Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 16 nº 2 - Abr/Jun - 2019

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Páginas 47 a 56


Sífilis em gestantes adolescentes de Pernambuco

Syphilis in pregnant adolescents from Pernambuco


Autores: Rebeca Bezerra Bonfim de Oliveira1; Alisse Maria Chaves de Lima Peixoto2; Mirian Domingos Cardoso3

1. Residente de Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE); Graduada em Enfermagem pela Faculdade Nossa Senhora das Graças (FENSG) da Universidade de Pernambuco (UPE). Recife, PE, Brasil
2. Mestranda em Hebiatria pela Faculdade de Odontologia de Pernambuco. Graduada em Enfermagem. Universidade de Pernambuco (UPE). Recife, PE, Brasil
3. Doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças. Universidade de Pernambuco (UPE). Recife, PE, Brasil

Correspondência:
Rebeca Bezerra Bonfim de Oliveira
Universidade de Pernambuco (UPE)
Av. Gov. Agamenon Magalhães - Santo Amaro
Recife - PE, Brasil. CEP: 50100-010
(rebecabonfim2@gmail.com)

Submetido em 12/11/2018
Aprovado em 04/02/2019

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Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente; Sífilis; Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Keywords: Adolescent; Syphilis; Sexually Transmitted Diseases.

Resumo:
OBJETIVO: Descrever as características sociais, demográficas e epidemiológicas da sífilis em gestantes adolescentes residentes em Pernambuco.
MÉTODOS: Estudo transversal com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Estado de Pernambuco. A população foi composta por gestantes entre 10 a 19 anos, notificadas como caso de sífilis gestacional no período de 2007 a 2016. O banco de dados foi analisado no pacote estatístico Epi-info 7.0. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade de Pernambuco.
RESULTADOS: Durante o período de 2007 a 2016 foram notificados 1.494 casos de sífilis em gestantes adolescentes. Observou-se um aumento das notificações, de cerca de 71 casos (CI=2,1) em 2007 para 289 (CI=10,7) em 2016. Os casos ocorreram predominantemente nas adolescentes com a faixa etária entre 15 a 19 anos (95%), no 2º trimestre de gestação (41,7%), raça/cor parda (70%) e com 5ª à 8ª série incompleta do ensino fundamental (EF) (42,2%). A maioria dos casos foi classificada como sífilis primária (68,7%), tendo como tratamento prescrito a Penicilina G benzatina 7.200.000UI (38,3%).
CONCLUSÃO: Houve um crescimento progressivo na notificação e na taxa de incidência de casos de sífilis em gestante adolescente residentes em Pernambuco.

Abstract:
OBJECTIVE: Describe the social, demographic and epidemiological characteristics of syphilis among pregnant women living in Pernambuco.
METHODS: Cross-sectional study with secondary data from the Information System of Notification Diseases (SINAN) of the State of Pernambuco. The population was composed of pregnant women aged 10 to 19 years, reported as gestational syphilis in the period from 2007 to 2016. The database was analyzed in the Epi-info 7.0 statistical package. The project was approved by the research ethics committee of the University of Pernambuco.
RESULTS: During the period from 2007 to 2014, 1,494 cases of syphilis were reported in adolescent pregnant women. There was an increase in notifications, from 71 (CI = 2.1) in 2007 to 289 (CI = 10.7) in 2016. Cases occurred predominantly in adolescents aged 15 to 19 years (95%), in the second trimester of gestation (41.7%), with brown skin color brown (70%) and with incomplete grades from 5o. to 8o. year (42.2%). The majority of the cases were classified as primary syphilis (68.7%), with treatment using Penicillin G benzathine 7,200,000 UI (38.3%).
CONCLUSION: There was a progressive increase in the notification and the incidence rate of syphilis cases in pregnant teenagers living in Pernambuco.

