Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 15 nº 2 - Abr/Jun - 2018

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Páginas 102 a 112


Uso de métodos anticoncepcionais entre adolescentes de ensino médio

Use of contraceptive methods among high school adolescents

Uso de métodos anticonceptivos entre adolescentes de enseñanza media


Autores: Angela Ferreira da Silva1; Maria Helena Baena de Moraes Lopes2

1. Enfermeira. Doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) na Faculdade de Enfermagem (FENF). Campinas, SP, Brasil
2. Enfermeira. Doutora em Genética e Biologia Molecular e Professora Titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) na Faculdade de Enfermagem (FENF). Campinas, SP, Brasil

Angela Ferreira da Silva
Rua Afonso Celso de Souza Matthes, nº100, Residencial Green Ville
Poços de Caldas, MG, Brasil. CEP: 37.704-800
(angelafesi@yahoo.com.br)

Submetido em 13/12/2017
Aprovado em 29/01/2018

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Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente, sexualidade, anticoncepção.
Keywords: Adolescent, sexuality, contraception.
Palabra Clave: Adolescente, sexualidad, anticoncepción.

Resumo:
OBJETIVO: Descrever a frequência e características do uso de métodos anticoncepcionais (MAC) e atividade sexual entre adolescentes do ensino médio.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo descritivo e transversal com a utilização de um questionário, aplicado a 1.193 adolescentes.
RESULTADOS: Verificou-se que 41,1% dos adolescentes iniciaram as atividades sexuais entre 13 e 15 anos de idade. A maioria usou algum método anticoncepcional na primeira relação sexual (91,1% das mulheres e 82% dos homens). O método mais utilizado foi o preservativo masculino. Os adolescentes buscaram informações para a escolha do MAC através de sugestões da família, ou do (a) companheiro (a) e de informações dadas pelo médico e outros profissionais da saúde.
CONCLUSÃO: Embora grande parte dos adolescentes tenha iniciado a vida sexual, a maioria usou o preservativo como método anticoncepcional, separadamente ou em combinação com a pílula. Os adolescentes foram influenciados em sua escolha principalmente pela família.

Abstract:
OBJECTIVE: Describe the frequency, characteristics of contraceptive use (MAC) and sexual activity among high school adolescents.
METHODS: A descriptive and cross-sectional study was carried out with the use of a questionnaire applied to 1,193 adolescents.
RESULTS: It was verified that 41.1% of adolescents started sexual activities between 13 and 15 years old. Most used contraception at the first intercourse (91.1% of women and 82% of men). The most commonly used method was the male condom. Adolescents seek information for choosing MAC through family or companion suggestions and information given by their doctor and other health care professionals.
CONCLUSION: Although most adolescents started their sexual lives, most use condoms as a contraceptive method, used separately or in combination with the pill. The adolescents were mainly influenced by their families.

Resumen:
OBJETIVO: Describir la frecuencia y características del uso de métodos anticonceptivos (MAC) y la actividad sexual entre adolescentes de enseñanza media.
MÉTODOS: Fue realizado un estudio descriptivo y transversal con la utilización de un cuestionario, aplicado a 1.193 adolescentes.
RESULTADOS: Se verificó que el 41,1% de los adolescentes iniciaron las actividades sexuales entre 13 y 15 años de edad. La mayoría usó algún método anticonceptivo en la primera relación sexual (91,1% de las mujeres y el 82% de los hombres). El método más utilizado fue el preservativo masculino. Los adolescentes buscaron información para la elección del MAC a través de sugerencias de la familia, o del compañero (a) y de informaciones dadas por el médico y otros profesionales de la salud.
CONCLUSIÓN: Aunque gran parte de los adolescentes han iniciado la vida sexual, la mayoría usó el condón como método anticonceptivo, por separado o en combinación con la píldora. Los adolescentes fueron influenciados en su elección principalmente por la familia.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe uma mudança estratégica de atuação do profissional de saúde em relação ao adolescente, dentro do enfoque da promoção da saúde e de participação juvenil efetiva, apontando a necessidade de se refletir sobre a questão da anticoncepção. Torna-se então fundamental que os serviços de saúde no nível primário de atenção estejam estruturados a partir da lógica dos preceitos de promoção de saúde e prevenção de danos1.

