® versão 14.0, considerando uma significância de 5%.
RESULTADOS: Dos 195 adolescentes que participaram da pesquisa, 108 (55,4%) pertenciam ao sexo feminino. A prevalência do conhecimento geral sobre as IST entre os adolescentes foi de 87,7%, onde 99 (57,9%) eram do sexo feminino, com diferença estatisticamente significante em relação ao sexo masculino (P<0,0001).
CONCLUSÃO: Este estudo evidenciou um significante conhecimento dos adolescentes acerca das IST, entretanto, 24% demonstram posicionamentos contrários à colegas portadores de IST/AIDS continuarem frequentando a escola.

Abstract:
OBJECTIVE: Verify the knowledge about the Sexually Transmitted Infections (STI) and associated factors by adolescents from public schools in the Caxias municipality -MA.
METHODS: Descriptive, exploratory study with a quantitative approach, applied to 195 adolescents from public schools in the Caxias municipality - MA. It was used a structured questionnaire composed by closed questions containing sociodemographic data of the adolescents and the knowledge about transmission and prevention of STI. Data were analyzed using statistical software Stata® version 14.0, considering a significance of 5%.
RESULTS: Of the 195 adolescents who participated of this study, 108 (55.4%) were female. The prevalence of general knowledge about STI among the adolescents was 87.7%, of which 99 (57.9%) were female, with a statistically significant difference in relation to males (P<0,0001).
CONCLUSION: This study showed a significant knowledge of adolescents about STIs, however, 24% of them are opposed to colleagues with STI/AIDS attending school.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza a adolescência como o período entre 10 a 19 anos, distinguindo, ainda, a adolescência inicial entre 10 a 14 anos e a adolescência final entre 15 a 25 anos. Esse período da vida se define a partir das características sexuais secundárias, do desenvolvimento de processos psicológicos e de padrões de identificação que evoluem de fase infantil para a adulta, através da transição de um estado para outro de relativa autonomia1.

As transformações da puberdade são características que surgem nas relações sociais e, mesmo as transformações biológicas e fisiológicas, decorrentes de significados atribuídos pelos adultos e pela sociedade. Esta fase não pode ser considerada apenas uma simples faixa etária, pois trata-se da transição para a vida adulta e, portanto, é permeada por decisões biológicas, sociais e principalmente, psicológicas, sendo uma constante busca para encontrar sua real personalidade, manifestando comportamento negligente com o cuidado da saúde, mostrando-se como um grupo vulnerável2,3. A vulnerabilidade se caracteriza por um conjunto de fatores de natureza biológica, epidemiológica, social e cultural, que aumenta ou reduz o risco e/ou a proteção de uma pessoa por circunstância de uma determinada doença4.

Dentre estes riscos, as doenças provenientes das infecções sexualmente transmissíveis (IST) têm sido um fenômeno global, apresentando-se na atualidade como um dos mais importantes problemas de saúde pública. Na adolescência, a não adesão às medidas de prevenção para IST, associada ao início precoce da vida sexual, tornam esta população mais suscetível a estas infecções. O principal método de prevenção das IST é o preservativo. Este é de fácil aquisição e disponibilização gratuita pelos serviços de saúde brasileira, entretanto, há frequentemente uma resistência para adotá-lo nas práticas sexuais, devido à aversão ao seu uso, confiança no parceiro, falta de conhecimento sobre a sua finalidade e benefício, etc5.

Nessa perspectiva, o objetivo desta pesquisa foi verificar o conhecimento sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis por adolescentes estudantes de escolas públicas do município de Caxias - MA.


MÉTODOS

Foi realizado um estudo descritivo do tipo exploratório, com abordagem quantitativa. A população do estudo foi constituída por adolescentes estudantes de escolas públicas do município de Caxias - MA. A amostra foi por conveniência composta por 195 adolescentes que se enquadraram nos critérios de inclusão para este estudo.

Foram incluídos adolescentes de ambos os sexos matriculados nas escolas públicas do município de Caxias - MA, com idade entre 13 e 19 anos. Foram excluídos os adolescentes matriculados nas escolas da zona rural de Caxias - MA; alunos menores de 18 anos cujos pais ou responsáveis não autorizaram sua participação na pesquisa; alunos que não aceitaram participar da pesquisa; os alunos menores de 13 anos, devido à dificuldade na abordagem sobre sexo nessa faixa etária; os que estavam ausentes no momento da aplicação do questionário e os alunos que apresentavam alguma deficiência que incapacitasse a realização da pesquisa.