INTRODUÇÃO

A adolescência é considerada um fenômeno multidimensional, com alterações fisiológicas, sociais, comportamentais e psicológicas. As condutas de risco as quais o adolescente está exposto se configuram como um desafio para a Saúde Pública, em decorrência das repercussões que podem ser originadas em âmbito psicossocial, individual e familiar1.

São múltiplos os fatores relacionados às condutas sexuais que apontam o adolescente como grupo de risco para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Os fatores mais apontados são: Início sexual precoce, uso irregular e pouco frequente de preservativos, multiplicidade de parceiros sexuais, sentimentos de onipotência e pouco envolvimento com os aspectos preventivos2.

Dentre as ISTs, a sífilis tem desafiado a humanidade há séculos. Causada pelo Treponema pallidum, caracteriza-se por ser uma doença infecciosa crônica de caráter sistêmico, exclusiva do ser humano e transmitida predominantemente por via sexual e vertical3. Quando acomete mulheres durante a gestação que não são diagnosticadas e tratadas precocemente, a sífilis pode ser transmitida via transplacentária, o que se constitui como importante causa, potencialmente evitável, de óbito fetal e de outros resultados perinatais adversos4.

Dados mundiais revelaram que em 2008, 1,5 milhão de gestantes foram infectadas pelo Treponema Pallidum5. Em 2017, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicou que os novos casos de sífilis congênita dobraram desde 20106, representando um grande desafio para a saúde pública mundial.

No Brasil, tem se observado um aumento dos casos de sífilis em gestantes. No período de 2007 a 2016 foram notificados aproximadamente 180 mil casos, evidenciando um aumento de 573% no numero de notificações, passando de 6.530 casos em 2007 para 37.414 casos registrados em 2016. Do total de casos registrados de 2007 a 2016, 25,8%, ocorreram em adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos. Nesse período, o número de notificação de casos de sífilis em gestantes adolescentes cresceu em 822%, passando de 1.245 casos em 2007 para 10.230 em 20167.

Considerando a alta magnitude do problema da sífilis e que as adolescentes constituem um grupo de alta vulnerabilidade para as ISTs, assim como a existência de poucos estudos na literatura focados em sífilis gestacional na adolescência, este estudo teve como objetivo descrever as características sociais, demográficas e epidemiológicas da sífilis em gestantes adolescentes residentes em Pernambuco, para fins de conhecimento de sua tendência e distribuição que poderá subsidiar o planejamento, tomada de decisões e avaliação das ações de prevenção e controle.


MÉTODOS

Realizou-se um estudo de corte transversal com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco. A população foi composta por gestantes entre 10 a 19 anos, residentes no estado e notificadas como caso de sífilis gestacional no período de 2007 a 2016.

As variáveis selecionadas para análise foram classificadas em: a) sociodemográficas (trimestre gestacional, faixa etária, raça/cor, escolaridade e município de residência); b) clínicas e epidemiológicas (classificação clínica, teste não treponêmico e treponêmico realizados no pré-natal, esquema de tratamento prescrito, parceiro tratado e motivo de não tratamento do parceiro). No que se refere às variáveis de teste treponêmico e não treponêmico realizados no pré-natal, tratamento prescrito e tratamento do parceiro, quando preenchidas como ignoradas ou não preenchidas (em branco), foram considerados como testes e tratamentos não realizados.

O banco de dados foi analisado no pacote estatístico Epi-info 7.0 para descrição das características sociais, demográficas e epidemiológicas das gestantes adolescentes notificadas com sífilis. Os coeficientes de incidência foram calculados com base no número de nascidos vivos do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) disponibilizados no DATASUS. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade de Pernambucosob parecer nº 2.545.932.


RESULTADOS

Durante o período de 2007 a 2016 foram notificados 1.494 casos de sífilis em gestantes adolescentes residentes no estado de Pernambuco. Nesse mesmo período foram registrados 305.099 nascidos vivos (NV) de mães nesta mesma faixa etária, o que representa um coeficiente de incidência de sífilis em gestantes adolescentes de 4,9 casos para cada 1.000 NV. Observou-se um aumento crescente das notificações, passando de 71 casos (CI=2,1) em 2007 para 289 (CI=10,7) em 2016 (Figuras 1 e 2), correspondendo a um aumento de 407%. A taxa média de notificação do agravo para este grupo etário no período foi de 149 (±79 DP) casos, representando um coeficiente médio anual de incidência de 4,9 (±2,9 DP).


