Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 16 nº 1 - Jan/Mar - 2019

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Páginas 94 a 102


Prevenção da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe: revisão sistemática baseada em literatura científica

Pregnancy prevention in Latin America and the Caribbean: a systematic review based on scientific literature

Prevención del embarazo en la adolescencia en América Latina y el Caribe: revisión sistemática basada en literatura científica


Autores: Alvaro Dario Dorado Martinez1; Luz Helena Cabrera Yela2; Yohana Sthefany Rosero Enriquez3

1. Mestrado em Psicologia - Diretor do Sistema de Bem-estar Universitário - Universidade de Nariño. San Juan de Pasto, Colômbia
2. Psicóloga - Estudante Pesquisadora do Grupo Livre Pensadores. Universidade de Nariño. San Juan de Pasto, Colombia
3. Psicóloga - Universida de de Nariño. San Juan de Pasto, Colombia

Álvaro Darío Dorado Martínez
Pasto, Nariño, Colombia. Código Postal 520001
alvarodoradomartinez@gmail.com

Submetido em 08/10/2018
Aprovado em 28/10/2018

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Como citar este Artigo

Descritores: Prevenção Primária; Gravidez na Adolescência; América Latina; Região do Caribe.
Keywords: Primary Prevention; Pregnancy in Adolescence; Latin America; Caribbean Region.
Palabra Clave: Prevención Primaria; Embarazo en la Adolescencia; América Latina; Región del Caribe.

Resumo:
OBJETIVO: Analisar a produção científica referente à prevenção da gravidez em adolescentes, especificamente das populações latino-americanas e do Caribe.
MÉTODOS: Foram analisados trinta e quatro artigos científicos provenientes dos bancos de dados consultados: Scopus, EBSCOhost, SciELO e Science Direct.
RESULTADOS: Os resultados mostram mais divulgação do tema em países como Cuba, Brasil e México, sendo estes na maioria estudos descritivos ou de caracterização da população adolescente. 78,1% dos estudos foram desenvolvidos no contexto educacional.
CONCLUSÃO: Há evidências da escassez de produção científica na América Latina, particularmente em estudos sobre intervenções preventivas para gravidez precoce. Além disso, a maior parte das publicações era baseada em aumentar o conhecimento frente aos métodos anticoncepcionais e informações referentes a estes. Estes sem dúvida são muito importante, porém, lamentavelmente não são suficientemente eficazes para influenciar o comportamento saudável e responsável da vida sexual da população jovem.

Abstract:
OBJECTIVE: Analyze the scientific production referred to the prevention of pregnancy in teenagers, particularly in Latin America and Caribbean population.
METHODS: Were analyzed 34 scientific articles obtained from the databases: Scopus, EBSCOhost, SciELO and Science Direct.
RESULTS: The results indicate greater disclosure of the theme in the countries like Cuba, Brazil and Mexico, and those were more descriptive or of characterization studies of the teenager population. 78.1% of the studies were developed in the educational context.
CONCLUSION: There is a lack of scientific production in the Latin American, especially in studies of preventive interventions for early pregnancy. In addition, most publications were based on enhance the knowledge about contraceptive methods and sources of information. These are, no doubt, important matters but, unfortunately aren´t enough for the effectiveness of responsible and healthy behavior of sexuality.

Resumen:
OBJETIVO: Analizar la producción científica referente a la prevención del embarazo en adolescentes, específicamente de las poblaciones latinoamericanas y del Caribe.
MÉTODOS: Fueron analizados treinta y cuatro artículos científicos provenientes de los bancos de datos consultados: Scopus, EBSCOhost, SciELO y Science Direct.
RESULTADOS: Los resultados muestran más divulgación del tema en países como Cuba, Brasil y México, siendo estos en su mayoría estudios descriptivos o de caracterización de la población adolescente. El 78,1% de los estudios fueron desarrollados en el contexto educacional.
CONCLUSIÓN: Hay evidencias de la escasez de producción científica en América Latina, particularmente en estudios sobre intervenciones preventivas para embarazo precoz. Además de eso, la mayor parte de las publicaciones era basada en aumentar el conocimiento frente a los métodos anticoncepcionales e informaciones referentes a éstos. Sin duda son muy importantes, no obstante, lamentablemente no son suficientemente eficaces para influenciar el comportamiento saludable y responsable de la vida sexual de la población joven.