A adolescência, segundo a OMS, corresponde à segunda fase da vida e situa-se de 10 a 19 anos, sendo que este período pode ser dividido em duas etapas: 10 a 14 anos e 15 a 19 anos1.

A discussão do tema anticoncepção com os adolescentes é extremamente importante para a promoção de sua saúde e prevenção de doenças, sendo um problema de saúde pública, que traz complicações não somente aos adolescentes, mas também à criança, à família e a toda a sociedade.

Estudos que avaliem o uso de anticoncepcionais entre adolescentes em escolas públicas de ensino médio no Sul de Minas Gerais não foram identificados. Tais estudos poderiam subsidiar estratégias de intervenção no momento em que pode haver o início da vida sexual, contribuindo para que os adolescentes possam tomar decisões de forma consciente e informada. Para tanto, é preciso conhecer quais métodos são os mais utilizados e como buscam informações sobre o assunto, o que pode diferir entre populações devido ao seu perfil.

Frente a isso, o presente estudo objetivou descrever a frequência e características do uso de métodos anticoncepcionais e atividade sexual entre adolescentes do ensino médio de escolas públicas de Poços de Caldas, Minas Gerais.


MÉTODO

Foi realizado um estudo descritivo e transversal, com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada no período entre maio e julho de 2011, em Poços de Caldas, cidade do interior de Minas Gerais, localizada na região sudoeste do estado. De acordo com o IBGE, Poços de Caldas possui uma população estimada de 166.085 habitantes4.

A população de estudo foi composta por adolescentes matriculados em escolas públicas de ensino médio. Haviam 3034 adolescentes matriculados, destes, 747 não preencheram os critérios de inclusão e houve a recusa em participar da pesquisa da Escola Municipal (n=464), 1823 receberam o TCLE, 620 não devolveram o TCLE assinado e 1203 devolveram o TCLE e receberam o questionário, destes, 10 não devolveram o questionário e 1193 responderam e devolveram o questionário, dos quais estes últimos compuseram a amostra da pesquisa.

Foram incluídos os alunos de ambos os sexos, com idade de 14 a 19 anos e que estudavam no período diurno. Foram excluídos os alunos que recusaram participar do estudo, não estavam presentes nos dias em que foi autorizada a coleta de dados e aqueles que não devolveram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou o questionário.

Para a determinação do tamanho amostral, a fim de facilitar os cálculos, considerou-se uma população de 3.000 sujeitos, representando os adolescentes de ensino médio de escolas públicas, o nível de significância estatística de 5% e um erro amostral de 6%, para uma amostra estratificada por sexo, com igual proporção, resultando em 384 adolescentes por sexo5. A proporção de 50% foi assumida por gerar a maior amostra necessária, sendo assim, a amostra não seria subestimada.

A autorização da Secretaria Municipal de Educação e Superintendência Regional de Ensino para a coleta de dados dentro das escolas e dos diretores de cada escola pública de ensino médio foi solicitada para a realização da pesquisa. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e devidamente aprovada por meio do Parecer CEP nº 1195/2010, CAAE: 6521.0.000.146-10. Vale salientar que, na época em que o projeto foi aprovado, não era exigida a assinatura do Termo de Assentimento e a tramitação não era realizada pela Plataforma Brasil.

Foi utilizado o questionário "Locus de controle, conhecimento, atitude e prática do uso de pílula e preservativo entre adolescentes universitários", após autorização da autora, que fornece, dentre outros, dados referentes a características sociodemográficas (idade, sexo, cor ou raça, religião, trabalho remunerado, renda familiar, presença de companheiro, com quem mora) e características da vida sexual (idade de início da atividade sexual, o uso de MAC na primeira relação sexual, idade de início de uso de MAC, uso atual de MAC, número de gravidezes e influências na escolha do método)(6).

Para garantir o sigilo dos respondentes, cada escola foi identificada através de um código alfabético (por exemplo: A, B, C, D e assim por diante). A pesquisadora manteve para seu controle a listagem contendo os códigos das respectivas escolas.