Figura 1. Número de casos de sífilis em gestantes adolescentes residentes em Pernambuco, notificados no período de 2007 a 2016.
Fonte: SINAN/NET/DGCDA/SEVS/SES-PE/Coordenação de Vigilância Epidemiológica das IST/Aids/HV.


Figura 2. Coeficiente de Incidência de casos de sífilis em gestantes adolescentes residentes em Pernambuco, notificados no período de 2007 a 2016, por 1.000 NV.
Fonte: SINAN/NET/DGCDA/SEVS/SES-PE/Coordenação de Vigilância Epidemiológica das IST/Aids/HV; MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos - SINASC disponível no DATASUS.



No tocante às características sociodemográficas (Tabela 1), os casos ocorreram predominantemente nas adolescentes no 2º trimestre de gestação (41,7%), com a faixa etária entre 15 a 19 anos (95,0%), raça/cor parda (70,0%) e com 5ª à 8ª série incompleta do ensino fundamental (EF) (42,2%). A distribuição das residências por regiões de saúde mostrou mais casos na I regional (52,1%), mais especificamente nos municípios de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, seguida da IV (Caruaru) e VIII (Petrolina) regionais de saúde com 13,7% e 5,7%, respectivamente.




Considerando as características clínicas e epidemiológicas (Tabela 2), os casos apresentaram predominantemente como classificação clínica a sífilis primária (68,7%). A maioria realizou o teste não treponêmico no pré-natal (93,2%), cujo resultado apresentado foi reagente em 92,8% dos testes realizados. Um pouco mais da metade dos casos registrados realizou o teste treponêmico no pré-natal (54,1%), apresentando em 51,8% resultado reagente.




O tratamento prescrito para a maior parte dos casos foi a Penicilina G benzatina 7.200.000UI (38,3%). Sobre o tratamento da parceria sexual da adolescente, um pequeno percentual foi referente ao tratamento concomitante à gestante (21,7%) e, em mais da metade dos casos registrados, esse campo de preenchimento estava incompleto, dificultando a análise dos dados. Entre os parceiros não tratados, o principal motivo registrado para o não tratamento foi a ausência de contato com a gestante (22,2%).


DISCUSSÃO

Durante o período de 2007 a 2016 foram notificados 1.494 casos de sífilis em gestantes adolescentes residentes em Pernambuco, o que demonstra um aumento significativo dos casos, que cresceu de 71 em 2007 para 289 em 2016, e ocorreu predominantemente na faixa etária de 15-19 anos.

No tocante ao crescimento na detecção de casos no período estudado, dados de vigilância do Brasil mostram que o país vive um período de aumento no registro de casos de sífilis em gestantes adolescentes nos últimos anos. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado em 2017, no período de 2007 a 2016, foram notificados 46.395 casos de sífilis em gestantes adolescentes, das quais 94,5% estavam na faixa etária de 15-19 anos. O número de casos registrados cresceu em 821,7%, passando de 1.245 casos notificados no ano inicial para 10.230 casos no ano final7.

Os achados do presente estudo em relação à faixa etária mais prevalente são corroborados pelos dados nacionais e pelo resultado de um estudo descritivo realizado em Palmas-TO, durante o período de 2007 a 2014, no qual foram notificados 171 casos de sífilis em gestantes, das quais 20,5% estavam na adolescência8. O crescimento das notificações de sífilis em gestantes adolescentes também foi evidenciado em Minas Gerais, aumentando de 32 em 2007 para 734 casos em 2015, correspondendo a 26,4% do total de notificações9.