INTRODUÇÃO

A adolescência faz referência ao período do ciclo vital compreendido dos 11 aos 20 anos de idade no qual a pessoa faz a transiçãopara a vida adulta, com importantes mudanças biológicas, sociais e psicológicas, que influenciam na construção da personalidade, para atingir a maturidade biológica e sexual, além da maturidade emocional e social1. No entanto, é uma fase crítica referente à saúde sexual e reprodutiva manifestada pelo comportamento negligente no cuidado da saúde. Este fato faz com que este grupo seja vulnerável a situações como gravidez precoce ou infecções de transmissão sexual, dada a alta tendência de uso não sistemático, incorreto oua ausência de métodos anticoncepcionais (MAC) pelos adolescentes, apesar de terem conhecimentos sobre sexualidade e prevenção2.

Alguns fatores individuais que se relacionam com a gravidez na adolescência referem-se a uma situação conjugal não segura, baixo nível escolar, história materna de gestação na adolescência ou busca da independência. Estes fatores se associam como contexto cultural, pois enquanto em muitos países em desenvolvimento a condição social da mulher está determinada pelo matrimônio e a maternidade, em países desenvolvidostêm se estabelecido altos padrões de cumprimento social e econômico. Além disso, a falta ou educação deficiente em relação à vida sexual e reprodutiva desde os primeiros anos da escola, ou mesmo família e comunidade, tem gerado uma baixa informação sobre os temas de reprodução e sexualidade entre os adolescentes. -Condutas sobre os serviços de saúde reprodutiva eos métodos de planificação familiar são reforçadas também pela crescente influência dos meios de comunicaçãoe estereótipos sociais idealizados que modelam comportamento que exacerbamos impulsos sexuaise associamo exercício precoce da sexualidade como prestígio social eo poder3.

Sobre agravidez precoce, a Organização Mundial da Saúde (OMS) 4 expõe que esta afeta profundamente a trajetória da saúde das adolescentes, gerando um obstáculo ao seu desenvolvimento psicossocial, se associa com maior risco de morbidade e mortalidade materna, além de resultados deficientes em matéria de bem-estar, já que quando existe uma menor idade materna, corre-se o risco de ter menor idade gestacional, baixo peso ou um mal estado de nutrição na criança3,4. Reporta-se para o ano 2018 que a América Latina eo Caribe (ALC) apresentou a segunda taxa mais alta do mundo de fecundidade em adolescentes, de 66,5 nascimentos por 1000 adolescentes (2010-2015), frente a una taxa mundial de 46 nascimentos por cada 1000 adolescentes4.

E ainda que as taxas estejam em redução em todo o mundo, a diminuição é extraordinariamente lenta na ALC comparada com outras regiões, pois mesmo com as respostas locais e nacionais para enfrentar este problema, não se tem conseguido avanços significativos4. São muitos os motivos para o lento combate ao tema entre eles ressalta-se: a falta de seguimento e avaliação sistemática das intervenções e os programas, análise do sucesso e falhas das iniciativas e por que estas iniciativas não obtiveram melhores resultados; e baixa produção científica latino-americana sobre este tema5.

Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi analisar na literatura científica as medidas citadas para evitar a gravidez precoce na população de América Latina e o Caribe nas duas últimas décadas; visualizar a tendência dos estudos, bem como a sistematização da informação adquirida, descrever e analisar os achados que são comuns, diferentes e as novidades nos estudos publicados.


MÉTODO

Este estudo descritivo apresenta uma revisão e análise sistemática de documentos por meiode um processo explícito e rigoroso que visou identificar, organizar, resumir e analisar os estudos mais relevantes que se tem desenvolvido do tema gravidez precoce na população de América Latina e o Caribe6.

Iniciou-se realizando a busca nas bases de dados Scopus, EBSCOhost, SciELO e Science Direct, escolhidas por serem as maiores e mais reconhecidas bases de referências bibliográficas de literatura científica em nível mundial. Utilizou-se as palavras chave "gravidez adolescente" e "prevenção", em espanhol, inglês e português. Os resultados foram examinados nas publicações realizadas entre os anos 1998 e 2018, de artigos científicos de livre acesso.

