Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 15 nº 4 - Out/Dez - 2018

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Páginas 82 a 91


Métodos de avaliação para predição da composição corporal utilizados em adolescentes com síndrome de Down: uma revisão sistemática

Evaluation methods for predicting body composition used in adolescents with Down syndrome: a systematic review

Métodos de evaluación para predicción de la composición corporal utilizados en adolescentes con síndrome de Down: una revisión sistemática


Autores: Geiziane Leite Rodrigues Melo1; Rafael dos Reis Vieira Olher2; Luiz Humberto Rodrigues Souza3; Rodrigo Vanerson Passos Neves4; Tânia Mara Vieira Sampaio5; Milton Rocha Moraes6

1. Bacharel e Licenciatura em Educação Física e Mestranda em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Brasília, DF, Brasil
2. Mestre em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Doutorando em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física pela UCB. Brasília, DF, Brasil
3. Mestre em Educação Física e Doutorando em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Brasília, DF, Brasil. Docentedo curso de Educação Física no DEDC/XII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Guanambi, BA, Brasil
4. Doutorando em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Membro do Grupo de Estudos em Treinamento de Força na Saúde e Reabilitação da UCB e do Grupo de Estudos em Educação Física e Esportes do Centro Universitário Estácio Brasília. Brasília, DF, Brasil
5. Pós-Doutorado em Estudos do Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Belo Horizonte, MG, Brasil. Docente no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) - Campus Luziânia. Membro do Conselho Editorial da Editora do IFG. Luziânia, GO, Brasil
6. Pós-Doutorado concluído no programa de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP, e desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas-ICB-IV. São Paulo, SP, Brasil. Professor permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física (CAPES nota 4) e do curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília (UCB). Brasília, DF, Brasil

Geiziane Leite Rodrigues de Melo
Universidade Católica de Brasília
Brasília, DF, Brasil. CEP: 71966-700
(geizianemelo93@gmail.com)

Submetido em28/05/2018
Aprovado em 30/07/2018

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Scielo

Medline

Como citar este Artigo

Descritores: Antropometria, obesidade, deficiência intelectual, Síndrome de Down.
Keywords: Anthropometry, obesity, intellectual disability, Down Syndrome.
Palabra Clave: Antropometría, obesidad, deficiencia intelectual, Síndrome de Down.

Resumo:
OBJETIVO: Analisar os métodos de avaliação da composição corporal em crianças e adolescentes com síndrome de Down como ferramenta de predição a obesidade.
METODOLOGIA: Estudo de revisão sistemática utilizando as seguintes bases de dados (Pubmed/MedLine, Scopus, Scielo e Lilacs). A busca dos artigos ocorreu por meio dos seguintes descritores em português, inglês e espanhol: "Obesidade" e "Síndrome de Down". Os critérios de inclusão foram: ser artigo original e amostra de crianças e adolescentes.
RESULTADO E DISCUSSÃO: 21 artigos contemplaram aos critérios propostos. Os métodos de avaliação mais utilizados foram dobras cutâneas (DC) presentes em 8 estudos, seguida pelo absortometria radiológica de dupla energia (DEXA) com 5 estudos. Com relação às equações utilizadas para predizer a percentagem de gordura (%G) por meio da DC, a mais utilizada foi Slaughter et al. (1988) que foi considerada uma boa preditora para determinar obesidade em adolescentes com SD, e o índice de massa corporal (IMC) presente em todos artigos.
CONCLUSÃO: O IMC foi menos preciso na avaliação da composição corporal quando comparado a DC e ao DEXA. Com relação à deficiência intelectual, a revisão mostrou que ela influencia na obesidade de adolescentes, de modo que sugere maior atenção a esse grupo quanto à alimentação e atividade física.

