Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 16 nº 3 - Jul/Set - 2019

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Páginas 22 a 31


Avaliação do estilo de vida individual de adolescentes escolares

Evaluation of the individual living style of school teenagers


Autores: Maria Lucileide Costa Duarte1; Francisco Elizaudo Brito-Júnior2; Paulo Felipe Ribeiro Bandeira3

1. Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (Saúde da Criança e do Adolescente) pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Assistente Social pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Crato, CE, Brasil
2. Doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica Toxicológica) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Docente pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Crato, CE, Brasil
3. Doutorando em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestrado em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Docente pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Crato, CE, Brasil

Maria Lucileide Costa Duarte
(lucileideduarte@hotmail.com ou lucileide@ifce.edu.br)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Departamento de Assuntos Estudantis, Campus Crato
Rodovia CE 292, Bairro Gisélia Pinheiro
Crato, CE, Brasil. CEP: 63115-500

Submetido em 12/12/2018
Aprovado em 18/03/2019

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Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente; Estilo de Vida; Qualidade de Vida.
Keywords: Adolescent; Life Style; Quality of Life.

Resumo:
OBJETIVO: Objetivou-se avaliar o estilo de vida dos escolares dos cursos Técnicos integrados ao ensino médio de uma Instituição Federal de Educação do Ceará, campus Crato.
MÉTODO: Este é um estudo transversal, quantitativo e censitário com 202 adolescentes com idade entre 14 e 19 anos. Três casos não constaram no banco de dados, resultando em 199 participantes. Usou-se o Perfil do Estilo de Vida Individual -Pentáculo do bem-estar, e estatística descritiva (média e desviopadrão), onde adotou-se um nível de significância de p< 0,05.
RESULTADOS: Os discentes apresentaram um estilo de vida geral regular. A menor média ocorreu no comportamento preventivo. Os meninos tiveram resultados melhores que as meninas em todos os componentes do Perfil do Estilo de Vida Individual.

Abstract:
OBJECTIVE: It was aimed to evaluate students' lifestyle of the technical courses integrated to the high school of the Federal Institute of Education, Science and Technology, campus Crato.
METHODS: It is a transversal, quantitative and census study with the participation of 202 adolescents aged between 14 to 19. Three cases were not included in the database, resulting in 199 participants. It was used the individual lifestyle profile - behavior of well-being, and descriptive statistics (mean ± SD) using a significance level of p <0.05.
RESULTS: The students presented a regular lifestyle. The lowest mean occurred in the preventive behavior. The boys had better results than the girls in all components of the Individual Lifestyle Profile.

INTRODUÇÃO

As transformações socioeconômicas, políticas, culturais e ambientais provocadas pela revolução técnico-científica, têm exercido influência sobre os comportamentos e estilo de vida dos indivíduos, inclusive dos adolescentes, influenciando em sua qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), qualidade de vida é "a percepção que o indivíduo tem em relação a sua posição na vida, considerando o contexto cultural, valores, bem como seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações"1.

Segundo Nahas2, qualidade de vida resulta de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais que podem ser modificáveis ou não, caracterizando assim, as condições de como vive o ser humano. Este compreende que o estilo de vida é um "conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, os valores e as oportunidades na vida das pessoas"2. O autor aborda que nessas ações estão inseridos os hábitos alimentares, controle do estresse, atividade física habitual, relacionamentos sociais e prevenção a comportamentos de riscos.

Observa-se que esse parâmetro é algo inerente a todas as faixas etárias, entre elas a adolescência. Essa é uma fase marcada por alterações no corpo, na maneira de ser, pensar e agir do adolescente. Há transformações biológicas, sociais e comportamentais que atingem de forma significativa os hábitos alimentares, as relações sociais, familiares, culturais e espirituais, e de certa maneira, de (des) entendimento com o seu próprio eu3.