A coleta dos dados ocorreu entre os meses de agosto e outubro de 2016 durante o intervalo de aulas dos estudantes. Inicialmente, foi realizada uma palestra de conscientização sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e sexo em quatro escolas públicas do município de Caxias - MA e, após esta etapa, foi realizada o esclarecimento dos objetivos/justificativa do estudo e a verificação do interesse dos mesmos em participar da pesquisa.

Os estudantes maiores de 18 anos que aceitaram participar da pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE, no caso dos menores de 18 anos, foi assinado um Termo de Assentimento para Crianças e Adolescentes e o TCLE foi assinado pelos pais dos mesmos.

Posteriormente, estes responderam a um questionário estruturado, composto por perguntas fechadas, contendo informações sobre os dados sociodemográficos dos adolescentes (sexo, idade, raça/cor, religião e estado civil) e os conhecimentos a respeito da transmissão e prevenção de IST. Os questionários foram aplicados em sala de aula sob supervisão da pesquisadora.

Os dados foram organizados e tabulados utilizando o Microsoft Excel versão 2016 para Windows e a análise estatística foi feita por meio do software Stata® versão 14.0 para Windows. A análise univariada foi realizada a partir das características sociodemográficas e comportamentais dos adolescentes, utilizando medidas de frequências absolutas e relativas, médias, mediana, intervalos mínimo e máximo (quartis) e desvio padrão. Para comparar as médias de idade sobre o conhecimento das IST e início da vida sexual entre meninos e meninas, foi utilizado o teste de Mann-Whitney.

Para a análise bivariada dos dados foi empregado o teste Exato de Fischer para verificar associações entre as características sociodemográficas e o conhecimento sobre as IST (variáveis dependentes). Para tanto, considerou-se estatisticamente significantes valores de p ≤ 0,05. A análise multivariada foi feita por meio de regressão logística multinomial (RLM), a qual foi utilizada para obter estimativas de odds ratio (OR) e intervalos de 95% de confiança (IC95%), ajustados para variáveis de confusão: sexo, faixa etária, raça/cor, religião e estado civil. A análise foi feita pela comparação entre os adolescentes que não tinham conhecimento sobre as IST (categoria de referência) e os que conheciam. O critério para a inclusão de variáveis no modelo de RLM foi a constatação de associações estatisticamente significantes entre o conhecimento sobre as IST e as variáveis independentes na análise bivariada. Na análise multivariada, a hipótese de nulidade foi rejeitada quando o valor de p<0,05.

A pesquisa respeitou os aspectos éticos que envolvem os estudos com seres humanos respaldada na resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que institui as normas de pesquisa em saúde e aprovada sob parecer nº CAAE: 60173816.4.0000.8007.


RESULTADOS

Dos 195 adolescentes que participaram da pesquisa, 108 (55,4%) pertenciam ao sexo feminino e 107 (54,9%) apresentavam idade entre 16-19 anos, com média de 15,8 ± 1,8 anos e mediana de 16 anos (Q1 14; Q3 17). Quanto à cor/ raça, 112 (57,4%) se autodeclararam pardos. Em relação à religião, 96 (49,2%) eram católicos e sobre o estado civil, 152 (77,9%) eram solteiros. A faixa etária apresentou associação estatisticamente significante com conhecimento sobre as IST (P=0,001) (Tabela 1).




Acerca do conhecimento geral sobre as IST, 171 (87,7%) responderam conhecê-las, dos quais 99 (57,9%) eram do sexo feminino, com diferença estatisticamente significante em relação ao sexo masculino (P<0,0001). Em relação às pessoas vulneráveis às IST, 169 (86,7%) adolescentes responderam que qualquer pessoa que tenha relação sexual sem uso do preservativo (com parceiro fixo ou casual) pode contraí-las.

Quando questionados sobre as chances de se contrair outra IST e o vírus da AIDS quando já se tem uma IST instalada, 113 (57,9%) adolescentes disseram que essas chances aumentariam. Pode-se evidenciar que 177 (90,8%) adolescentes conheciam alguma IST, e maioria deles (75,9%) disse que o colega portador IST/AIDS deve continuar frequentando a escola. Sobre os métodos de prevenção contra as IST,162 (82,1%) apontaram o preservativo como o método de prevenção mais eficaz. Quase a totalidade dos adolescentes (91,8%) disseram que o preservativo deve ser usado em todas as relações sexuais (Tabela 2).




As IST mais conhecidas pelos adolescentes estão demonstradas na Figura 1, onde observou-se que a maioria deles (73,3%) conhecem o HIV/AIDS.


