Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 16 nº 1 - Jan/Mar - 2019

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Páginas 46 a 59


Internet e HPV: Uma possibilidade para educação em saúde entre adolescentes?

Internet and HPV: A possibility for health education among adolescents?


Autores: Carolina Arnaut dos Santos1; Flávia Zandonadi Santos de Carvalho2; Mariana Soares Passos3; Lucas Franca Garcia4; Regiane da Silva Macuch5; Marcelo Picinin Bernuci6

1. Mestranda em Promoção da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Graduação em Enfermagem pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Maringá, PR, Brasil
2. Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Bolsista de Iniciação Científica do CNPq. Maringá, PR, Brasil
3. Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Bolsista de Iniciação Científica do CNPq. Maringá, PR, Brasil
4. Doutorado em Ciências Médicas e Bioética pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil. Pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Maringá, PR, Brasil
5. Doutorado em Ciências da Educação pela Universidade de Porto, Portugal. Docente pelo Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde e do Programa de Pós-Graduação em Gestão do Conhecimento nas Organizações do Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Maringá, PR, Brasil
6. Doutorado em Fisiologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Pós-Doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Ribeirão Preto, SP, Brasil. Bolsista Produtividade do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI). Docente do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Maringá, PR, Brasil

Marcelo Picinin Bernuci
Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde, Centro Universitário de Maringá (UniCesumar)
Av. Guedner, 1610
Maringá, PR, Brasil. CEP: 87050-390
marcelo.bernuci@unicesumar.edu.br

Submetido em 24/10/2018
Aprovado em 14/01/2019

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Scielo

Medline

Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente; Rede Social; Promoção da Saúde; Papillomavirus Humano 6.
Keywords: Adolescent; Social Networking; Health Promotion; Human papillomavirus 6.

Resumo:
OBJETIVO: Analisar o padrão de utilização da internet por meninas do 9º ano do Ensino Fundamental, com a intenção de usá-lo a favor das ações de controle da transmissão do HPV.
MÉTODOS: Estudo transversal que analisou o nível de alfabetização digital e de conhecimento sobre o HPV, por meio de questionário aplicado a 230 estudantes do sexo feminino de nove escolas da rede pública de Maringá.
RESULTADOS: A média de idade das participantes foi de 14 anos. A maioria das entrevistadas sabia que o HPV é um vírus que pode ser transmitido sexualmente. 74% já havia ouvido falar do HPV no posto de saúde. 97% possui celular, e esse é meio mais utilizado para acessar internet, e as redes sociais mais utilizadas são Facebook, WhatsApp e Youtube.
CONCLUSÃO: Pela grande quantidade de usuárias de meios digitais, principalmente redes sociais, esse poderia ser um meio importante de propagar a conscientização e educação sobre a prevenção do HPV, principalmente entre jovens, que é o foco do programa de prevenção primária, constituído pela vacinação.

Abstract:
OBJECTIVE: Analyze the pattern of Internet use by girls of the 9th year of Elementary School, with the intention of using it in favor of actions to control HPV transmission.
METHODS: A cross-sectional study that analyzed the level of digital literacy and knowledge about HPV, through a questionnaire applied to 230 female students in 9 schools in the public network of Maringá.
RESULTS: The mean age of participants was 14 years. Most of the interviewees knew that HPV is a virus that can be transmitted sexually. 74% had heard of HPV at the health clinic. 97% have a cell phone, and this is more commonly used to access the internet, and the most used social networks are Facebook, WhatsApp and Youtube.
CONCLUSION: Because of the large number of users of digital media, especially social networks, this could be an important mean of spreading awareness and education about HPV prevention, especially among young people, which is the focus of the primary prevention program, consisting of vaccination.

INTRODUÇÃO

A adesão à vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) entre adolescentes é fundamental no controle do câncer do colo do útero (CCU), a malignidade mais comum nas mulheres de países subdesenvolvidos1. No Brasil, a implementação da vacina quadrivalente anti-HPV pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é recente, disponibilizada em 2014 para meninas entre 11 e 13 anos com esquema vacinal de três doses aos 0, 6 e 60 meses2. Em 2017, o Ministério da Saúde (MS) iniciou a implementação da vacinação contra o HPV também para os meninos de 12 a 13 anos, bem como estendeu a faixa etária para vacinação de meninas de nove até 14 anos3.