Foi feito um contato inicial com a classe para a exposição do projeto e entrega do TCLE para os adolescentes, para que os pais assinassem a autorização no caso de menores de idade. A data de retorno do termo para a coleta de dados também foi combinada nesse primeiro contato para dois dias após o contato inicial. Neste momento, o participante recebia informações sobre a pesquisa, bem como, sobre a opção de não participar ou desistir a qualquer momento.

Os adolescentes foram abordados em suas respectivas salas de aula, após autorização do professor, sob supervisão da pesquisadora. Foi entregue o questionário autoexplicável aos alunos, e ao final do preenchimento, os alunos colocaram o questionário em um único envelope identificado apenas pelo código alfabético correspondente à escola.

Foi criado um banco de dados no programa Excel, 2007, 6.0 da Microsoft Corporation® para a realização das análises estatísticas. As características sociodemográficas da amostra e as respostas referentes ao método anticoncepcio anticoncepcional foram analisadas descritivamente, por meio do cálculo das frequências absolutas (n) e relativas (%) das variáveis.


RESULTADOS

As características sociodemográficas do grupo estudado estão apresentadas na Tabela 1. Dentre os 1193 adolescentes, 62,8% eram do sexo feminino e 37,2%, do masculino. A idade variou de 14 a 19 anos, sendo a de maior frequência 16 anos (36,5% das mulheres e 33,9% dos homens). A maioria dos entrevistados era do sexo feminino (62,8%), de cor branca (54,6% das mulheres e 51,2% dos homens), de religião católica (58% e 53,7%, das mulheres e homens, respectivamente), não trabalhava (72,7% das mulheres e 56,4% dos homens) e morava com a família (96,4% das mulheres e 96,6% dos homens). Dentre os 494 adolescentes que haviam iniciado atividade sexual, 41,4% eram do sexo feminino e 49,2%, do masculino.




Quanto às características sexuais, 41,3% das adolescentes e 28,5% dos adolescentes declararam não ter companheiro no momento da pesquisa e 63,7% das mulheres e 50,8% dos homens relataram que ainda não haviam iniciado a atividade sexual conforme mostrado na Tabela 2.




Com relação ao uso de MAC na primeira relação sexual, considerando apenas os 487 adolescentes que responderam a essa questão, um total de 388 (91,1% das mulheres e 82% dos homens) fizeram uso de algum MAC. A idade de início do uso do MAC variou de 9 a 19 anos e a faixa etária predominante foi de 13 a 15 anos (58,5% e 62%, entre adolescentes do sexo feminino e masculino). A maioria dos adolescentes fez uso atual de algum MAC (81,4%, sexo feminino e 82%, sexo masculino).

A frequência das relações sexuais foi de duas a quatro vezes por semana (84,5% para elas e 87,7% para eles). Foram relatados nove casos de gravidez, ocorrendo mais frequentemente na idade de 14 anos (37,5%), sendo que a menor idade foi de 11 anos e maior, de 17 anos. Três gestações evoluíram para aborto (espontâneo), três evoluíram para partos normais e três para operação cesariana.

Na Tabela 3 são apresentados os métodos utilizados na primeira relação sexual. O método que predominou foi o preservativo masculino (66,6%), seguido da combinação do preservativo masculino e pílula anticoncepcional (8%). Os métodos mais utilizados pelos adolescentes no momento do estudo foram também o preservativo masculino (59,9%), a pílula anticoncepcional (14%) e a combinação do preservativo masculino e pílula anticoncepcional (10,3%).




O questionário apresentou diversas opções de resposta para a pergunta referente ao motivo do não uso de MAC, a saber: eu não gosto; meu parceiro/minha parceira não gosta; não sei como conseguir um método; custa caro; acho que os métodos fazem mal à saúde; eu não sei usar nenhum método para evitar a gravidez; tenho medo de que alguém da minha família descubra; não pensei na hora; quero engravidar/ quero que minha parceira engravide; achava que não corria risco de engravidar; isto é responsabilidade do (a) meu (minha) parceiro (a) e por último, "outro", devendo-se neste caso informar qual o(s) motivo(s). O motivo mais citado pelos adolescentes para o não uso de MAC na primeira relação sexual foi "não pensou na hora" (59,4%). Quanto ao motivo para não usar algum MAC atualmente, 29% responderam "outro" como justificativa, mas não informaram qual o motivo, ou "não gosto" (23,2%).

