EDITORIAL
Abstract
Crescer, desenvolver-se. Esse é o significado da palavra adolescência em sua origem,
do latim adolescere. Porém, deixar o mundo infantil e entrar na adolescência implica uma
série de transformações internas e externas que, para muitos, torna-se confusa e sofrida.
O nível de exigência e os padrões ditatoriais aos quais estamos submetidos hoje em
dia, especialmente no campo estético e na busca incessante pelo sucesso, acabam por criar
no adolescente uma grande ansiedade quanto ao futuro.
Temos a falsa impressão de que ser adolescente no mundo atual é mais fácil do que
era antigamente, pois os pais são mais tolerantes, compreensivos e, portanto, os adoles
centes gozam de maior liberdade de expressão, sexo, escolha profissional etc. Porém, se
no passado sentia-se falta dessa liberdade, hoje em dia sofre-se com outra falta, que acaba
provocando um excesso extremamente prejudicial: a falta de limites. Soma-se a isso a difi
culdade, muitas vezes enfrentada pelos pais, de assumir o verdadeiro papel de educadores
e orientadores, e não apenas o de amigos desses jovens.
Nesse contexto, além dos problemas comuns da adolescência relacionados com o
crescimento e o desenvolvimento, surgem como questões de alta relevância as doenças
sexualmente transmissíveis (DSTs) e a gravidez não planejada, assim como determinados
distúrbios psiquiátricos e alimentares, como crise de pânico, depressão, violência, drogadi
ções e anorexia. Muitos desses transtornos constituem graves problemas de saúde pública,
despertando políticas sociais específicas voltadas para essa faixa etária.
Atualmente transita no Congresso Nacional um projeto de lei que objetiva reduzir
a maioridade penal para 16 anos. Medidas como essa, apesar de apresentarem simplici
dade em análise menos criteriosa, escondem no seu cerne situações complexas de nossa
sociedade, em que a degradação dos valores morais, a alteração dos núcleos familiares e
a “falência da autoridade” nas mais variadas esferas podem ser apontadas como causas
relevantes a serem discutidas.
A necessidade de estudar, observar, compreender e discutir as transformações da ado
lescência, levando-se em conta o contexto atual, é que engrandecem iniciativas como
esta publicação, que veicula informações com conteúdos altamente relevantes. A revista
Adolescência & Saúde oportuniza debates e estudos de relevância capital, que antes não en
contravam fórum em um periódico especializado. Temas como violência contra adolescen
tes, gravidez não-planejada e tantos outros agora possuem sua revista científica específica,
capitaneada por especialistas que têm dedicado sua carreira profissional ao estudo dessa
fase determinante da vida do indivíduo.
Todo esforço e investimento empreendidos até aqui e a partir desta edição justificam
se pelo nobre objetivo de elevar o nível do debate e do conhecimento sobre o adolescente
e suas saúdes física e mental. Se lograrmos com isso, de alguma forma, ajudar os indivíduos
nessa transição para que iniciem a fase adulta saudáveis e emocionalmente equilibrados,
então tudo terá valido a pena.
Aproveito para agradecer à Dra. Kátia Nogueira, que há seis anos nos presenteou com a
oportunidade de fazer parte desta história de sucesso, e parabenizar enfaticamente a Dra. Isabel
Bouzas e seus colaboradores pelas valiosas conquistas, que vão desde a adoção desta linha te
mática até a recente qualificação, reflexo da excelência alcançada pela Adolescência & Saúde.