Hodiernamente, os dados vacinais referentes ao ano de 2014 indicaram que quase metade dos municípios Brasileiros apresentaram baixa cobertura vacinal contra o HPV4. Embora a cobertura em 2015 para a primeira dose da vacina tenha superado os 70%, os valores não chegaram a 60% para a segunda dose 5. Segundo o MS, os casos esporádicos de reação psicogênica pós-vacinação que foram amplamente divulgados nos meios de comunicação, em especial, nas redes sociais online (RSO), e fez com que tanto os pais como as adolescentes tivessem receio com relação à segurança da vacina, explicando a redução da cobertura vacinal da segunda dose6.

Muitos estudos têm identificado fatores que contribuem para a baixa adesão à vacinação do HPV. A falta de conhecimento sobre a vacina, a falta de conscientização e a falta de recomendação do provedor, representam as principais barreiras à vacinação contra o HPV7-10. Neste cenário, o desenvolvimento de estratégias mobilizadoras baseadas em educação em saúde pode emergir como coadjuvante nos esforços de redução das barreiras para a adesão às campanhas de vacinação do HPV.

Em função das transformações tecnológicas e culturais, atualmente, a internet se tornou uma ferramenta significativa na obtenção de conhecimentos, informação e capacitação para os usuários. De fato, algumas instituições e órgãos públicos já utilizam as RSO para veiculação de informações sobre saúde e para se relacionar com a população, divulgando ações, campanhas e programas11,12. Além disso, inúmeros estudos têm apontado as RSO como ferramenta importante para a propagação de hábitos de vida saudáveis13-17, sugerindo sua utilização em estratégias promotoras da saúde.

Dessa forma, identificar a percepção das adolescentes quanto a relação do HPV com o CCU, identificar os meios pelos quais elas receberam informações sobre este tema, e descrever o padrão de utilização da internet e das RSO por elas pode fomentar discussões pertinentes quanto a viabilidade da utilização da internet no fortalecimento das ações de controle da infecção do HPV entre adolescentes. Assim, objetivamos no presente estudo analisar o padrão de utilização da internet e das demais tecnologias da informação e comunicação (TIC) por meninas do 9º ano do Ensino Fundamental, com a intenção de usá-la a favor do delineamento de intervenções de educação para saúde direcionados ao fortalecimento das ações de controle da transmissão do HPV.


METODOLOGIA

Tipo de estudo

Foi realizado um estudo descritivo, do tipo transversal, com abordagem quantitativa e desenvolvido em nove das 28 escolas Estaduais do Município de Maringá.

Local do estudo

O estudo foi realizado nas escolas públicas da rede estadual de Maringá. No momento do desenvolvimento do estudo existiam no Município 28 escolas neste município, das quais nove foram selecionadas conforme nota obtida na Prova Brasil. Tal prova é realizada pelo Ministério da Educação e tem por objetivo avaliar as escolas através de questionários específicos destinados aos alunos. As escolas foram divididas em níveis 2, 3 e 4, conforme nota obtida nas matérias de Língua Portuguesa e Matemática.

Amostragem

Utilizou-se a amostragem aleatória estratificada de conglomerados, já que as adolescentes estavam matriculadas nas diversas escolas da rede estadual. O total de alunos matriculados no 9º ano de 2016 era de 2971, e como não foi possível identificar o número exato de meninas matriculadas, pois os dados disponíveis eram relativos ao número total de alunos, foi realizada então uma média estatística a partir do número total de alunos no 9º ano. A amostra foi calculada considerando o nível de significância e o erro máximo admitido entre a estimativa e o valor real do parâmetro desta forma verificou-se a necessidade de aplicar o questionário para, no mínimo, 226 adolescentes a fim de estimar os fatores de interesse. Assim, foi também estimado que o número de escolas participantes deveria ser nove, para compreender o total de alunas necessárias. Ao total foram entregues 300 Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLEs), contudo 70 meninas não trouxeram os TCLEs na data programada para a coleta, e o questionário foi aplicado a 230 adolescentes.