Nessa direção, tem-se ressaltado ultimamente, a relevância da aquisição e manutenção de hábitos saudáveis voltados para a melhoria da qualidade de vida e da saúde, através do estímulo à prática regular de atividade física, alimentação adequada e saudável, horas de sono suficiente, restrição ao consumo de bebidas alcoólicas, ao tabagismo, assim como ter momentos de lazer, controle emocional e do estresse4.

Ressalta-se que na adolescência, padrões de comportamentos e estilos de vida ganham espaço para formação. Tais comportamentos influenciarão o padrão de morbidade e de cuidados de saúde futuros. Considerando que fatores de risco para doenças crônicas podem ter início nesse período, esta fase é percebida como primordial para intervenções e modificações de hábitos e comportamentos do adolescente5.

Pesquisas aplicadas no Brasil e no mundo, concatenadas ao comportamento de escolares, comprovam excessos no comportamento dos adolescentes, despertando a necessidade de estudos sobre o assunto6.

Nesse aspecto, Farias et al.7 apontaram que escolares do nível médio vivenciam uma fase marcada por muitas descobertas, incertezas e inseguranças e, de maneira geral, adolescentes sofrem influências na construção de sua personalidade, o que poderá determinar o seu modo de viver. Nesse período, incorporar um maior número de informações sobre a adoção de um estilo de vida saudável pode ser decisivo para seu bem-estar futuro.

Face ao exposto, o objetivo desse estudo é avaliar o estilo de vida geral dos adolescentes escolares dos cursos Técnicos integrados ao ensino médio de uma Instituição Federal de Educação do Ceará (IFCE) do município do Crato.


METODOLOGIA

Estudo elaborado com base no banco de dados da pesquisa "Determinantes sociodemográficos e comportamentais do estilo e qualidade de vida em adolescentes escolares" do Mestrado Profissional em Saúde da Criança e do Adolescente da Universidade Estadual do Ceará (UECE), em parceria com a Universidade Regional do Cariri (URCA).

Este é um estudo transversal, quantitativo, censitário, realizado em um Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE). Participaram da pesquisa 202 estudantes, sendo que três casos não constaram no banco de dados, resultando em 199 participantes para a análise (111 meninos e 88 meninas). A faixa etária dos escolares foi entre 14 e 19 anos, matriculados nos Cursos Integrados ao Ensino Médio-Técnico em Agropecuária e Técnico em Informática para a Internet.

A coleta dos dados ocorreu nas duas últimas semanas do mês de fevereiro de 2018, com a presença da pesquisadora em datas e horários agendados em sala de aula. Os escolares participaram da pesquisa após devolução dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), assinados pelos pais/responsáveis, bem como os Termos de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), conforme as normas éticas exigidas pela Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.8 O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o Número do Parecer: 2.421.758.

Foram excluídos da pesquisa os estudantes em situação de afastamento temporário ou definitivo, àqueles que não se encontravam em condições físicas e mentais para responder os questionários e os discentes cujos pais/responsáveis não assinaram o TCLE. Foi respeitada a vontade daqueles que não desejaram participar do estudo.

Para avaliação do Estilo de Vida, aplicou-se o instrumento Perfil do Estilo de Vida Individual, derivado do Pentáculo do Bem-Estar, validado no Brasil por Nahas, Barros, Francalacci9. Trata-se de um questionário autoaplicável, constituído de questões para serem respondidas individualmente, numa escala de zero a três (zero significa ausência total de tal característica no estilo de vida e três expressa completa realização do comportamento considerado).

O instrumento conta com 15 itens para serem preenchidos e os participantes são instigados a colorir com lápis de cor as faixas representativas de cada um dos itens autoavaliados. Quanto mais colorido estiver a representação gráfica, mais adequado será seu estilo de vida. O Pentáculo do Bem-estar é representado em forma de uma estrela de cinco pontas, sendo que cada uma refere-se a um determinado fator: nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamentos e estress2.