A busca e análise realizadas entre março e maio de 2018 correspoderam a 59 registros, dos quais foram incluídos os artigos que revelaram ações de prevenção de gravidez na população adolescente, com amostras pertencentes aos países que integram a região da América Latina e o Caribe. No entanto, documentos como livros, resumos, resumos de congressos ou simpósios, cartas ao editor, notícias, notas informativas, atas de reunião ou trabalhos de grau foram omitidos na busca, assim como os estudos que reportavam ações de prevenção em populações diferentes às latino-americanas, ou sobre prevenção de problemáticas durante a gravidez ou nova gravidez adolescente. Esses critérios de exclusão foram usados para gerar uniformidade na busca e análise dos resultados. Finalmente, posterior ao filtro com os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, resultaram em 34 artigos de escolha para a análise (Figura 1).


Figura 1. Esquema de busca sistemática (baseado em Moher et al.7).



Os artigos escolhidos foram sistematizados por meio de uma matriz de registro documental baseada no protocolo PRISMA - P recomendado para o desenvolvimento de revisões sistemáticas, bibliográficas e meta-análise7. Nesta foram registrados os autores, título do artigo, ano de publicação, idioma, URL ou DOI de publicação, nome da revista, país, disciplina de estudo, objetivo, número e tipo de amostra, método, instrumentos utilizados e resultados principais.

Uma vez diligenciada a matriz de registro documental, foram analisados os dados da totalidade de artigos e foi utilizado o programa SPSS 22.0 para realizar a análise de estatísticas descritivas.


RESULTADOS

Em relação ao período de tempo de publicação, o ano 2014 foi o que apresentou maior divulgação com 17,6% (n=6) do total de artigos (figura 2). Em referência aos países latino-americanos revisados nesta busca, predominou a publicação de artigos no idioma espanhol, com 82,4% (n=28) enquanto que no idioma inglês foram 11,8% (n=4). Da mesma forma, a revisão sistemática evidenciou que as disciplinas de abordagem na prevenção da gravidez adolescente são mais voltadas para a psicologia e enfermaria, com 26,5% (n=9) respectivamente. No entanto, 29,4% (n=10) dos artigos não explicitaram a área do estudo.


Figura 2. Relação entre os anos de publicação e número total de artigos científicos analisados no presente estudo.



As publicações analisadas tem em comum o tipo de população, instrumentos, contextos e tipos de estudo: 73,52% (n=23) apresentam pesquisas com uma população entre 500 até 50 sujeitos8,9, os instrumentos aplicados variam entre questionários (33,3%), enquetes (21,2%) e entrevistas (12,1%), onde a maioria (87,8%) foram construídos e validados pelos próprios autores, porém, não foram especificadas as propriedades psicométricas dos mesmos, 90,9% dos estudos englobavam tanto a homens quanto mulheres na caracterização ou intervenção preventiva10.

É importante destacar que 78,1% (n=25) dos estudos revisados apresentaram a sede educativa como o local de intervenção ou caracterização com maior representação, seguida dos consultórios médicos (15,6%, n=5). Da mesma forma, 67,6% (n=23) são estudos de caracterização sobre os conhecimentose uso da MAC, identificando as percepções adolescentes na prevenção da gravidez, idade de início das relações sexuais e início do uso da MAC, fontes de informação sobre saúde sexual e reprodutiva e crenças adequadas e não adequadas sobre o uso do MAC11. Destas pesquisas foram identificadas algumas caracterizações inovadoras na população como as práticas culturais de um país ou região que influenciam as ações de prevenção da gravidez adolescente12, assim como o nível de conhecimento dos pais ou responsáveisfrente à gravidez precocedos adolescentes, e o papel masculino na prevenção efetiva13.

Por outro lado, encontrou-se que 29,4% (n=10) de estudos estão baseados na execução de intervenções preventivas, as quais estão focadas no incremento dos conhecimentos sobre MAC, aumentar a intenção do uso do preservativo ou outro método anticonceptivo14,15, tardar o início das relações sexuais e identificar fontes de informação adequadas16. No entanto, dentro destas intervenções se apresentam estudos inovadores sobre como incrementar a auto-eficácia e obter novos conhecimentos sobre o respeito a si mesmo ecom o outro, o compromisso e responsabilidade nas decisões para o exercício responsável da cidadania, além do cuidado do corpo, manejo de adiçõese alimentação adequada em prol de evitar umagravidez a prematuraidade17.