Figura 1. Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) mais conhecidas pelos adolescentes estudantes de escolas públicas de Caxias - MA, 2016.



A maioria dos adolescentes (51,8%) afirmou receber informações sobre as IST na escola. As demais fontes de informações sobre as IST estão descritas na Figura 2.


Figura 2. Fontes de informações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) dos adolescentes estudantes de escolas públicas de Caxias - MA, 2016.



A Tabela 3 apresenta os resultados da análise multinomial, onde verificou-se associação estatisticamente significante entre o conhecimento sobre as IST, a faixa etária P<0,001), o
conhecimento de alguma IST (P=0,002), o questionamento sobre o dever do adolescente portador do vírus de IST/AIDS continuar indo à escola (P<0,001) e o questionamento sobre o dever dos adolescentes de usar preservativo em todas as relações sexuais (P=0,047).




DISCUSSÃO

O conhecimento dos adolescentes sobre as IST, no geral, foi bom (87,7%), destacando que 81,5% destes tinham conhecimentos corretos sobre as IST e as formas de transmissão. Resultado equivalente foi encontrado por Costa et al. 5, onde verificaram que 81% dos adolescentes entrevistados tinham conhecimentos sobre as IST. Outros estudos verificaram prevalências maiores de conhecimentos sobre as IST (96,8%, 94,9% e 91%, respectivamente)6-8 .

As meninas demonstraram maior conhecimento sobre as IST do que os meninos, com diferença estatisticamente significante (P<0,0001), corroborando o estudo de Anjos et al. 9 realizado em Peruíbe - SP, com 207 estudantes de escolas públicas, onde verificaram que as meninas mostraram mais conhecimento sobre as IST do que os meninos. Entretanto, uma pesquisa realizada por Sychareun et al.10 com 483 adolescentes, contraria os achados do presente estudo, onde verificou-se que os meninos (60,2%) tinham maior conhecimento sobre as IST, com diferença estatisticamente significante em relação às meninas. Essa diferença em relação ao presente estudo pode ser devido ao tamanho da amostra, duas vezes maior, utilizada pelos autores asiáticos e por diferenças culturais. Em relação à faixa etária, observou-se que os adolescentes com idade entre 16-19 anos tinham maior conhecimento sobre as IST, o que demonstra que esse nível de conhecimento aumenta com o passar dos anos.

Em relação às formas de transmissão das IST, a maioria dos adolescentes (86,7%) disse que qualquer pessoa que tenha relação sexual sem uso do preservativo (com parceiro fixo ou casual) pode contrair uma IST, mostrando um bom nível de conhecimento. Estes resultados são semelhantes a outros estudos8,9,11, os quais verificaram que 91%, 93,8% e 94,7% dos adolescentes, respectivamente, relataram que qualquer pessoa que faça sexo sem uso do preservativo pode contrair uma IST.

Segundo Oliveira-Campos et al.12, mesmo com divulgação na mídia e informação, os adolescentes e jovens ainda possuem dúvidas sobre a prevenção da transmissão das IST e certa resistência ao uso do preservativo, tornando-se vulneráveis e aumentando as incidências da doença.

Boa parte dos adolescentes disse que os colegas portadores de IST/AIDS devem continuar frequentando a escola (75,9%), o que mostra uma boa aceitação dos colegas com os que se encontram em situação de infecção por IST. Anjos et al. 9 também verificaram que os adolescentes concordam que o colega portador de IST/AIDS deve continuar frequentando a escola, porém, com uma prevalência maior de aceitação (81,6%). Aqueles que responderam negativamente a essa questão podem ter receio de contágio, provavelmente por apresentarem conhecimento insuficiente sobre as IST e suas formas de transmissão. Sychareun et al.10 verificaram em seu estudo que 40% dos adolescentes achavam que podiam contrair uma IST simplesmente compartilhando o mesmo copo com um colega infectado.

A maioria dos adolescentes (83,1%) sabia que o preservativo é o melhor método de prevenção contra as IST, o que pode ser confirmado por estudos prévios5,9,13,14, os quais verificaram que 99,3%, 95,2%, 98,8% e 83,5% dos adolescentes, respectivamente, indicaram o preservativo como o método de prevenção mais efetivo contra as IST. Quase todos os adolescentes (91,8%) afirmaram que o preservativo deve ser usado em todas relações sexuais, estando associado significativamente ao conhecimento sobre as IST (P=0,024), resultado também observado nos estudos de Costa et al.5 (81%) e Chaves et al.8 (91,4%). Isso mostra que os adolescentes estão cientes da importância e necessidade do uso desse método como meio de proteção contra as IST.