Abstract:
OBJECTIVE: Analyze the methods of evaluation of body composition in children and adolescents with Down syndrome as a tool to predict obesity.
METHODOLOGY: Systematic review study using the following databases (Pubmed / MedLine, Scopus, Scielo and Lilacs). The search for the articles occurred through the following descriptors in Portuguese, English and Spanish: "Obesity" and "Down Syndrome". The inclusion criteria were: original article and sample of children and adolescents.
RESULT AND DISCUSSION: 21 articles contemplated the proposed criteria. The most commonly used methods of evaluation were skinfolds present in 8 studies, followed by dual energy radiological absorptiometry (DXA) with 5 studies. With respect to the equations used to predict the percentage of fat (% G) by means of the skinfolds, the most used was Slaughter et al. (1988) is a good predictor for obesity in adolescents with DS, and body mass index (BMI) present in all articles.
CONCLUSION: The BMI was less accurate in assessing body composition when compared to DC and DEXA. Regarding the intellectual disability, the revision shown that it influences adolescent obesity, so it suggests greater attention to this group regarding food and physical activity.

Resumen:
OBJETIVO: Analizar los métodos de evaluación de la composición corporal en niños y adolescentes con síndrome de Down como herramienta de predicción a la obesidad. Metodología: estudio de revisión sistemática utilizando las siguientes bases de datos (PubMed/Medline, Scopus, SciELO y Lilacs). La búsqueda de artículos se llevó a cabo a través de las siguientes palabras clave en portugués, inglés y español: "Obesidad" y "Síndrome de Down". Los criterios de inclusión fueron: ser artículo original y muestra de niños y adolescentes.
RESULTADO Y DISCUSIÓN: 21 artículos contemplaron los criterios propuestos. Los métodos de evaluación utilizados fueron los pliegues cutáneos (DC) presentes en ocho estudios, seguido por la absorciometría radiológica de doble energía (DEXA) con 5 estudios. Con respecto a las ecuaciones utilizadas para predecir el porcentaje de grasa (% G) por medio de la DC, el más utilizado fue Slaughter et al. (1988), que se considera un buen predictivo para determinar la obesidad en adolescentes con SD, e índice de masa corporal (IMC) presente en todos los artículos.
CONCLUSIÓN: El IMC fue menos preciso en la evaluación de la composición corporal en comparación con la DC y el DEXA. Con relación a la deficiencia intelectual, la revisión mostró que ella influye en la obesidad de adolescentes, de modo que sugiere mayor atención a ese grupo en cuanto a la alimentación y actividad física.

INTRODUÇÃO

A incidência da obesidade tem aumentado consideravelmente em todo o mundo1, sendo caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura que tem acometido também crianças e adolescentes com Síndrome de Down (SD)2. A prevalência nesse público pode ser ocasionada pelo aumento do sedentarismo, excesso de ingestão de calorias e nutrientes4, hipotonia muscular, menor taxa metabólica basal3, e doenças secundárias, como hipotireoidismo e apneia do sono4.

Em crianças e adolescentes com SD, quadros elevados de obesidade foram registrados desde a década de 80 até os dias atuais, de maneira que há probabilidade de estes serem adultos obesos1. Segundo Rimmer et al.4, essa incidência vem aumentando em indivíduos com SD, antes de atingirem 20 anos.

A partir desse notório aumento, é razoável inferir que esse crescente quadro de obesidade pode contribuir para o aumento de riscos à saúde3, bem como riscos de co-morbidades, sendo fundamental a prevenção desse quadro no jovem com SD5. Em vista disso, os métodos de avaliação da composição corporal são usados para monitorar o desenvolvimento e crescimento corporal, e também para avaliar a composição corporal de crianças e adolescentes com SD6.

No entanto, hoje existem poucos métodos que estimam a gordura corporal em crianças e adolescentes em comparação aos adultos3. Além disso, coexistem incertezas acerca de sua utilização6 e há um hiato na literatura quando se trata da população com SD. Para Casey6, existem poucos estudos que determinam com confiabilidade e precisão a validade dos métodos de avaliação da composição corporal em pessoas com deficiência intelectual.