Coleta dos dados

A coleta de dados foi realizada em três fases, entre os meses de agosto e outubro de 2016. Na primeira fase foi realizado o primeiro contato com os coordenadores pedagógicos das escolas para explicar a pesquisa e solicitar a autorização. Na segunda fase foi realizado o contato com as adolescentes para expor a pesquisa e agendar a data de coleta, também foi entregue o TCLE para que trouxessem na data programada para a coleta, que não excedia a 10 dias. A terceira fase se constituiu da aplicação do questionário, na qual as adolescentes que tinham o TCLE assinado pelo responsável foram encaminhadas a outra sala para responder ao mesmo.

Análise dos dados

Os resultados foram analisados através da análise descritiva para obtenção de tabelas de frequência a fim de traçar o perfil sociodemográfico, perfil de conhecimento sobre HPV e perfil de acesso às tecnologias da informação e comunicação pelas adolescentes, com o auxílio do pacote estatístico R (R Development Core Team).

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário Cesumar sob o número 37086014.3.0000.5539 e sob a autorização do Núcleo Estadual de Educação de Maringá.


RESULTADOS

Caracterização da população

A distribuição dos dados referentes à caracterização do perfil sociodemográfico das adolescentes e de seus pais estão demonstrados na Tabela 1. Observou-se que quase metade das adolescentes que participaram da pesquisa (47%) tinham 14 anos de idade e apenas 6% tinham idade superior a 16 anos. Cerca de um terço delas apontou ter renda familiar de mais de dois salários mínimos, enquanto 41% não sabiam qual é a renda familiar. 26% das alunas indicaram que não sabem o grau de escolaridade do pai e um total de 33% respondeu que o pai possui o ensino fundamental completo ou incompleto. Já em relação à mãe, 15% delas não sabiam qual era a sua escolaridade, ao passo que 31% apontaram que a mãe possui ensino fundamental completo ou incompleto e outras 31% possuem ensino médio completo ou incompleto. Verificou-se que metade das alunas (50%) pertencem à religião católica e 41% à evangélica.




Percepção sobre a transmissão do HPV e sua relação com o CCU

A Tabela 2 apresenta os dados referentes à percepção das adolescentes sobre a transmissão do HPV e sua relação com o câncer. Observou-se que a grande maioria das meninas (85%) respondeu que o HPV é um vírus. 96% delas apontaram que a transmissão do HPV ocorre durante a relação sexual, já 57% e 48% disseram que quem pode pegar o HPV são as pessoas que têm relação sexual sem preservativo e somente mulheres, respectivamente. Quando questionadas sobre as doenças que o HPV pode causar, apenas 5% das adolescentes apontaram o câncer de fígado e 29% o câncer de pênis, enquanto 68% e 43% responderam que o HPV pode causar câncer de ovário e verrugas genitais, respectivamente. Ainda, 88% das meninas apontaram que o HPV pode causar CCU e apenas 20% responderam câncer de garganta e boca. 94% das meninas apontaram que o HPV pode se transformar em câncer e 97% acreditam que existe uma ligação entre HPV e a relação sexual.




Descrição das fontes de informações sobre HPV e CCU

Somente 1% das participantes da pesquisa afirmou que não tinha ouvido falar sobre o HPV anteriormente. Os meios mais citados pelas que já ouviram falar foram o posto de saúde e TV, citado por 74% e 60% de todas as meninas, respectivamente. Quando questionadas se já tinham ouvido falar sobre a importância de realizar exames preventivos, 9% responderam negativamente, e os meios mais citados foram o posto de saúde e TV, citados por 68% e 43% das alunas, respectivamente.




Descrição do perfil de utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC)

As tabelas 4 e 5 demonstram a distribuição de dados referente à caracterização do perfil de comportamento digital das adolescentes. Notou-se que pouco mais da metade das entrevistadas (55%) possuem computador pessoal, sendo que 97% não precisam de ajuda para usar o computador e 48% das entrevistadas utilizam computadores há mais de cinco anos.