Sabe-se que o pré-natal tem um papel fundamental no diagnóstico precoce da sífilis em gestantes, sendo indispensável a qualidade da assistência e a captação precoce. Em adolescentes, há casos em que a gravidez não é planejada, resultando em uma procura tardia de atendimento. Neste estudo, a maioria dos casos se deu em um período tardio, entre o segundo e terceiro trimestre de gestação, resultado semelhante ao estudo realizado em Fortaleza-CE, em que 43,4% e 41,7% dos casos notificados ocorreram no segundo e terceiro trimestre de gestação, respectivamente10. Em Minas Gerais ficou ainda mais evidente o período tardio, visto que 43,6% das notificações ocorreram no 3º trimestre de gestação e 26,2% no 2º trimestre9, o que pode sugerir diagnóstico tardio ou infecção durante o período gestacional.

A baixa escolaridade encontrada neste estudo pode se relacionar com o pouco conhecimento sobre boas práticas de saúde, contribuindo para a não realização da triagem sorológica2, sendo também semelhante na pesquisa sobre perfil epidemiológico de adolescentes residentes em Recife-PE notificados com AIDS, dos quais 42,8% apresentaram o ensino fundamental incompleto11. Ainda sobre a escolaridade, um estudo realizado no estado do Rio de Janeiro mostrou que 44,4% das adolescentes de 15 a 19 anos que transmitiram verticalmente a sífilis tinham a 5ª à 8ª série incompleta do ensino fundamental12, sendo a escolaridade um fator contributivo para a ocorrência da sífilis congênita. A raça/cor predominantemente parda também foi corroborada com demais estudos8,9,12.

No que se refere ao município de residência, foi evidenciado que as regionais mais populosas com zona majoritariamente urbana, apresentaram maior número de notificações, sendo elas a I Regional de Saúde (Recife), seguida da IV Regional de Saúde (Caruaru). Em contrapartida, as taxas de incidência possibilitaram verificar que na XII Regional de Saúde (Goiana), embora seja menos populosa, a infecção se manifestou com maior frequência quando comparado com a IV Regional de Saúde.

A probabilidade da ocorrência de sífilis congênita é influenciada pelo estágio da sífilis na mãe e pela duração da exposição fetal, sendo maior quando a gestante apresenta sífilis primária ou secundária3, destacando a importância da identificação e tratamento precoces. Apesar de se caracterizar pelo aparecimento da lesão inicial, o cancro duro, geralmente única e indolor, pode estar localizado em áreas não visíveis pela mulher3..

Os resultados obtidos diferenciaram de Fortaleza-CE, visto que 28,6% dos casos apresentaram como evidência clínica a sífilis terciária10, enquanto que no presente estudo a evidência clínica mais registrada foi a sífilis primária. Em contrapartida, os estudos realizados em Palmas-TO e em Goiás obtiveram resultados semelhantes a este, com 36,8% e 40,3% dos casos com evidência clínica para a sífilis primária813.

Sobre o diagnóstico, ele pode ser realizado através de testes imunológicos divididos em não-treponêmicos e treponêmicos. Os testes não-treponêmicos detectam anticorpos não específicos para o Treponema pallidum, como o VDRL, sendo utilizados como triagem para determinar se uma amostra é reagente ou não, assim como para o monitoramento da resposta ao tratamento. Enquanto que os testes treponêmicos, como os testes rápidos, detectam anticorpos específicos para antígenos de T. pallidum3.

No presente estudo, a grande maioria das adolescentes realizou o teste não-treponêmico no pré-natal, cujo resultado foi reagente. O pequeno percentual de realização de teste treponêmico no pré-natal pode ser justificado pelo fato de que apenas em 2012 foi publicada a portaria nº 77 de 12 de janeiro que dispõe sobre a realização de testes rápidos na atenção básica para a detecção de HIV e sífilis, assim como para outros agravos, no âmbito da atenção pré-natal para gestantes e suas parcerias sexuais14.