Na Tabela 4 é apresentado que, dos 379 adolescentes que usavam MAC no momento do estudo, 292 (77,0%) disseram que haviam sido influenciados na escolha do método atual. Notou-se a importância da sugestão da família (38,3% das mulheres e 52,3% dos homens), bem como do companheiro (32,1% e 19,2%, respectivamente) e as informações dadas pelo médico/profissionais da saúde (25,9% e 22,3%).




A Tabela 5 mostra a distribuição dos adolescentes de acordo com a idade de início da atividade sexual e idade de início do uso de MAC. Dentre os 494 adolescentes que iniciaram atividades sexuais, considerando apenas os que responderam às questões, 63,8% (173/271) dos adolescentes do sexo feminino e 65,3% (141/216) do sexo masculino tinham entre 13 e 15 anos quando iniciaram as relações sexuais. Nessa mesma faixa etária 58,4% (90/154) dos adolescentes do sexo feminino e 62% (72/116) do masculino iniciaram o uso do MAC, sendo que 45,3% (224/494) dos adolescentes não responderam a essa última questão.




DISCUSSÃO

No grupo estudado, 41,1% dos adolescentes haviam iniciado as atividades sexuais, e tiveram a primeira relação sexual na faixa etária de 13 a 15 anos, para ambos os sexos. Um estudo com adolescentes realizado no Piauí encontrou resultados semelhantes: os adolescentes iniciaram as atividades sexuais com a idade média de 15 anos7, o que corrobora com o estudo com adolescentes em Cuiabá8. Outro estudo também realizado no Piauí com adolescentes graduandos de enfermagem, a coitarca foi de aproximadamente 17 anos9. Já o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA)10 que é um estudo transversal, nacional e de base escolar, indicou que em 32 estratos geográficos do País, 28,1% dos adolescentes haviam iniciado as atividades sexuais, com maior prevalência aos 17 anos (56,4%), esses dados corroboram com o estudo realizado com graduandos de enfermagem acima citado.

O início da relação sexual precoce entre os jovens pode resultar em uma gravidez indesejada e não planejada11, por isso torna-se importante o uso de algum MAC, não somente na primeira relação, mas em todas. De fato, dados recentes do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde, mostraram redução de 17% de gravidez na adolescência, provavelmente relacionada ao maior acesso a métodos anticoncepcionais, dentre outras ações12. No presente estudo, 91,1% das mulheres e 82% dos homens utilizaram algum MAC na sua primeira relação sexual, frequências bem superiores às encontradas entre adolescentes grávidas de um Centro de Saúde de Sobradinho II, no qual apenas 54% das adolescentes utilizaram algum MAC13.

Um estudo com 295 adolescentes universitários de uma cidade do interior de São Paulo mostrou que 48,8% tinham iniciado atividade sexual, sendo que 91,7% relataram ter usado mostrou que 48,8% tinham iniciado atividade sexual, sendo que 91,7% relataram ter usado um método anticoncepcional (MAC) na primeira relação2. O método mais utilizado foi o preservativo e este em combinação com a pílula. Os adolescentes foram influenciados para o uso do MAC pelo médico ou profissional de saúde (53,4%), e pelos meios de comunicação (30,2%)2.

Outro estudo realizado com adolescentes de uma escola pública em São José, SC, revelou, em concordância com o estudo anterior, que os métodos mais utilizados são o preservativo e a pílula. Eles recebiam informações sobre MAC da escola, amigos e familiares, mas demonstravam insegurança e falta de informações sobre qual método era mais seguro ao iniciarem as atividades sexuais3.

Com relação ao uso atual de algum MAC, 81,4% e 82% dos jovens (mulheres e homens, respectivamente) o faziam, corroborando com a pesquisa realizada em Patos de Minas em escolas do ensino médio da rede pública e privada, onde 85% dos jovens da rede pública de ensino faziam uso de preservativo masculino e 89% na escola particular14 e com o ERICA (82,3%)10.