Outro fator a ser considerado são as desvantagens em se aplicar métodos indiretos, como pletismografia de deslocamento de ar (ADP); absortometria radiológica de dupla energia (DEXA) e bioimpedância elétrica (BIA). Embora sejam mais precisos e confiáveis quando comparados com métodos duplamente indiretos, por exemplo, dobras cutâneas (DC) e perimetria corporal, apresentam elevado custo financeiro para estimar a gordura corporal em levantamento populacional. Em contrapartida, métodos duplamente indiretos apresentam baixo custo e podem ser aplicados em pesquisa de levantamento populacional7.

Além disso, estudos apontam falhas na aplicação dos métodos de avaliação da composição corporal tanto na população com e sem SD, principalmente com relação ao Índice de Massa Corporal (IMC)5. Sobre isso se reconhece que embora o IMC seja um parâmetro para predição de obesidade mundialmente aceito, há que se notar sua fragilidade como instrumento, haja vista a possibilidade de correlacionar o peso corporal total dentro de uma estimativa absoluta, não diferenciando o peso corporal de massa magra6.

Deste modo, torna-se importante averiguar por meio de uma revisão sistemática os diferentes métodos de análise de composição corporal mais utilizado em crianças e adolescentes com SD para determinação do grau de obesidade.


MÉTODO

A busca foi realizada em periódicos indexados nas bases de dados eletrônicas MEDLINE/PUBMED, LILACS, SCIELO e SCOPUS, sobre os métodos de avaliação da composição corporal mais utilizado em crianças e adolescentes com SD para predizer a obesidade. Os descritores utilizados para a busca eletrônica nas bases de dados foram identificados mediante consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), através do portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A busca foi realizada no período de outubro de 2014 a setembro de 2017, utilizando os seguintes descritores: Síndrome de Down ou Mongolismo e obesidade, combinados com operador and tanto na língua inglesa, espanhola e portuguesa.

Os critérios de inclusão dos estudos para análise foram: artigos de estudos primários quantitativos que tenham investigado a obesidade em crianças e adolescentes com Síndrome de Down; como objetivo principal ou secundário de estudo; estudos publicados entre 2005 e 2017; estudos publicados em português, inglês e espanhol e amostra constituída por crianças e adolescentes.

Como critérios de exclusão foram utilizados os seguintes requisitos: artigos de revisão; artigos repetidos; amostra formada por faixa etária de 0 a 2 anos, adultos e idosos; pesquisa realizada com animais; artigos que tratam de doenças como respiração desordenada do sono, apneia do sono, asma, amigdalectomia, adenoidectomia, adenoiamigdalectomia, Alzheimer, foram excluídos também trabalhos de monografias, dissertações e teses.


RESULTADOS

A figura 1 mostra o fluxograma que contém as etapas do processo de busca e seleção dos artigos incluídos na presente revisão. A partir das palavras-chave foram identificados, inicialmente, 1171 artigos potenciais sendo que as combinações realizadas em cada base de dados foram: Síndrome de Down and obesidade (SCIELO e LILACS); Down Syndrome and obesity (PUBMED e SCOPUS), e Mongolism and obesity (MEDLINE), sendo que o termo mongolismo foi utilizado segundo DeCS como sinônimo, pois a base de dados MEDLINE tem como indexado esse termo. Nessa etapa, 914 foram identificados na base de dados SCOPUS, 142 artigos na MEDLINE, 72 na PUBMED, 34 na LILACS, e nove na SCIELO, e. A partir disso, 21 artigos foram considerados elegíveis para o estudo.


Figura 1. Identificação e seleção dos artigos incluídos na revisão.