O tratamento da sífilis é fase-dependente, determinado pelos sintomas e pelo perfil sorológico. A droga de primeira escolha é a Penicilina G Benzatina, com a dose variando de acordo com a fase da doença3. Para a maioria das adolescentes do estudo foi prescrito a Penicilina G benzatina 7.200.000UI. Considerando que na maioria dos casos notificados a evidência clínica apresentada foi a sífilis primária, cujo tratamento adequado consiste na Penicilina G benzatina 2.400.000UI3, pode-se inferir que houve uma falha no manejo da infecção nas gestantes adolescentes.

Os resultados foram semelhantes ao estudo realizado em Fortaleza-CE, visto que 62,9% dos casos foram tratados coma Penicilina G Benzatina 7.200.000 UI e apenas 28,6% apresentou como evidência clínica a sífilis terciária9. Em Minas Gerais esses dados também são corroborados, considerando que apenas 5,1% dos casos apresentaram como evidencia clínica a sífilis terciária e que 34,5% foram tratadas com a Penicilina G Benzatina 7.200.000 UI9.

Ainda no tocante ao tratamento da sífilis, é indispensável que o parceiro seja tratado concomitantemente à gestante para evitar a reinfecção e a consequente transmissão vertical. Em Pernambuco, um pequeno percentual de parceiros sexuais das adolescentes foram tratados, apresentando como principais justificativas para o não tratamento: a falta de contato com a gestante adolescente e o não comparecimento do parceiro, apesar da convocação.

O primeiro motivo evidencia a ausência de um parceiro fixo, sendo característico do período da adolescência em que há a busca da experimentação e da troca de parceiros. Enquanto que o segundo motivo supracitado pode estar associado às questões culturais de que a doença é considerada um sinal de fragilidade, reduzindo a adesão ao tratamento, assim como ao déficit de mecanismos que possam contribuir para a integração do parceiro ao período gravídico.

Estudos mostram que o tratamento do parceiro ainda é um ponto que deve ser bastante trabalhado. Nos estudos realizados em Palmas8 e Goiás13os dados obtidos não foram diferentes, visto que 29,8% e 53,6% dos parceiros, respectivamente, não foram tratados. Em Fortaleza-CE, 2008-2010, os registros de parceiros não tradados e ignorados corresponderam a 62,9% das notificações9.

Em relação às limitações deste estudo, pode-se citar aquelas relacionadas a pesquisas realizadas com dados secundários, que dizem respeito à qualidade dos registros, devido a incompletude de campos considerados importantes para o conhecimento e análise dos dados.


CONCLUSÃO

Observou-se um crescimento progressivo na notificação e na taxa de incidência de casos de sífilis em gestante adolescente residentes em Pernambuco. Os resultados demonstram que há predominância de casos no segundo trimestre de gestação, na faixa etária de 15 a 19 anos, de raça/cor parda, com baixa escolaridadee residentes na região metropolitana do Recife. A maioria apresentava como classificação clínica a sífilis primária, onde realizou-se teste não treponêmico e treponêmico no pré-natal. Além disso, houve baixa cobertura de tratamento concomitante da parceria sexual.

A atuação de políticas públicas voltadas para a adolescência é de grande importância para a prevenção de novos casos de sífilis em gestantes adolescentes. É nesse período que se dá o início da vida sexual e que o comportamento de risco tende a contribuir com a vulnerabilidade dos adolescentes às Infecções Sexualmente Transmissíveis. O conhecimento sobre a saúde sexual e reprodutiva, assim como a assistência ao pré-natal de qualidade, é indispensável para a garantia do diagnóstico precoce, tratamento oportuno e prevenção da transmissão vertical.

Diante da magnitude do problema, considerando que o início da atividade sexual está cada vez mais precoce, torna-se ainda mais necessário o conhecimento da realidade sanitária através da distribuição e tendência dos casos notificados, de modo a contribuir com o planejamento, formulação das políticas de saúde, tomada de decisões e avaliação das ações de prevenção e controle.


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