Foi observado também que mais de 90% das adolescentes acessam internet na maioria das vezes por Wi-Fi pago. O celular é o dispositivo mais utilizado por 94% das entrevistadas para acessar a internet e 46% delas não têm um tempo fixo em que utilizam a internet por dia.

Um total de 82% das meninas possuem e-mail, sendo que mais da metade (53%) quase nunca acessa o e-mail.

97% das entrevistadas possuem celulares e boa parte utilizam há mais de cinco anos (42%), sendo que a marca mais comum de aparelho é Samsung (47%). Um total de 94% das meninas participantes da pesquisa possui celular com acesso à internet, sendo que elas utilizam o aparelho mais frequentemente para acessar a internet e fazer ligações (96% e 58% delas, respectivamente).

Apenas uma entre as 230 adolescentes apontou que não possui redes sociais. Por outro lado, mais de 90% delas utilizam o Facebook, Whatsapp e/ou Youtube. Ainda, 97% e 83% das meninas apontaram que utilizam a internet para entrar nas redes sociais e/ou fazer pesquisas, respectivamente. Quase metade das entrevistadas (48%) utiliza o Messenger vídeo como recurso para se comunicar por vídeo pela internet. Por fim, o equipamento tecnológico mais frequente, além dos já citados, que as entrevistadas possuem é o pen drive (73%), seguida pela máquina fotográfica digital (47%).


DISCUSSÃO

A transmissão do HPV e sua relação com a infecção do CCU são fatores extremamente relevantes a serem discutidos em uma população sexualmente ativa, principalmente em populações mais jovens, uma vez que apresentam elevada taxa de prevalência de infecção por HPV18,19. Contudo, a percepção da população adolescente sobre o HPV e sua relação com o CCU ainda é insuficiente20,21, e limita-se quase que exclusivamente a questões relacionadas a transmissão e o desenvolvimento de doenças associadas ao HPV22. Este fato demonstra-se tal qual em nosso estudo, no qual a maioria das adolescentes pesquisadas sabia o que era o HPV e sua relação com o CCU, porém 48% delas relacionavam a transmissão do HPV somente ao sexo feminino.

Infelizmente a adesão às campanhas de prevenção ao CCU, principalmente a vacinação contra o HPV pelas populações mais jovens ainda é um desafio, visto que a decisão de tomar a vacina requer certo nível de informação desta população e seus familiares. Mediante nosso estudo, foi possível compreender a qualidade da informação sobre o HPV e sua relação com o CCU da população adolescente, e verificar por quais meios esta população obteve essa informação. Foi possível identificar ainda, o perfil de utilização das TIC das adolescentes pesquisadas. E diante dos resultados apresentados encontrou-se a evidência de que as TIC são extremamente utilizadas por esta população em seu cotidiano, e este fato reforçou a ideia da utilização da TIC na elaboração de estratégias que viabilizem informações acessíveis e confiáveis sobre a transmissão do HPV e prevenção do CCU.

A média de idade das adolescentes participantes de nosso estudo foi de 14 anos. Isso corrobora com nossa proposta de investigar a percepção das ações de controle do CCU na população foco das campanhas de vacinação contra o HPV23. Embora cerca de metade das adolescentes não soubesse qual a renda familiar e grau de escolaridade de seus pais, as que responderam a este questionamento apontaram que a renda é maior que dois salários mínimos e o grau de escolaridade do tipo fundamental completo. Estes dados sugerem que a população investigada no presente estudo compartilha semelhanças sociodemográficas com a maioria das famílias do país que depende da atenção em saúde quase que exclusiva do SUS24.