Os dados obtidos foram digitalizados em planilha Excell 2016 e analisados na Linguagem de Programação R e Python 3.6. Utilizou-se estatística descritiva (média e desvio-padrão), que permitiu a construção das figuras e construção do gráfico de barras segundo a frequência de respostas aos itens, e adotou-se um nível de significância de p< 0,05.


RESULTADOS

Realizou-se a análise dos componentes do estilo de vida conforme os valores médios de cada dimensão do Pentáculo do Bem-Estar. Verifica-se que no componente Nutrição a média foi 1,29% e 1,22% para os meninos e meninas, respectivamente. No componente Atividade Física, o sexo masculino apresentou escore de 1,42% e as meninas, 1,04%. No Comportamento Preventivo, percebeu-se uma média para os escolares masculinos de 1,08% e o feminino de 1,02%; no componente Relacionamento Social, os adolescentes masculinos apresentaram um escore de 1,96% e as meninas, 1,80; no componente Controle do Estresse, os escores foram 1,59% e 1,37% para meninos e meninas, respectivamente. O Estilo de Vida Global para os discentes masculinos foi de 1,46% e para as meninas foi de 1,29%. Todas as variáveis apresentaram resultados significativos, sendo que o componente com maior escore foi o de Relacionamento Social e o de menor, o Comportamento Preventivo (Tabela 1).




Com vistas a promover uma melhor visualização dos resultados do Perfil de Estilo de Vida dos adolescentes apresenta-se abaixo, a figura 1 que representa a estrela de cinco pontas que descreve os cinco fatores relacionados ao estilo de vida2.


Figura 1. Estrela do Pentáculo do Bem-Estar



As figuras 2 e 3 apresentam os dados percentuais das respostas de cada dimensão de estilo de vida (nutrição, atividade física, relacionamentos, comportamento preventivo e controle do estress) separados por sexo dos adolescentes analisados.


Figura 2. Dados percentuais, do sexo masculino e respostas de cada dimensão de estilo de vida dos adolescentes matriculados nos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio de um Instituto Federal de Educação. CE, 2018


Figura 3. Dados percentuais, do sexo feminino e respostas de cada dimensão de estilo de vida dos adolescentes matriculados nos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio de um Instituto Federal de Educação. CE, 2018



DISCUSSÃO

Conhecer os fatores que corroboram para um desenvolvimento de um estilo de vida saudável, sobretudo na adolescência é de fundamental relevância. As experiências nessa fase são comuns à maioria das pessoas, porém independem apenas de questões orgânicas ou econômicas, mas também do contexto psicossocial em que estão inseridos, o qual incide em atitudes e tomadas de decisões (comportamentos), tornando-o um sujeito de necessidades abrangentes e de maior especificidade10.

Nesse entendimento, percebe-se que os resultados evidenciados no estilo de vida dos escolares desse estudo sinalizam uma situação que requer cuidados. Essa situação se aproxima um pouco do estudo realizado por Orsano et al.11, ao avaliarem o estilo de vida e aptidão física em alunos do ensino médio de Demerval Lobão - PI. Os autores observaram uma média geral do EV de 1,79%, que foi classificada como "regular". Já nos estudos de Westphal et al.12, a média geral alcançou o escore bem maior (2,09%) indicando positividade do estilo de vida dos participantes.

A média do componente atividade física observada nesse estudo foi semelhante ao desfecho dessas investigações, em que os meninos apresentaram médias superiores às meninas. Situação similar encontrada na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar - 201513, na Global School - Based Student Health Survey - 201514, e em estudos internacionais realizados no Kuwait, Indonésia, Guatemala e Moçambique. Ou seja, parece ser uma tendência mundial que as meninas pratiquem menos atividade física que os meninos.

A literatura tem registrado uma proporção maior de meninos ativos em relação às meninas e parece que ser do sexo masculino é um fator positivamente associado a um maior nível de atividade física. Isso pode ser explicado pelo contexto sociocultural. Desde a infância os meninos são motivados às práticas de exercícios físicos como subir em árvores, andar de bicicleta, jogar bola, ao passo que as meninas são incentivadas ao desenvolvimento de atividades tipicamente sedentárias15. Além dos fatores socioculturais, há também os biológicos e educacionais16.