Com referência aos resultados inovadores, encontrou-se que 30,3% (n=10) dos estudos aplicam mais de uma técnica em um mesmo grupo de adolescentes em vista a desenvolver a investigação, como questionário, discussão em grupo, sócio drama e psicodrama19; ou entrevistas, grupos alvoe enquetes20. Além disso, alguns estudos realizam caracterização ou intervenção em amostras de adolescentes com características definidas pela raça ou gênero. Por exemplo, apresenta-se uma proposta de educação formal de sexualidade responsável com populações indígenas, destacando que os limites no conhecimento e percepção de necessidades reais sobre saúde sexual e reprodutiva nesta população se devem à discriminação racial10. Por outro lado, foram encontrados estudos comamostras masculinas, onde são identificados conhecimentos sobre risco de gravidez, autoeficácia e educação em equidade de gênero13, e com a população feminina para a avaliação da efetividade de um programa psicoeducativo em educação sexual e reprodutiva, do qual se obtém 87,5% de efetividade na modificação positiva dos conhecimentos sobre sexualidade saudável9.

Da mesma forma, registram-se ações de prevenção com replicadores, onde foram capacitados 106 docentes, os quais interatuaram diariamente com seus alunos eobtiveram um impacto no conhecimento, tomada de decisões, papéis de gênero, negociaçãoe autoeficiência de 11.177 adolescentes que posteriormente foram avaliados pelos pesquisadores para reforçar e verificar o nível de aquisição de conhecimentos sobre a prevenção de gravidez precoce17. Também foram identificados estudos de ações preventivas que envolvem pais de família dos adolescentes, os quais identificam pouca ou ineficaz comunicação, bem como desconhecimento sobre o uso de métodos anticoncepcionais e gravidez precoce21. Outra população envolvida é o pessoal da saúde, que participa constantemente no atendimento com adolescentes, e requerem habilidades e sistemas de ações próprias para estarem capacitados e dispostos no desempenho de um papel ativo na promoçãoda transformação dos modelos e práticas negativas da saúde sexual18.

Finalmente, através da presente revisão sistemática obteve-se uma revisão teórica sobre a educaçãopara a "nova masculinidade", propondo a reestruturação dos papéis homem-mulher e o novo conceito da feminidade e da masculinidade no contexto atual a fim de perevenir a gravidez a prematuraidade. Evidenciou-se a necessidade no desenvolvimento de programas educativos que demonstrem de maneira atual e precisa, com foco de direito, os temas relacionados ao gênero e à sexualidade, como fim de minimizar a censura e a superstição com relação ao assunto22.


DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maior quantidade de publicações sobre ações para prevenir a gravidez em adolescentes realizadas nos países como Cuba, Brasil e México, podem estar relacionados com um maior desenvolvimento científico e investigativo do tema nesses países. Por outra parte, os autores latino-americanos publicam em grande medida no idioma espanhol, provavelmente por ser o idioma oficial da maioria dos países.

Além disso, em coerência aos aspectos comuns identificados nos estudos, há evidencias de que a maioria deles foi desenhado para aplicação em instituições educativas, provavelmente em decorrência a grande quantidade de adolescentes encontradas. Ainda que esta revisão tenha encontrado uma porcentagem mínima de ações preventivas em espaços clínicos e comunitários, é importante ressaltar que ditos contextos poderiam integrar adolescentes em alto risco, os quais possivelmente tenham abandonado a escola23.

Da mesma forma, encontra-se predominantemente o uso de técnicas como questionários, enquetese entrevistas tendo em conta que a maioria dos estudos focam em caracterizar à população sobre conhecimentos em MAC, fontes de informação, início de relações sexuais, entre outros. Esses diagnósticos permitem priorizar e analisar as problemáticas psicossociais ou de saúde que posteriormente contribuem no desenho e execução de planos de ação estratégicos e de situação que contribuam ao melhoramento da qualidade de vida das populações vulneráveis24.

Por outro lado, destaque para 90,9% dos estudos que trabalham com amostras de ambos os sexos, sendo de vital importância continuar com a participação dos adolescentes em programas de prevenção da gravidez que favoreçam o aceite das responsabilidades no tema da sexualidade com equidade de gênero, fomentando um processo de orientação e formação de papéis de gênero. Assim, os adolescentes apropriarão do tema sem afetar sua identidade pessoal, promovendo a equidade como base da relação interpessoal, onde as decisões sejam compartidas e coerentes ao desenvolvimento pessoal e social25.