Uma vez que a informação e o conhecimento desempenham um papel importante na adesão a vacina contra o HPV25, o desenvolvimento de estratégias que utilizem ferramentas focadas na população jovem é de fundamental importância para a promoção da saúde desta população. A internet é acessada por mais de 100 milhões de brasileiros, sendo o telefone celular o dispositivo mais utilizado para acesso individual da internet26, o que vai ao encontro de nossos resultados, que indicaram que pouco mais da metade das adolescentes que participaram do presente estudo possuem computador, no entanto quase todas possuem celular com acesso à internet. Por sua vez, das 230 adolescentes pesquisadas, apenas uma apontou não utilizar redes sociais como o Facebook e Whatsapp, o que demonstrou a potencialidade das RSO como veículo de informação a esta população, que, com um vasto público e inúmeras possibilidades de uso, podem ser utilizadas de diversas maneiras, com foco na promoção da saúde sexual da população27.

Uma das ferramentas de comunicação mais poderosas do século 21 é a mídia social, pois inclui ferramentas e aplicativos da Web elaborados para facilitar a interação online e o compartilhamento instantâneo de informações entre os usuários28. Sua função é diversificada: ajuda as pessoas a se comunicarem, a debaterem temas de interesse e partilharem os seus interesses comuns, bem como proporciona a liberdade de expressar as suas emoções e opiniões. Contudo, mesmo havendo a necessidade de novas estratégias que alcancem a população adolescente, há de se considerar a procedência dessas informações e grau de qualidade e veracidade. A avaliação de vídeos existentes no Youtube sobre o HPV identificou que a maioria tem-se mostrado a favor da vacina contra o HPV, entretanto vídeos que apresentam conteúdos negativos tem um número maior de visualizações29.

As adolescentes pesquisadas em nosso estudo responderam que obtiveram informações sobre o HPV e vacina HPV através da televisão e postos de saúde. Inquestionavelmente esses veículos de informação são de grande valia para a comunidade. Entretanto o potencial de utilização das TIC, principalmente entre a população adolescente, aumenta a cada ano, e já demonstrou ser benéfico para o aumento do conhecimento sobre DSTs e diminuição de comportamento de risco27. O fato de que a internet tem sido amplamente utilizada para pesquisas em saúde29,30 e que as redes sociais estão sendo utilizadas por pacientes para compartilhar informações pessoais sobre suas doenças29,31 reforça a hipótese da utilização das TIC como ferramenta a ser utilizada no empoderamento em saúde com as adolescentes.

Diante do fato de que os níveis de conscientização e educação em saúde aumentam as taxas de imunização de uma população32 e desta maneira, cada esforço realizado para melhorar a informação em saúde contribui para atender as necessidades da população33, nosso estudo corrobora com informações relevantes sobre a percepção das adolescentes frente ao tema HPV e CCU e como as mesmas podem ser mobilizadas pelas TIC para concretizarem seus conhecimentos sobre o tema. Essa informação pode indicar possíveis ferramentas para criação de novas estratégias que enfoquem a população adolescente. É imprescindível, portanto, a criação de políticas que promovam informações corretas para a população adolescente e seus familiares. Além do mais os profissionais de saúde devem estar cientes de que sua influência e informação motivam os indivíduos na tomada de decisão sobre sua saúde.


CONCLUSÃO

Concluímos que a grande maioria das adolescentes sabe o que é o HPV, sua forma de transmissão e consequências à saúde, dentre elas o CCU. Também foi possível demonstrar que o meio que mais ofereceu esclarecimento sobre o vírus para a população alvo foram os Postos de Saúde, onde as jovens ouviram falar também sobre a importância de exames preventivos. Em relação a utilização das TIC, a maior parte tem acesso à internet e o faz através de aparelhos celulares, onde utilizam o dispositivo principalmente para o acesso às RSO, entre elas, as mais usadas são Facebook, Whatsapp e Youtube.

Desta forma, entendemos que tais meios tecnológicos citados têm potencial a oferecer alfabetização em saúde, principalmente entre jovens e adolescentes, visto que essa faixa etária utiliza amplamente meios digitais e podem se tornar protagonistas na conscientização sobre o HPV, CCU e sua prevenção, inclusive devido ao fato de que a prevenção primária desta enfermidade é a vacinação.


AGRADECIMENTOS

Os dados deste artigo fizeram parte do Projeto Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), coordenado pelo autor Marcelo Picinin Bernuci - Projeto de Número: 455495/2014-9.


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