Diante do exposto, é interessante motivar os escolares, sobretudo as adolescentes, a usufruírem do ambiente físico escolar de que dispõem, tais como: ginásios, quadras esportivas, academias, áreas verdes, assim como outras atividades extracurriculares. Além das aulas de educação física, outros mecanismos podem ser utilizados para aflorar o interesse pelo esporte e propiciar significados inovadores a serem agregados no cotidiano das meninas e dos adolescentes em geral.

Em alusão ao componente relacionamentos sociais, verificou-se um escore geral bem próxi-mo ao nível 2, o mínimo desejável na escala do perfil de estilo de vida individual. Já os achados de Orsano et al.11 atingiram um escore de 2,6%, considerado "positivo" para o estilo de vida. Essa mesma positividade (média 2,1%) foi obtida em pesquisa com secundaristas de Alfenas - MG17, e em um trabalho com adolescentes de nível médio de Canoinhas-SC onde também foi alcançado um nível "bom", expresso no escore 2,3%12.

O componente relacionamento social é um dos mais relevantes do Pentáculo. A integração social promovida pela inserção de crianças e adolescentes em encontros com amigos, atividades esportivas em grupo e participação em associações ocasiona o bem-estar psíquico e equilíbrio entre seus valores, cultura e hábitos. Todavia, atualmente, as relações sociais têm perdido seus espaços para a tecnologia, motivando os adolescentes e jovens a aderirem os personagens do mundo virtual, sem conhecê-los pessoalmente, colocando em risco sua saúde e segurança18.

Em referência a esse componente, o bom relacionamento interpessoal tem sido visto na literatura como uma característica fundamental para a construção de uma identidade social. Buscando cultivar amizades e se relacionar melhor, o indivíduo tenta compreender melhor a dinâmica social, tendo uma posição mais flexível frente às barreiras existentes na sociedade19.

Isso é válido para todas as etapas da vida de todo ser humano e nesse sentido, por meio das relações, o adolescente amplia seu ciclo de amizades e é convidado naturalmente a se inserir nas mais diversificadas atividades de seu mundo extrafamiliar.

No que concerne ao comportamento preventivo, percebe-se que a média se apresentou com sinal de alerta, exigindo orientação e mudanças no estilo de vida dos participantes. Esses achados se distanciaram bastante dos resultados encontrados em outros estudos com adolescentes do ensino médio12, que verificaram um escore de 2,5%. Flausino et al.17 observaram uma média de 1,46% e Orsano et al.11 encontraram um valor de 2%.

Outras pesquisas com adolescentes que utilizaram diferentes instrumentos metodológicos, também demonstraram sinais de alerta, Foi constatado que os participantes estavam envolvidos em um ou mais comportamentos de risco, tais como: níveis insuficientes de atividade física, baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo, abuso de bebidas alcóolicas, uso de drogas ilícitas, envolvimento em brigas, uso irregular de preservativos e comportamento sedentário20-22.

Em revisão sistemática sobre estilo de vida, Pôrto et al.23 concluíram que há um consenso acerca da necessidade de algumas atitudes para a manutenção de um estilo de vida saudável. Dessa maneira, entende-se que adolescentes precisam adotar atitudes preventivas para seu bem-estar, pois de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria das ameaças à saúde decorre de fatores comportamentais como a inatividade física, os abusos de substâncias e os distúrbios alimentares24.