Um aspecto relevante na sistematização foi encontrar uma escassa publicação de prevenção da gravidez em adolescentes pertencentes aos povos indígenas, populações identificadas como mais vulneráveis ao fenômeno, principalmente em países da América Latina. Os dados do censo indicam que o número de gravidez precoce em adolescentes indígenas é desproporcionadamente maior no Paraguai, onde as mães indígenas são quatro vezes maior que às não indígenas e duas vezes maior na Costa Rica e no Panamá.

Ressalta-se dois pontos álgidos dentro dos resultados apresentados em referência à quantidade de publicações encontradas e ao tipo de estudo de prevenção do fenômeno. Os achados indicam que a produtividade científica sobre prevenção é reportada nos últimos 17 anos e apesar que haver maior quantidade de publicações em 2014, este ano limita-se a seis artigos científicos, uma quantidade escassa se comparada como número de países pertencentes à América Latina eo Caribe. Ainda mais com a importância e impacto que esta problemática reflete na Saúde Pública da região cujos níveis atuais de fecundidade adolescente ocupam o segundo lugar, superados somente pela África subsahariana4.

A maioria de publicações aborda principalmente a caracterização dos conhecimentos da população, sendo que as ações de prevenção desde a intervenção são reduzidas. Esta revisão demonstrou uma escassa publicação de intervenções (n=10) e um insuficiente aporte teórico e empírico à mitigação do fenômeno se comparado com outros aponta países de fala hispana, como Espanha, por exemplo, que tem 21 estudos de intervenção e avaliação de alta qualidade para prevenir a gravidez5. Ou em comparação com os Estados Unidos, que apresentam 89 estudos com foco na efetividade de programas de prevenção da gravidez, VIH e outras infecções de transmissão sexual na população adolescente26. Este panorama demonstra uma tendência crítica frente às ações efetivas que permitem a redução do problema, já que que fornecer informação sobre o tema, embora fomente a tomada de consciência frente à saúde sexual e reprodutiva, não contribui para uma mudança significativa no comportamento dos adolescentes23.

Então, se bem que os estudos de caracterização permitem compreender o nível de conhecimento da populaçãoe ajudamna divulgação da importância e necessidade de abordar este fenômeno, é imperioso continuar com a linha de intervenção preventiva, incrementando o desenvolvimento de estudos, tanto de validação de instrumentos de medida homologáveis na identificação de conhecimentos não adequados sobre MAC e gravidez precoce, quantono desenho e avaliação de programas de intervenção integral que assumam a prevenção. Indo desde visões interdisciplinares que permitam aos adolescentes, não só compreender o uso e necessidade dos MAC, mas também auto-eficácia, respeito, projeto de vida, auto-cuidado corporal, responsabilidades futuras, sentido de competência, controle da pressão de pares, bem como a promoção de comportamentos protetores nos entornos familiares, comunitários, clínicos e escolares.

A partir dos resultados obtidos e considerando que os estudos permitem fortalecer e aportar teoria, empirismo e ciência aos fenômenos, algumas alternativas ou sugestõesna visualização e impacto das publicações indicadas à prevenção da gravidez em idades prematuras na América Latina poderiam ser: a) motivação pelo desenho, desenvolvimento e publicação de propostas de intervenção preventiva, b) considerar a publicação de artigos em revistas incluídas nas bases de dados de ampla difusão, o que geraria maior divulgação de experiências de sucesso que pudessem ser replicadas, c) desenvolver, validar e expor propriedades psicométricas de instrumentos de medida, d) desenvolver estudos em novos contextos, com populações de adolescentes vulneráveis ou não escolarizados, que permitam identificar crenças que impossibilitem a prevenção, e) desenhar e desenvolver pesquisas que reportem resultados de processo de intervenção em populações urbanas e rurais; f) incrementar diagnósticos em populações indígenas e aproximações culturais a dita população, com ajustes pertinentes nas intervenções que respeitem as ideologias étnicas.

As limitações do estudo estão relacionadas como difícil acesso em algumas publicações científicas, principalmente da região venezuelana e argentina. Como linhas de pesquisa futuras é sugerido ampliar as características nas intervenções publicadas e contrastá-las entre contextos de fala hispana, que permitam modificações e propostas inovadoras ou ajustadas para uma prevenção efetiva do fenômeno.


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