Costa et al.5 explicam que apesar do benefício evidente do preservativo, ainda é frequente a resistência dos adolescentes em adotá-lo nas práticas sexuais, pelo fato de não gostarem de usá-lo, por confiarem no parceiro e pela ocorrência de sexo casual com parceiros aleatórios. Segundo Anjos et al.9, para a mulher, a vulnerabilidade aumenta devido à falta de poder de negociação e controle sobre a relação, visto o machismo que ainda é presente na sociedade. Para o homem, a pressão social para estar sempre pronto para o sexo aumenta sua vulnerabilidade, assumindo um papel de descontrole sobre seus impulsos.

A IST mais conhecida pelos adolescentes é o HIV/AIDS (73,3%), corroborando os estudos de Theobald et al.6 e Vonk, Bonan e Silva15, os quais verificaram que o HIV/AIDS era a IST mais conhecida por 92,3% e 88,5% dos adolescentes, respectivamente. A fonte onde mais frequentemente os adolescentes recebiam informações sobre as IST foi a escola (51,8%), o que foi corroborado por outros autores6,11,14,15, cuja escola foi reportada por 78,9%, 76,7%, 63,9% e 58,5% dos adolescentes, respectivamente, como o local onde eles mais obtêm informações sobre as IST. De acordo com Oliveira-Campos et al. 12, a maioria dos adolescentes passa a maior parte do seu tempo na escola, onde os contatos sociais e grupos de convívio são estabelecidos e mantidos. Os autores relatam que um bom envolvimento com a escola afeta positivamente comportamentos em saúde, pois escolas contribuem para a saúde do adolescente indiretamente, por meio de sua organização, desenvolvimento do currículo e prática pedagógica, e diretamente, por meio de programas educacionais relacionados à saúde.

A escola tem papel fundamental em auxiliar na detecção de práticas que tornem o adolescente vulnerável, e participa diretamente na elaboração das ações educativas que visem à promoção da saúde do escolar. As atividades educativas em saúde devem ser estruturadas de acordo com o contexto sociocultural vivenciado pelo adolescente, a fim de potencializar seu êxito. Tais estratégias podem ocorrer sob a forma de palestras, oficinas, rodas de conversa, diálogos, entre outras atividades que permitam ao adolescente trocar experiências e esclarecer as suas dúvidas5. Rodrigues et al.16 argumentam que essas ações educativas podem desmistificar algumas crenças e valores que têm em torno desses temas. Mas para isso, faz-se necessário um envolvimento entre profissionais de saúde, educadores, familiares e comunidade

Na análise de regressão logística multinomial, evidenciou-se que os adolescentes que afirmaram não conhecer nenhuma IST apresentaram chances significativamente menores (OR=0,22; IC95%: 0,07-0,75; P=0,002) de terem conhecimentos corretos sobre as IST do que aqueles que afirmaram conhecer ao menos uma IST. Os que disseram que o adolescente portador de IST/HIV não devem continuar frequentando a escola têm chances de apenas 0,18 (0,07-0,44) vezes de conhecerem o real significado do que são as IST. As chances diminuem mais ainda (OR=0,07; IC95%: 0,01-0,59) quando comparados aos que disseram que a IST é uma doença que se pega com profissionais do sexo e homossexuais (P<0,001). Os adolescentes que afirmaram que o preservativo não deve ser usado em todas as relações sexuais apresentam chances mínimas (OR=0,23; IC95%: 0,07-0,75) de terem conhecimento sobre as IST em relação aos que afirmaram que o preservativo deve ser usado em todas as relações sexuais (P=0,047).

As limitações deste estudo referem-se ao fato de não terem sido investigados o uso de álcool, cigarro e drogas ilícitas e o comportamento dos adolescentes quanto ao número de parceiros sexuais, tipo de prática sexual e tipo de relação afetiva, visto que estes fatores são descritos na literatura como fatores associados à vulnerabilidade e conhecimento dos adolescentes acerca das IST.


CONCLUSÃO

O estudo evidenciou um bom conhecimento demonstrado pelos adolescentes acerca das IST, sendo que este conhecimento é adquirido pela maioria deles na escola. Em contrapartida, ainda há uma parcela de adolescentes que têm posicionamentos contrários à aceitação de colegas portadores de IST/AIDS continuarem frequentando a escola, demonstrando um conhecimento duvidoso ou insuficiente acerca dessas doenças e, por vezes, um comportamento preconceituoso.


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