Em alusão ao componente Nutrição, a média geral demonstrou uma posição crítica considerando a positividade na escala a partir do escore 2. Situação semelhante à encontrada em outras pesquisas11-17. Em estudo realizado por Vasconcelos et al.25 verificaram que 78,3% dos adolescentes se alimentavam na escola com biscoitos, sucos, salgados e refrigerantes e apenas 21,7% ingeriam frutas. Divergindo um pouco desses resultados, Maria et al.26, apontaram em sua pesquisa que de uma maneira geral, os adolescentes possuíam comportamento positivo, porém o hábito de refeições em restaurantes fastfood foi preocupante. Já Farias, Souza e Santos7 encontraram um nível satisfatório no comportamento nutricional de seus investigados, destacando maior positividade no sexo masculino.

Segundo Noll et al.27, o perfil atual de hábitos alimentares é baseado em elevado consumo de produtos gordurosos, sobretudo ricos em gorduras saturadas e trans, açúcares simples, sódio, conservantes e com pequenas quantidades de fibras e micronutrientes, sobressaindo os alimentos prontos ou processados para o consumo em detrimento dos produtos in natura. Acrescenta-se ainda, que os hábitos formados na infância e adolescência são propensos a continuar na vida adulta e o excesso de peso é fator de risco para outras doenças como as cardiovasculares, síndrome metabólica, diabetes e alguns tipos de câncer.

Quanto ao componente controle do estresse, este apresentou uma média equiparada a outros estudos11,17,26. Contrariando esses achados, pesquisas demonstraram comportamentos positivos nesse componente para o estilo de vida. Nesse elemento, Westphael et al.12 observaram um escore de 2,29% e Farias, Souza e Santos7 consideraram comportamento insatisfatório em um pequeno número de adolescentes.

Na concepção de Flausino et al.17, o estresse é constituído por fatores sociais, ambientais e físicos. Exercer controle sobre o estresse é uma obrigação contínua e vital na vida urbana e no mundo moderno. Situação exigida pela sucessão cumulativa de fatores estressantes, os quais demandam uma adaptação constante no cotidiano dos indivíduos.

Portanto, o estresse geralmente é decorrente do estilo de vida que o indivíduo adota e da forma como se enfrenta as adversidades. É possível que o sujeito não se sinta capaz de eliminar as situações que o ocasionam, porém podem-se mudar as estratégias de responder a essas situações2.


CONCLUSÃO

Essa análise demonstrou que o estilo de vida geral dos adolescentes dos cursos Técnicos integrados ao ensino médio do IFCE do município do Crato requer cuidados. O sexo masculino teve resultados mais satisfatórios que as meninas em todos os componentes do Perfil do Estilo de Vida Individual. Apesar de ambos os sexos apresentarem vulnerabilidade, o sexo feminino teve um grau mais elevado.

Vale apontar que a promoção do estilo de vida saudável implica em uma melhor qualidade de vida. Destaca-se ainda, que essa promoção é de responsabilidade de toda a sociedade, iniciando no ambiente familiar e se perpetuando nas diversas instâncias que dão suporte ao adolescente, incluindo aí os educadores.

A escola tem na figura do professor de educação física um instrumento motivador à adoção de hábitos de vida saudável, sendo que quanto mais cedo incorporados esses hábitos, mais fáceis de serem consolidados na vida adulta. É importante também um olhar mais minucioso direcionado às meninas, a fim de identificar que motivos interferem na adesão à melhores atitudes para seu bem-estar físico, social e mental, já que os meninos tiveram escores superiores aos delas.

Convém apontar um ponto forte dessa pesquisa revelado na participação de 60% dos adolescentes matriculados no ano de 2018. Contudo, algumas limitações devem ser retratadas: quanto ao instrumento Perfil do Estilo de Vida Individual, este não oferece ao pesquisador o resultado do EV, e sim, o relato desse construto, por ser sensivelmente marcado pela subjetividade. Quanto aos achados, estes se referem aos adolescentes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio de uma instituição federal de educação do município do Crato/CE, não podendo ser generalizados para aqueles, que por alguma razão, estão fora da escola, para outros secundaristas ou para aqueles que vivem em outras áreas ou regiões. É também um estudo transversal que não permite inferências de causa e efeito.


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