Dentre os métodos mais utilizados na primeira relação sexual, usados separadamente ou combinados, destacaram-se o preservativo masculino, seguindo da pílula anticoncepcional. Estes dados confirmam o que já foi relatado em outros estudos8,13-15.

Com relação à justificativa para o não uso de algum MAC, o estudo com adolescentes de instituições públicas de Santa Maria, RS, evidenciou que 30% das jovens achavam que não fossem engravidar, 28% tinham medo que os pais descobrissem, 28% alegaram que namoravam há algum tempo e 24% nem pensavam em usar contraceptivos16. No presente estudo o principal motivo (59,4%) foi não ter pensado em algum método naquele momento (na primeira relação sexual).

O número elevado de adolescentes que deixaram de responder (45,3%) não permitiu avaliar se houve diferença significativa entre a idade de início da atividade sexual e a idade de início de uso do MAC, embora tenha sido constatado que a grande maioria praticou o sexo seguro na primeira relação e após.

No presente estudo, verificou-se que os adolescentes buscavam informações para a escolha do MAC através de sugestões da família, ou do (a) companheiro (a) e de informações dadas pelo médico e outros profissionais da saúde. No estudo com adolescentes de escola pública e privada sobre métodos contraceptivos foi evidenciado que a maioria dos alunos da escola pública buscava informações sobre sexualidade com os pais (39%), amigos (39%), enquanto que na escola privada, buscavam informações na escola (42%) e internet (41%)14. Diante disso, notou-se que a família é uma importante fonte de informação, visto que 54% dos alunos de escolas públicas falam abertamente sobre sexualidade com os pais, contra 39% das escolas privadas14. Dados existentes nas pesquisas citadas anteriormente diferem do estudo realizado na Nigéria com adolescentes, onde a maior fonte de informação mostrou ser a internet (91%) e mídia (89,3%)17. Em outro estudo realizado em Teresina, os adolescentes têm como fonte de informação sobre planejamento familiar os profissionais de saúde, família e companheiro18.

Comparando os dados deste estudo com outro que utilizou o mesmo questionário entre adolescentes universitários2, observou-se que alguns dados são semelhantes, enquanto outros diferem. Quanto às semelhanças, a grande maioria fez uso de MAC na primeira relação sexual (91,7%); o método mais utilizado também foi o preservativo masculino, na primeira relação sexual (66%) e no momento da coleta de dados (38,3%). Quanto às diferenças, o principal motivo para o não uso de MAC atualmente, entre os universitários, era que "não tem relação sexual" (40,0%) e no presente estudo foi "não gosto" o motivo mais citado (23,3%). Os adolescentes universitários responderam que livros, revistas, televisão, internet e informações dadas pelos profissionais de saúde tinham influenciado sua escolha de MAC. Já no presente estudo, a família e o(a) companheiro(a) foram os mais frequentemente citados. É possível que a diferença de faixa etária (13 a 15 vs 17 a 19 anos) e nível de escolaridade possam explicar essas diferenças, além do meio cultural, procedência e outras, sendo necessários novos estudos que investiguem essas variáveis.

O estudo contribuiu para traçar um perfil da população estudada, o que poderá ser útil para futuros estudos de intervenção. Contudo apresenta a limitação de ser um estudo transversal, não permitindo análises mais aprofundadas. Além disso, o fato dos alunos não terem respondido a algumas questões em percentual relativamente elevado, não permitiu outras comparações.


CONCLUSÃO

A maioria dos adolescentes participantes do estudo fez uso de MAC, sendo o preservativo masculino, usado separadamente ou em combinação com a pílula e/ou outros métodos, o MAC mais utilizado. Embora grande parte dos adolescentes tenha iniciado a vida sexual, a maioria usou MAC e foi influenciada em sua escolha principalmente pela família e companheiro (a).

Frente ao exposto, recomenda-se realizar a educação sexual nas escolas, mas considerando a tríade: educadores, familiares e profissionais da saúde. Pois a família tem um papel importante de não apenas transmitir informações, mas valores; os profissionais de saúde, transmitem informações corretas e atualizadas; e os educadores, oferecem estratégias que permitem que os adolescentes se sintam acolhidos e participantes do processo de aprendizagem.


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