Observou que os países que mais publicaram sobre a temática da obesidade para público com SD foram a Espanha e o Estados Unidos da América, cinco e seis respectivamente, sendo que o Brasil contribui com três estudos. A faixa etária variou entre 2 a 20 anos de idade, com amostras entre 22 a 333 indivíduos. A tabela 1 descreve os métodos de avaliação da composição corporal mais utilizado nos estudos revisados, foram eles: DC estavam presentes em 11 estudos, seguida pelo DEXA em seis estudos e os outros métodos (ADP e BIA) em dois trabalhos. Com relação às equações utilizadas para predizer a percentagem de gordura (%G) por meio da DC, as mais utilizadas foram Slaughter et al.14 em oito trabalhos, seguido por Durnin et al.15 e Brook et al.16 Outras equações estavam presentes em outros dois estudos: Johnston et al.17; Durnin e Rahaman18; Weststrate e Deurenberg19. Um aspecto relevante a destacar é que todos os estudos adotaram o IMC para predizer a obesidade desta população.




Nas tabelas 2 e 3 constam os resultados de IMC e %G tanto para sexos masculino e feminino e/ou juntos. A partir da distribuição dos valores de IMC percebeu-se que as meninas apresentaram o IMC e %G mais elevado do que os meninos20. Além disso, em sete estudos que continham uma amostra tanto de com e sem SD observou-se que os indivíduos com SD têm maior IMC com relação aos indivíduos sem SD. Da mesma forma, em outros quatro estudos observou- se que os indivíduos com SD têm maior %G com relação aos indivíduos sem SD.






DISCUSSÃO

Foi observado na tabela 1 que os métodos mais utilizados para predizer a obesidade foram DC, com 52,3% dos estudos revisados, que possivelmente foi mais usado por ser um método de fácil manuseio e custo relativamente baixo, além de estimar a gordura corporal total em situações de campo e clínica6. O ADP e BIA juntos foram pouco usados (13,4%) mesmos sendo métodos fáceis, rápidos e precisos para determinar o %G quando comparados respectivamente por DC e DEXA2,7. Entretanto, para Loverday2, a BIA é válida para mensurar o %G nas pessoas com SD, o que pode ser decorrente de apresentarem uma composição corporal própria. Outro aspecto ressaltado é que a ADP foi utilizada por 38,09% dos estudos, e o DEXA foi utilizado por 28,5 da amostra, usados como parâmetro de avaliação da composição corporal de crianças e adolescentes de maneira precisa7.

Com relação às equações mais utilizadas para predizer o %G, a revisão indicou que o método com DC mais utilizado foi o de Slaughter et al.14 presente em 72,7% dos artigos3,5,7,22-26. González-Agüero et al.7 investigaram a precisão das equações para estimar o %G por meio da DC comparando com ADP em crianças e adolescentes com SD, de modo que o resultado encontrado foi à equação de Slaughter et al.14 que apresentou valores próximos de ADP. A equação de Slaughter et al.14 é usada em pesquisas de prática clínica e populacional, a qual leva em consideração o nível de maturidade, a raça e o sexo. Desse modo, a abordagem multicomponente da composição corporal e a imaturidade química das crianças devem ser consideradas14.

No estudo de González-Agüero et al.27, no qual ele compara a distribuição regional e total da massa gorda e magra entre crianças e adolescentes com e sem SD, se observou que os valores de IMC foram menores tanto para indivíduos com e sem SD, quando comparados aos métodos indiretos ADP e DEXA. O fato que cabe destacar é que em todos os estudos adotaram o IMC para predizer a obesidade, mesmo havendo discussões e diversas interpretações sobre o seu uso na população geral5, de modo que o IMC pode variar de acordo com a idade cronológica, biológica, etnia e sexo5. Em contrapartida, o IMC elevado na adolescência é um indicativo de risco para doenças crônicas não-transmissíveis relacionadas à obesidade na fase adulta1. No entanto, Freire et al.5 verificaram forte correlação do IMC com o %G por meio de DC, assim, para se saber o peso ideal não é recomendado utilizar apenas à estatura, mas sim considerar o somatotipo, isto é, o tipo físico de cada pessoa e o %G, associados a outras medidas de composição corporal mais fidedignas. Além disso, o dimorfismo sexual27, diferenças fisiológicas, ambientais e genéticas7, nível de atividade física e má alimentação22 devem ser considerados.

Dessa maneira, verificou-se nos estudos de Izquierdo-Gomes23, Hill8, Izquierdo-Gomes24, Galli9, Wee28 e Izquierdo-Gomes26 que os valores de IMC de indivíduos de ambos os sexos com SD foi maior que os sem SD, e o mesmo ocorreu para o %G para esse referido grupo. Isso ocorreu devido aos fatores ambientais, biológicos e os sociais que podem influenciar na obesidade por meio da cultura que essa população está inserida23, uma vez que o nível de prática regular de exercício físico em jovens com SD é baixo27,29. Algumas impossibilidades a pratica de atividade física seriam o pé plano, frouxidão ligamentar e a hipotonia muscular, os quais refletem na mobilidade e podem desempenhar modificações no controle postural, desencorajando o participante com SD30. Em relação aos aspectos fisiológicos uma alteração como, aumento nos níveis de leptina, gasto energético de repouso, modelo de ingestão dos alimentos também podem influenciar na maior incidência de obesidade nesta população8,21,22,23.

Os estudos de Bandini13, Loveday2, Bertapelli3, Freire5 e Samur-San-Martin12 demonstraram uma diferença acentuada quando se compara os valores de IMC e %G dos indivíduos com SD em relação ao sexo, onde as meninas tinham o IMC e%G maior que os meninos. Segundo González-Agüero27 e Bertapelli27 isso ocorre devido ao dimorfismo sexual e a distribuição de massa gorda, as quais apresentam uma desconformidade em relação à diferença sexual, ficando mais evidente na transição da puberdade. E é nessa fase em que se nota uma mudança na composição corporal significativa entre o menino e a menina. Essa distribuição de gordura apresenta uma relação com a regulação hormonal que pode ocasionar transtornos no desenvolvimento sexual e assim influenciar na composição corporal25.

Quanta à distribuição de gordura corporal nos estudos de Bertapelli3 e Grammatikopoulou2, observa-se que os meninos apresentam a %G mais alta antes da puberdade, que é por volta dos 12 anos. Por outro lado, a %G das meninas foram mais acentuadas depois dos 12 anos. O mesmo fenômeno acontece na população sem SD, que no decorrer da idade adulta suaviza este dimorfismo sexual na composição corporal1,2.

Em relação ao grau de deficiência intelectual (DI), segundo Jankowinz et al.20 verificaram que as mulheres têm o IMC e o %G mais elevado quando a deficiência intelectual é moderada, e além disso, apresentam uma maior tendência ao ganho de peso corporal total. O grau DI leve e moderado das mulheres permaneceram semelhante quando comparado aos homens. Logo, as mulheres apresentam maior risco para desenvolver a obesidade quando relacionado com o grau de DI desta população com SD. O mesmo foi verificado no estudo de Wee28 o qual demonstrou que os participantes que tem DI de ambos os sexos apresentam maior IMC na população geral, de modo que a DI influencia na obesidade.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os métodos mais utilizados nos estudos analisados foram DC e o DEXA. O IMC, mesmo sendo alvo de discussão sobre a sua eficácia, está presente em todos os estudos. Além disso, pode-se verificar que os resultados encontrados de IMC destoam quando comparado aos métodos indiretos (DEXA) e duplamente indiretos (DC). Portanto, o uso de outros parâmetros de avaliação da composição corporal para determinar a obesidade em indivíduos com SD devem ser utilizados. Ademais foi observado que a DI influencia na obesidade de meninas adolescentes, quando comparado aos meninos, de modo que este estudo sugere maior atenção a esse grupo em relação aos cuidados com a alimentação e atividade física. Logo, sugerem-se novas buscas com diferentes descritores para aprofundar a temática de métodos de composição corporal em crianças e adolescentes com SD.


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